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domingo, 16 de junho de 2013

Filosofando...

Fábula do passarinho
Um passarinho voava para o sul, para se preparar para o inverno. No caminho, encontrou uma forte nevasca. O frio era tão intenso, que o pássaro quase congelou e caiu no chão. Enquanto ele estava ali deitado,sem conseguir se mexer, quase morrendo, uma vaca que passava pelo local, defecou em cima dele. O pássaro começou a perceber o quão quente estava. O calor da merda, o manteve aquecido e isolado do frio. Estava tão quentinho que ele começou a cantar de felicidade. Um gato passando nas proximidades, ouviu o canto do pássaro e seguiu o som até encontrar o passarinho. Ao localizá-lo em meio a merda, o gato imediatamente, tratou de retirá-lo dali e começou a limpá-lo. Depois, o gato pegou o passarinho limpo, colocou-o na boca e o comeu! 
Moral da história: 1- Nem sempre aquele que te põe na merda é seu inimigo. 2- Nem sempre aquele que te tira da merda é seu amigo. 3- E quem tá na merda não tem que ficar cantando! Tem mais é que ficar quieto!

Lero- lero: Reencontrei essa fábula "tentando" colocar os livros em ordem... Imprimi, certa vez, esse  texto para trabalhar numa assessoria, num lugar cheio de conflitos pedagógicos... guetos escolares... obviamente não imprimi a moral a história, nunca imprimo o "recado universal/ filho do método único" quando utilizo fábulas como proposta de trabalho reflexivo.
Hoje, porém, resolvi manter o texto ao "modo estruturalista" do passado... se é que algum dia a Literatura oral recebeu na íntegra o direito de estar estruturada, são tantas as controvérsias... 

Beijos e boa semana!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Coordenação escolar? Fábulas chinesas ajudam a iniciar o debate!

Bem, conforme contei aqui, utilizei para trabalhar na disciplina de verão: Supervisão e Orientação Escolar (UERGS),  fábulas chinesas. A opção de fábulas chinesas não foi aleatória, tenho incentivado a "virada dos pescoços" para o lado oposto daquele que nos treinaram a olhar. Além disso, gosto de "lembrar" onde tudo começou e reforçar que temos muito a aprender com a literatura oral, de base, de essência!  
Seguem as fábulas selecionadas, bem como, uma frase dita pelos estudantes após a leitura quando estabeleceram relações entre o tema da narrativa e  a prática da coordenação escolar. 
Abraços, e  bom carnaval a todos!


O velho louco que removeu as montanhas – Liezi 
   (Coordenação escolar: projetos de curto, médio, e longo prazo)

                Perto das montanhas Taihang e Wangwu, vivia um velho de noventa anos que todo mundo achava louco. Ele tinha uma ideia fixa, a de remover montanhas da frente de sua aldeia e levá-las para outro lugar. Ninguém acreditou que ele fosse fazer isso.
                Certa noite todos foram dormir tranquilos. No dia seguinte, o velho louco acordou bem cedo e disse novamente que iria remover as duas montanhas para abrir um caminho até Hanying, onde os agricultores iam vender seus produtos no mercado.
                Ele começou a encher um cesto com pedras e, pouco depois, passou perto de sua casa com a carga nas costas.
                Sua mulher perguntou:
                - Onde vai jogar a montanha?
                - No mar Bohai.
               Logo seu filho e seus três netos foram trabalhar com ele. Juntos quebravam as pedras, tiravam a terra, enchiam com ela os cestos e iam jogá-las no mar Bohai. Até o filho de sete anos da viúva, que nascera depois da morte do vizinho, veio ajudá-los. Eles trabalhavam de domingo a domingo, de primavera a primavera, voltando para casa apenas uma vez por ano.
                Mesmo algumas pessoas que não acreditavam que fosse possível tirar as montanhas do lugar de dispuseram a ajudar o velho louco. Primeiro sua mulher e seus outros filhos. Depois os vizinhos e os vizinhos de seus vizinhos. Mais tarde acharam, sim, que a montanha tinha de dar passagem até Haying.
                Um sábio que vivia na curva do rio tentou dissuadi-lo daquela loucura.
                - Deixa de ser doido. Um homem velho e fraco como você, incapaz de carregar um saco de areia, vai remover duas montanhas para mudá-las de lugar?
                O velho deu um suspiro. Olhou para a montanha, olhou para o mar Bohai, lá longe, como se calculasse quanto tempo faltava para terminar o trabalho, e disse:
                - Se eu morrer, deixo meu filho e o filho do meu filho, o filho do meu neto, o filho do filho do meu neto. Já as montanhas, não crescem mais nem aumentam de tamanho. Por isso eu vou continuar meu trabalho.
                O sábio da curva do rio não soube o que responder.



A moça que queria comer no leste e dormir no oeste - Ying Shao
  (Coordenação escolar: exige posicionamento)

               No estado de Qi, havia uma moça em idade de casar. Era muito bonita e tinha muitos pendentes, mas não sabia que noivo escolher. Um dia, dois moços diferentes foram à sua casa pedi-la em casamento. Um morava no Leste e outro no Oeste.
                O moço que morava no Leste era feio, mas vinha de uma família muito rica. O moço que morava no Oeste era bonito, mas vinha de uma família muito pobre. Os pais da moça não sabiam qual marido apresentar para sua filha. Então eles permitiram que ela desse sua opinião sobre a pessoa com quem queria se casar.
                A moça ficou encabulada. Passou o tempo, e nada de uma resposta. Seu pai chamou sua mulher para um canto e perguntou:
                - Nossa filha não tem coragem de falar?
                A mãe foi até onde estava a filha e disse:
                - Você não tem coragem de falar? Se está com vergonha, apenas aponte para o rapaz de sua preferência. Quer dizer, nem precisa apontar. Toque em seu próprio braço. Se tocar no braço esquerdo, é que gosta do rapaz do Oeste, que está na sua esquerda. Se tocar o braço direito, é que gosta do rapaz do Leste, que está na sua direita.
                Depois de algum tempo, a moça voltou, mas ainda não tinha tomado decisão. De repente, ela tocou em sue braço esquerdo. Queria então se casar com o moço do Oeste. Porém, em seguida, tocou também em seu braço direito.
                – O quê? Você pretende se casar com os dois? – perguntou o pai, surpreso.
                – Não – ela respondeu, falando pela primeira vez, com uma voz sussurrante. – Eu quero comer na casa do moço do Leste e dormir na casa do mosto do Oeste.
                Seus pais disseram:
                – Não é possível ter sempre tudo o que se quer. Às vezes é preciso fazer opções!
                A moça pediu mais algum tempo para pensar.

   Esperando um coelho – Han Feizi
   (Coordenação escolar: exige ação)

                No reino de Song existia um camponês que tinha uma árvore dentro de sua propriedade.
                Ele não gostava de arar a terra e mantinha a esperança de que caísse do céu alguma coisa boa. Um dia, enquanto estava lavando, viu que um coelho vinha correndo afoito e, não conseguindo parar, bateu no tronco da árvore, quebrou o pescoço e morreu.
                O camponês ficou feliz da vida, pois não precisou fazer nenhum esforço para conseguir um coelho para comer. Decidiu então não trabalhar mais, ficando embaixo da árvore à espera que outro coelho fizesse a mesma coisa.
                Passaram-se muitos dias e nada de um coelho afoito correr na direção da árvore. As pessoas começaram a rir dele, dizendo que era um folgado, nessa espera por um coelho.
                Uma boa oportunidade deve ser aproveitada, mas não fique de braços cruzados esperando pela sorte.

 A direção errada – Liu Xiang
 (Coordenação escolar: exige planejamento)

                O rei de Wei preparava um ataque à Handan. Ji Lian sabendo disso, sem trocar de roupa e sem mesmo pentear os cabelos, foi à procura do rei para uma audiência. Chegando ao palácio, disse ao rei:
                - Alteza, hoje, quando vinha para a sua audiência, vi um homem indo para o norte. Eu quis saber para onde ele ia. Ele respondeu que ia para o reino de Chu. Eu achei estranho e indaguei: “Se deseja ir para o reino de Chu, por que segue para o norte?” Ele me respondeu: “Porque tenho bons cavalos”. Ponderei: “Mesmo com bons cavalos, esse não é o caminho que leva ao reino de Chu”. E o homem respondeu: “Eu tenho muitos cavalos”. Eu retruquei: “Mesmo tendo muitos cavalos, esse não é o caminho que leva ao reino de Chu”. O homem respondeu: “Eu tenho bastante ouro para as despesas da viagem”. Eu repliquei: “Mesmo com muito dinheiro, esse não é o caminho que leva para o reino de Chu”. O homem respondeu: “Eu tenho ótimos cavaleiros, capazes de conduzir cavalos até o reino de Chu”. Eu falei: “Por mais que você tenha muitos e bons cavalos, com ótimos cavaleiros, jamais chegará ao reino de Chu seguindo na direção errada”. Agora as ações do rei estão todas concentradas no domínio e na conquista. Mas se Vossa Alteza ficar dependendo apenas da grande extensão do seu reino e da força de suas tropas para atacar Handan, com a finalidade de ampliar as fronteiras e ser mais famoso, vai conseguir um resultado oposto ao desejado e se afastará cada vez mais de seus objetivos. É como ir ao reino de Chu para direção errada.

 O amor pelos dragões – Shen Buhai
  (Coordenação escolar: possui atribuições singulares)

               Zigao, o Senhos de Ye, gostava tanto de gradões que havia mandado esculpir e pintar vários deles na sua casa e nas louças e só vestia roupas que tinham dragões bordados.
                O dragão do céu, sabendo disso, desceu à Terra, entrou com a cabeça pela porta da casa e enfiou a cauda na janela. Ao perceber o que estava acontecendo, o Senhor Ye fugiu, morrendo de medo.
                Isso mostra que o Senhor de Ye não gostava verdadeiramente de dragões. Ele gostava daquilo que parecia ser um dragão, mas não dos dragões de verdade.

  Amolando uma barra de ferro – Chen Renxi
  (Coordenação escolar:  exige preparo, conhecimento)

                Quando era pequeno, o grande poeta Li Bai não gostava de estudar. Um dia encontrou uma senhora idosa na calçada, amolando uma barra de ferro. Ele ficou curioso e perguntou o que ela pretendia fazer.
                - Pretendo amolar essa barra de ferro até que ela vire uma agulha bem fina, para que eu possa costurar um vestido – respondeu ela.
                Após isso, Li Bai compreendeu o que ela estava querendo dizer e, mais tarde, tornou-se um grande poeta.

Fonte: 50 fábulas da China Fabulosa (Organização e tradução: Sérgio Capparelli  e Márcia Schmaltz)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A trama da rede





  A TRAMA DA REDE
                                                                           Carlos Rodrigues Brandão

Essa é a trama da rede:
o tecido das trocas que fabricam
o pano de uma rede de dormir
enreda o corpo do homem na tarefa
de criar na máquina a rede com a mão.

A armadilha do trabalho em casa alheia
engole o homem e enovela todo o corpo
no fio no fuso na roda na teia
do maquinário da manufatura
que produz o seu produto: a rede
e reduz o corpo-operário à produção.
[...]


O corpo-bailarino que transforma
a coisa bruta em objeto
(a fibra em fio e o fio em pano)
e o objeto na mercadoria
(o pano pronto na rede e sua valia)
transforma o corpo do homem operário
em outro puro objeto de trabalho
pronta a fazer e refazer no fuso
aquilo de que a fábrica faz sua riqueza
de que, quem faz não se apropria.
[...]


Sob a trama do trabalho em tear alheio
o corpo não possui seu próprio tempo
e é inútil que lhe bata um coração.

O relógio interior do operário
é o que existe na oficina, fora dele,
de onde controla o tear e o tecelão.

De longe o dono zela por quem faz:
pela força do homem que trabalha,
não pela vida do trabalhador.
Aqui não há lugar para o repouso
ainda que o produto do trabalho
seja uma rede de pano, de dormir
e que comprada serve ao sono e ao amor.


Durante a flor da vida inteira
fazendo a mesma coisa e refazendo
uma operação simples de memória
o operário condena o próprio corpo
a ser tão automático e eficaz
que domine o gesto que o destrói.
A reprodução contínua, diária, igual
de um mesmo gesto repetido e limitado
todos os dias, sobre os mesmos passos,
ensina ao artesão regras de maestria
do trabalho que afinal então domina
através de saber sua ciência
com a sabedoria do corpo massacrado.
[...]


Quem fia e enfia?
Quem carda e corta?
Quem tece e trança?
Quem toca e torce?
A moça o menino.
A velha o homem.
Eles são, artistas,
parte do trabalho coletivo
que faz a trama da rede
e a rede pronta:
o objeto bonito do descanso
que inventa a necessidade
da servidão do trabalho
do corpo produtivo.


A dança ritmada desse corpo
de bailarino-operário de um ofício
de que o produto feito não é seu,
cria o servo de quem lhe paga aos sábados
Para o que sobra da vida de trabalho
do corpo de quem fez e não viveu.
O trabalho-pago, alheio e sempre o mesmo
obrigando o operário bailarino
à rotina de fazer sem possuir
torna-o, artista, servo do ardil
de entretecer panos e redes sem criar
e recriar-se servo sem saber.
[...]



Não conhece descanso o corpo na oficina.
Ele é parte das máquinas que move
e que movidas não sabem mais parar.
Os pés descalços prolongam pedais
os braços são como alavancas
e as mão estendem pontas de um fio
que existe no fuso e no tear.


O trabalho do corpo é o objeto
que o homem vende ao dono todo o dia.
O corpo-livre pertence ao maquinário
que o homem converte no operário
de que reira o preço do sustento:
a comida a cama a casa o agasalho
o que mantém vivo o corpo e o seu trabalho.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Não contam fábulas? Como assim?


O parto da Montanha
Há muitos e muitos anos uma montanha começou a fazer um barulhão. As pessoas acharam que era porque ela ia ter um filho. Veio gente de longe e de perto, e se formou uma grande multidão querendo ver o que ia nascer da montanha.
Bobos e sabidos, todos tinham seus palpites. Os dias foram passando, as semanas foram passando e no fim os meses foram passando, e o barulho da montanha aumentava cada vez mais.
Os palpites das pessoas foram ficando cada vez mais malucos. Alguns diziam que o mundo ia acabar.
Um belo dia o barulho ficou fortíssimo, a montanha tremeu toda e depois rachou num rugido de arrepiar os cabelos. As pessoas nem respiravam de medo. De repente, do meio do pó e do barulho, apareceu ... um rato.
                                                                 (Fábulas de Esopo- Companhia das Letrinhas, 1994)

Lero-lero: A informação de que as fábulas foram criadas para moralizar os ouvintes  tem retirado esse gênero do repertório de rodas de Literatura. Percebe-se isso na fala de muitas professoras. 
Realmente, por muito tempo os impressos do gênero  vieram seguidos de uma moral (também impressa) padronizadora, contudo, as obras atuais não trazem nenhum recadinho universal  ao leitor. Portanto, utilizar  fábulas pode ser uma boa estratégia para fazer pensar... 
Além disso, crianças adoram animais que falam, cadeiras que desafiam mesas, e montanha berrando, então? 
Bjs,


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Contando e ouvindo, de volta da Serra gaúcha!

Acabo de voltar da Serra, "ufa, que trânsito horrível, dificultado por uma serração ofuscante".  Estive trabalhando com professores de escolas estaduais: no colégio Imigrante, em Caxias, e no São Rafael, em Flores da Cunha. Lugares lindos! 
O frio teve que ser espantado com muito chá e café. Aliás, cada intervalo foi um banquete, e o grostoli marcou os hábitos da comunidade serrana à mesa. 
Fiquei feliz em rever amigas, as professoras Silvia e Eni estavam na sala em que realizei a oficina de Letramento em Caxias. Eta, mundo redondo! Tricotamos... puxamos fiozinhos... projetamos...
Em Flores aprendi, entre outras coisas, a história do símbolo do município: o galo.
Segue, como me contaram...

                                      Por que o galo é símbolo do município de Flores da Cunha?

                                                                                                        (Maria Cristina Schefer)
                                                          (imagem do blog: Per Bacco)

          Há muito tempo a cidade recebeu um mágico. O artista reuniu no salão paroquial quase toda a comunidade para o que seria uma apresentação magnífica. Foi com um megafone que ele chamou o povo prometendo cortar a cabeça de um galo (ao vivo) e que depois de recolocá-la  faria o bicho voltar a cantar. Houve briga por ingressos, que foram  pagos  ao artista antes do espetáculo iniciar. 
        No dia do evento, feitas meia dúzia de apresentações singulares, percebendo a impaciência do povo para que o grande momento do galo ocorresse, o forasteiro solicitou que duas pessoas do público subissem ao palco  e segurassem o  galo. Mais do que de pressa, o prefeito e o intendente do município se prontificaram. 
            Aos olhos de todos, o galo (créc) perdeu o pescoço!  
           O prefeito foi incumbido de segurar a cabeça do bicho e o intendente o corpo até que o mágico  fosse buscar (atrás da cortina) o seu pozinho reparador / cantor. Depois de passados alguns bons minutos, o prefeito, o intendente e o povo começaram a estranhar a demora do artista... foi quando se deram conta que ele tinha (zás) desaparecido...
             Por muitos dias o pobre foi procurado, em vão, raspou pé!
        Admitido o calote, o povo de Flores virou alvo de deboche regional e o fato custou a ser esquecido! (?) 
             Ainda hoje, quando alguém é logrado na cidade dizem que foi vítima do galo!
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Lero-lero: A cidade sofreu um logro coletivo, entretanto, foi presenteada com um artefato cultural muito inspirador. Aliás, diante do eco da história desse galo, que tem até monumento, parece falta de   pensamento mágico dizer que o galo não voltou a cantar...  eu juro que ouvi um có, có, có, quando cruzei o pórtico da cidade... se bem que era cedo! Muito cedo!
Adorei! Beijos especiais para as professoras de Mato Perso! Irei (sim)  à festa de Santa Juliana!
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Semana que vem vou para Bento, disseram-me que lá tem uma história de um anãozinho de jardim que já rendeu muita briga... vou ouvi-la da fonte: o povo, depois conto aqui...
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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Canção do ver ( Manuel de Barros)


 Canção do ver  (1)

Por viver muitos anos dentro do mato
moda ave
O menino pegou um olhar de pássaro -
Contraiu visão fontana.
Por forma que ele enxergava as coisas
por igual
como os pássaros enxergam.
As coisas todas inominadas.
Água não era ainda a palavra água.
Pedra não era ainda a palavra pedra.
E tal.
As palavras eram livres de gramáticas e
podiam ficar em qualquer posição.
Por forma que o menino podia inaugurar.
Podia dar às pedras costumes de flor.
Podia dar ao canto formato de sol.
E, se quisesse caber em uma abelha, era
só abrir a palavra abelha e entrar dentro dela.
Como se fosse infância da língua.

Manoel de Barros, em “Poemas Rupestres” (2004)

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Renovando a biblioteca das crianças? Que tal as dicas da Crescer?

Lero-lero: A Crescer publicou recentemente uma lista com os 30 melhores títulos de 2012. Diante desses,   percebe-se que a literatura renovada está com tudo, e "assumida". Já que, de saída os autores anunciam a intertextualidade no nome das obras. Fiquei com vontade de "apertar ali", saber quando o lobo voltou, rever o João Esperto, a Branca de Neve, descobrir "Para que que serve o livro?" e principalmente: "Ops", encontrar "O alfabeto perigoso"!
Ficam as dicas, bjs!


  


Lero-lero 2: Recupero aqui outra postagem  com dicas de obras para o trabalho com crianças da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Algumas pessoas tentaram localizar no blogue e não encontraram, então, vai lá!

Uma biblioteca: para começarmos a falar sobre a Educação Infantil


segunda-feira, 4 de junho de 2012

Resenha de Epistemologias do Sul - M. C. Schefer

Bom, fui agraciada nesse final de semana com duas boas notícias, a primeira é que minha filha (22), Andressa Schneider e seu colega  Samuel Lamel (da Unipampa) venceram o Intercom, fase da região sul do Brasil (RS, Stª Catarina e Paraná), eles criaram uma revista de cultura regional- versão impressa e digital: Cooltura (disponível na rede). A  Andressa (que cursou jornalismo) foi responsável pela parte noticiosa e o colega pelas questões gráficas. Parceria entre dois estudantes que "olharam" diferentemente para um mesmo objeto e  reuniram ideias interessantes... (clap, clap)
A outra boa notícia é que foi publicada na Revista de Educação da Unisinos- RS, a resenha da obra Epistemologias do Sul, a qual escrevi num longo processo de aprendizado sobre o conteúdo, sobre a forma, sobre o modo! Uma responsabilidade enorme escrever algo sobre uma obra tão importante socialmente e escrita por gentes tão boas! Acesse a revista:
Ontem, organizando uma aula achei umas palavrinhas interessantes, de um escritor mais interessante ainda, sem aspas, socializo-as:
"A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda." 
                                           (Luis Fernando Veríssimo)