terça-feira, 23 de novembro de 2010

Rosas para João - Renato Motha e Patricia Lobato

Queridas Marias, estou "atucanada" com afazeres de todo tipo: 1ª comunhão da filha, estudos. Enfim, não estou conseguindo dar atenção ao blog. Depois do dia primeiro acredito que tudo volte ao normal.
Deixo o vídeo que segue como "pedido de desculpas" pelas promessas não cumpridas... listas de materiais, sugestões de ações de final de ano etc.
Uma homenagem dos "mineirinhos" para ELE: Guimarães Rosa.
Rosas para vocês, Marias...
Rosas para João!


Lero-lero: Lembrei-me agora da Nininha, não conhecem? Então, leiam o conto "A menina de lá" na obra Primeiras estórias, de Guimarães Rosa, aproveitem e também leiam...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A ideia azul, de Marina Colasanti

Um dia o Rei teve uma ideia. Era a primeira da vida toda, e tão maravilhado ficou com aquela ideia azul, que não quis saber de contar aos ministros. Desceu com ela para o jardim, correu com Ela nos gramados, brincou com ela de esconder entre outros pensamentos, encontrando-a sempre com igual alegria, linda ideia dele toda azul.
Brincaram até o Rei adormecer encostado numa árvore.
Foi acordar tateando a coroa e procurando a ideia, para perceber o perigo. Sozinha no seu sono, solta e tão bonita, a ideia poderia ter chamado a atenção de alguém.
Bastaria esse alguém pegá-la e levar. É tão fácil roubar uma ideia: Quem jamais saberia que já tinha dono?
Com a ideia escondida debaixo do manto, o Rei voltou para o castelo. Esperou a noite. Quando todos os olhos se fecharam, saiu dos seus aposentos, atravessou salões, desceu escadas, subiu degraus, até chegar ao Corredor das Salas do Tempo.
Portas fechadas, e o silêncio.
Que sala escolher?
Diante de cada porta o Rei parava, pensava, e seguia adiante. Até chegar à Sala do Sono.
Abriu. Na sala acolchoada os pés do Rei afundavam até o tornozelo, o olhar se embaraçava em gazes, cortinas e véus pendurados como teias.
Sala de quase escuro, sempre igual. O Rei deitou a ideia adormecida na cama de marfim, baixou o cortinado, saiu e trancou a porta.
A chave prendeu no pescoço em grossa corrente. E nunca mais mexeu nela.
O tempo correu seus anos. Ideias o Rei não teve mais, nem sentiu falta, tão ocupado estava em governar. Envelhecia sem perceber, diante dos educados espelhos reais Que mentiam a verdade. Apenas, sentia-se mais triste e mais só, sem que nunca mais tivesse tido vontade de brincar nos jardins.
Só os ministros viam a velhice do Rei. Quando a cabeça ficou toda branca, disseram-lhe que já podia descansar, e o libertaram do manto.
Posta a coroa sobre a almofada, o Rei logo levou a mão à corrente.
Ninguém mais se ocupa de mim - dizia atravessando salões e descendo escadas a caminho das Salas do Tempo - ninguém mais me olha. Agora posso buscar minha Linda ideia e guardá-la só para mim.
Abriu a porta, levantou o cortinado.
Na cama de marfim, a ideia dormia azul como naquele dia.
Como naquele dia, jovem, tão jovem, uma ideia menina. E linda. Mas o Rei não era mais o Rei daquele dia.
Entre ele e a ideia estava todo o tempo passado lá fora, o tempo todo parado na Sala do Sono. Seus olhos não viam na idéia a mesma graça. Brincar não queria, nem Rir. Que fazer com ela? Nunca mais saberiam estar juntos como naquele dia.
Sentado na beira da cama o Rei chorou suas duas últimas lágrimas, as que tinha guardado para a maior tristeza.
Depois baixou o cortinado, e deixando a ideia adormecida, fechou para sempre a porta.
Da obra: A idéia azul - de Marina Colasanti. (grifos meus)
Lero-lero: Marias, Joões! Adoro essa escritora. Seus contos são profundos, marcantes, valem à pena! Tenho vários "preferidos": A moça tecelã, Como um colar... mas A ideia azul considero um "chacoalhão literário"!
Beijos! Liberem suas ideias vermelhas!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Alex Kipman e o Duo Mendes: o videogame mudou a vida deles...

A apresentação do sistema kinect, controle de videogame, criado pelo brasileiro Alex Kipman (31 anos) para o grupo Xbox, possivelmente, tenha deixado muita gente boquiaberta, receosa, curiosa. Aqui em casa temos pessoas com idades entre 7 e 50 anos e as reações foram as seguintes:
Minha (40...) anunciando:
─ Olhem que legal um videogame que substitui a academia de ginástica... e o preço, mais barato do que os outros! E o movimento... e foi criado por um BRASILEIRO!
Marido (50...):
─ Isso não vai "pegar", já tem “aquele outro” que é de se mexer e não conheço ninguém que goste... só para animar festinhas de aniversário...
Filha (20):
─Também não gostei, videogame é justo para a gente ficar atirada no sofá, na cama, não para ficar pulando na frente da TV.
Filha (11):
─ Não sei se vai dar certo aqui em casa. Não dá para pular por causa dos que moram no andar de baixo... só vai dar para jogar de dia... eu não quero, prefiro um... (sei lá)
Filho (7):
─ Que “massa” mãe! Eu quero um e aí eu vou ser “aquele tigre” que apareceu e vou pegar as presas... e vou fazer assim e assim “póin,óin, óin” e vai ser legal! Será que a nossa sala tem os 4 metros que precisa? Dá para puxar os sofás para trás? E se eu fugir da sala o tigre virá atrás de mim?
Esse filho entusiasmado tem um Nintendoantigão” que foi da irmã que tem 20... Contudo, foi o mais receptivo ao novo, o mais disposto a reinventar uma brincadeira, dar movimento (real) ao virtual e assumir com maior intensidade o comando da fantasia.
Na postagem anterior, sugeri a obra: Crianças que nos escapam, de Leni Vieira Dornelles que, oportunamente, pode ser utilizada para compreender esse episódio familiar. Doutro modo, também pode alertar para as práticas docentes que simplesmente ignoram a distância entre as gerações (professor X criança cyber).
O vídeo que segue (da entrevista com o criador do grupo X-box) encontrei na rede, mas eu gostaria muito que o entrevistador tivesse perguntado para o Alex “em que ombros você subiu” para enxergar tão longe? Ou melhor, “ALEX, quem foi teu MESTRE?” (teria sido a Alice? A Rainha Vermelha é que não foi.)

(...)
Meu filho passou um bom tempo falando no tal videogame (blá,blá,blá, bli,bli,bli) e as visitas que chegaram em nossa casa, no último sábado, tiveram que ouvi-lo e vê-lo “corpodemonstrar” o leão do jogo virtual... Quando achei que o assunto tinha acabado (ufa!) ele voltou do quarto, com os desenhos que seguem, dizendo: “Olha mãe, eu também criei uns videogames, o primeiro vai ter um capacete e a gente só vai ter que pensar para as coisas aparecerem na TV. O outro a gente põe um livro e entra na história. E agora vou inventar mais uns.”
Lero-lero: Jogos virtuais fazem parte da infância atual, possuem desafios, permitem fantasiar, exercitar “perdas e ganhos” etc. Dessa forma, cumprem o papel educativo do brinquedo. Quando utilizados com moderação (opção de brincadeira entre as diversas possibilidades) podem “sem dramas” ter lugar nas “brinquedotecas” particulares e coletivas. Alguns pesquisadores defendem o uso dos jogos virtuais, principalmente, na adolescência e na vida adulta sob argumento de extensão da prática da brincadeira.
Feriadão! Volto quarta, beijos! Vou tentar aprender (mais uma vez) a jogar o tal do Mário (aquele que sobe no dinossaurinho, o dos cogumelos...).
Seguem outros protótipos para videogame criados pelo meu guri.
E, "de quebra", um vídeo ( de uma apresentação num programa de auditório) de uma dupla gaúcha: Duo Mendes, que dá um show em termos de “Mariomania”:

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Feira do livro em Porto Alegre? Aproveitemos!

Marias, Joãos!
Quem ainda não leu as obras abaixo, deixo a dica. Nenhuma é lançamento mas como esse blog tem, entre outras, a intenção de esvaziar meu "coisário docente" destaco-as.
Crianças pedem respeito retoma concepções e metodologias no trabalho com crianças pequenas, sugere "leveza" nos ambientes educativos atuais. Propõe a "não escolarização precoce" no processo.
Infâncias que nos escapam propõe uma reflexão sobre a "docência estática" diante das crianças cyber, uma barreira que precisa ser vencida pelos professores. Além disso, recupera a história da "invenção da infância" pontuando a histórica existência das crianças ninja.: "das rodas de expostos da modernidade às sinaleiras da contemporaneidade".
Leituras "clássicas", com o deconto da feira ficam melhores ainda para o bolso docente, certo?
Lero-lero:
Bem que o novo governo poderia criar o vale-livro para os docentes das escolas públicas... Tem vale de tanta coisa... E "a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte..." E educação!
E literatura!

domingo, 7 de novembro de 2010

Mulher boazinha- Martha Medeiros

Mulher Boazinha

Qual o elogio que uma mulher adora receber?
Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns setecentos:
mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam eles físicos ou morais.
Diga que ela é uma mulher inteligente, e ela irá com a sua cara.
Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é uma provocação,
e ela decorará o seu número.
Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de espírito,
da sua aura de mistério, de como ela tem classe:
ela achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de casa.
Mas não pense que o jogo está ganho: manter o cargo vai depender da sua
perspicácia para encontrar novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta.
Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe,
que ela tem uma voz que faz você pensar obscenidades,
que ela é um avião no mundo dos negócios.
Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade,
seu bom gosto musical.
Agora quer ver o mundo cair?
Diga que ela é muito boazinha.
Descreva aí uma mulher boazinha.
Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão.
Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja,
cuida dos sobrinhos nos finais de semana.
Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor.
Nunca teve um chilique.
Nunca colocou os pés num show de rock.
É queridinha.
Pequeninha.
Educadinha.
Enfim, uma mulher boazinha.
Fomos boazinhas por séculos.
Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas.
Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas e nenezinhos.
A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas,
crucifixo em cima da cama, tudo certinho.
Passamos um tempão assim, comportadinhas, enquanto íamos alimentando um
desejo incontrolável de virar a mesa.
Quietinhas, mas inquietas.
Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas.
Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil: somos atrizes,
estrelas, profissionais.
Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da geração teen.
Ser chamada de patricinha é ofensa mortal.
Pitchulinha é coisa de retardada.
Quem gosta de diminutivos, definha.
Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa.
Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.
As boazinhas não têm defeitos.
Não têm atitude.
Conformam-se com a coadjuvância.
PH neutro.
Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções,
é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas,
apressadas, é isso que somos hoje.
Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos.
As “inhas” não moram mais aqui.
Foram para o espaço, sozinhas.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Questões de Gênero: uma "fabulinha" contemporânea

Fabulinha nº 3.

A maçã, o lado esquerdo, o direito e a quebra na horizontal

Logo que terminou de criar a Terra, Deus chamou o anjo da ciência e disse:
─ Preciso de ajuda para povoar o planeta; inicialmente, quero que tenha nem mais homens nem mais mulheres. Penso que isso vai garantir o amor entre os pares.
O anjo pediu um tempo para criar uma boa fórmula de reprodução proporcional.
E foi, no pomar celestial, em meio à observação do formato das maçãs, que a solução brotou.
Diante de Deus, com uma maçã na mão, o anjo explicou o método:
─ A legião jogará aqui de cima algumas maçãs: na queda, quando baterem no chão e sentirem a palmada da vida irão se partir. E cada metade da maçã definirá um tipo de ser. Os lados esquerdos serão mulheres; os direitos, homens. E assim, Senhor, as partes buscar-se-ão exaustivamente até a completude, durante toda a vida terrena. E quando unidas, no amor, poderão continuar o povoamento.
Deus aprovou a beleza da idéia e pediu que os anjos iniciassem logo o trabalho.
Passado algum tempo, o fiel ajudante divino voltou entristecido.
─ Senhor ─ disse ele ─, o inesperado aconteceu: percebemos que algumas maçãs se partiram na horizontal e assim cada uma das suas metades tem um pouco de homem e um pouco de mulher: não há como nomeá-los!
Deus, em sua sabedoria, respondeu:
─ Não vejo problemas, apenas diferenças, continuem o trabalho. O importante é que essas maçãs partiram daqui e as suas metades estão destinadas ao amor e ao retorno ao todo, chame-os de seres do horizonte!
Depois da explicação divina, para celebrar a diversidade anunciada, o anjo das Artes criou o arco-íris.

(Maria Cristina Schefer)

(Publicado em "Sociedade e Cultura" na Web artigos em 02/11/2010).

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Bia Bedran - uma contadora cantante!

Queridas Marias, queridos Joões!
Já falei aqui sobre o "Palavra Cantada", hoje gostaria de deixar mais uma sugestão para a "discoteca" da escola: os Cds de Bia Bedran.Uma artista da infância, ela tem uma trajetória muito bonita dedicada à criançada. É mais do que um cantora de ocasião, da mídia. Bia é uma pesquisadora que difunde com muita alegria o patrimônio musical das crianças brasileiras.
Depois de quatro dias de feriadão, uma boa dica para receber a turma é a música que segue...
Saiba mais sobre o trabalho de Bia Bedran clicando no título...