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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Expulsa da Educação Infantil!(?)

Bom dia, 
Retomo hoje minhas escritas por aqui. Fiz um período razoável de "desintoxicação digital". Além disso,  nas férias da criançada (filhos) o computador aqui em casa vira brinquedo!
Aos poucos estou recuperando a posse do teclado e o rumo das ideias, pois, como bem disse Fabrício Carpinejar, "todos morremos um pouco na madrugada do dia 27/01/2013". 
__________________________________________________
Estou lecionando em Cidreira/UERGS (disciplina de verão): Supervisão e Orientação Escolar. Iniciei as aulas com a crônica abaixo.


                Expulsa da Educação Infantil!(?)
Maria Cristina Schefer
             − Expulse-a! Ela precisa ficar bem longe da sala de aula!
Essa foi uma das intervenções que lembro ter feito (enquanto supervisora educacional) diante de uma situação de excesso de sensualidade que uma criança   apresentava em sala de aula.
O problema: uma menininha (de 4 anos) estava vindo para a escola de unhas pintadas, blush, batonzinho, sem uniforme, de saltinhos e com roupinhas insinuantes. “As outras meninas têm ela como referência, os meninos disputam a tapas a cadeirinha ao seu lado, os namoricos estão instalados na turma, e algumas mães já reclamaram”, relatou-me a professora.
A expulsão não foi uma atitude de impulso. Antes, fui até a sala de aula observar a turma. E, realmente, a menina era o centro das atenções! Estava ditando moda! Percebi nos modelinhos (das demais) a tentativa de copiar a “ídolo da Pré-escola”! Admito que fiquei surpresa, nunca imaginei que as crianças da vila/escola tivessem condições para tanto requifife,  e nem que o mercado oferecia tantas opções de tamanquinhos. Senti-memeiovisora”! (não mais SUPER)
De outro modo, e relevante ao caso, verifiquei que, nas paredes, uma gravura também se destacava entre as produções infantis. Era de uma boneca loira! Corpo esbelto! Olhos azuis! Lábios carnudos! Batom rosa! Sombra verde! Trajava um vestido volumoso! Furta cor! Cintilante! Uma Barbie, das legítimas! Depois de uma análise mais detalhada, posso até dizer que a dita esbanjava um “olhar 43, aquele assim, meio de lado [...] Louco por você!”.
Binguinho! Eurekinha!
Senti-me SUPRAvisora!
A solução:
Na conversa de devolutiva, da observação feita na turma, sugeri à professora que a gravura fosse expulsa/retirada do cenário da Educação Infantil. (!) Argumentei da incoerência entre desejar um ambiente com atitudes infantis saudáveis e “enfeitá-lo” com um  ícone  da “purpurinagem”! Da erotização precoce! Do reboladinho!
A princípio, a colega concordou com o teor do retorno pedagógico, mas, percebi que seu rímel escorreu, borrando-lhe (inclusive) o rosto até a altura do blush. Culpei-me, por aquele mal estar docente, talvez a gravura tivesse custado caro, e eu ido direto demais ao ponto (sei lá!), exagerado nas exclamações. Senti-me “minivisora”!
Apesar de aquela divergência de opinião ter “estremecido” certezas, dado “curvas” às exclamações (???), vi, no mesmo dia da orientação, depois da saída das crianças,  a gravura sendo retirada...
Ave! Senti-me “inflavisora”!
Se bem que houve certa lentidão no ato, e posso até dizer que percebi nela (na colega) um “olhar 43, aquele assim, meio de lado, já saindo, indo embora, louco por você!”. Enfim, foi uma sessão nostalgia (frente à gravura) que somente terminou quando um rapaz loiríssimo, num carro conversível, chegou à escola.  Veio buscar a professora!(?)
Quem seria? Ken?
Senti-me “FUXIvisora”! 

Lero-lero:  Na sequência (do uso das "palavrinhas mágicas" para o ensino)  trabalharemos 7 fábulas chinesas que tratam tanto das qualidades quanto das dificuldades da função de supervisionar e orientar professores/estudantes.  Os textos foram selecionados do livro: 50 fábulas da China Fabulosa, org./ trad.: Sérgio Capparelli e Márcia Schmaltz. Muito bom! 

Compartilho a entrevista abaixo, capturada na Rede. Bem interessante!  Abraços!


domingo, 21 de outubro de 2012

Mais uma semana intensa!

Nesse final de semana, trabalhei em Bento. Gostei muito das discussões, das divergências e convergências de opiniões, das socializações e das relações que foram estabelecidas pelo grupo. Voltei com o meu "coisário" docente revigorado. Assistimos ao filme: "O preço do amanhã" e fizemos uma discussão sobre a "trama". Refletimos sobre a exclusão social (materializável) e o preconceito (moral). Não apenas da exclusão escancarada mas, principalmente, da sinuosa que age nas entrelinhas  nos mais diversos processos  sociais. Conversamos sobre as grandes fortunas acumuladas e brincamos sobre a posição de nossos nomes na lista dos afortunados, "piadamos"! Refletimos sobre a dificuldade para que  as gentes "sem pedigrees" (de várias ordens) encontrem uma cama fofa e segura. Ponderamos sobre a influência da mídia  na difusão e manutenção das relações capitalistas. Nesse aspecto, vale ressaltar o resultado da pesquisa do Pnad (2011),  que revelou, que o aparelho de TV está em 96,9% das casas dos brasileiros... Desse modo, a programação televisa  tem sido a "voz para o povo" do Brasil.
Segue a tabela:

PRESENÇA DE BENS NO TOTAL DE DOMICÍLIOS
Bem20092011
Fogão98,4%98,6%
Filtro de água51,3%53,2%
Geladeira93,3%95,8%
Freezer15,3%16,4%
Máquina de lavar roupas44,3%51%
Rádio87,8%83,4%
Televisão95,6%96,9%
DVD71,9%75,5%
Carro37,4%40,9%
Motocicleta16,2%19,1%

Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/09/numero-de-casas-com-tv-supera-o-das-que-tem-

Relações afetivas com preço, com lucros, pautadas no interesse, na falta de ética com o humano e com as comunidades de fala, também permearam o encontro. Uma aluna, depois do debate de um texto jornalístico sobre direitos para todos, sugeriu que ouvíssemos a música do Cidadão Quem:  Dia especial. Achei na rede e fica como registro... Linda! entrou na minha listinha furta-cor!

Bj!




sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Para professores que dançam, brincam, cantam, ENSINAM!



"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música".      (Friedrich Nietzsche)


lero-lero: 


Este é  um feriadão que inclui o dia das crianças (todas?) e o dia dos professores           (daqueles que praticam a docência). Uma coincidência que coloca os dois  escolares juntos na folhinha (feito café com leite).  Para ser professor não bata gostar de crianças, entretanto, professor que não aglutina  com crianças (feito água com azeite)  não ensina. 

Beijos, feliz dia do criançólogo, do PROFESSOR!

  







sexta-feira, 8 de junho de 2012

Renovando a biblioteca das crianças? Que tal as dicas da Crescer?

Lero-lero: A Crescer publicou recentemente uma lista com os 30 melhores títulos de 2012. Diante desses,   percebe-se que a literatura renovada está com tudo, e "assumida". Já que, de saída os autores anunciam a intertextualidade no nome das obras. Fiquei com vontade de "apertar ali", saber quando o lobo voltou, rever o João Esperto, a Branca de Neve, descobrir "Para que que serve o livro?" e principalmente: "Ops", encontrar "O alfabeto perigoso"!
Ficam as dicas, bjs!


  


Lero-lero 2: Recupero aqui outra postagem  com dicas de obras para o trabalho com crianças da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Algumas pessoas tentaram localizar no blogue e não encontraram, então, vai lá!

Uma biblioteca: para começarmos a falar sobre a Educação Infantil


sexta-feira, 20 de abril de 2012

A Carta da Terra - 1

Lero- lero: O meu tempo anda escasso, quero qualificar até outubro! Desse modo, o blog foi para o final das "inúmeras" prioridades... Contudo, quando recebo alguma pérola "corro aqui" e posto! Esse vídeo minha amiga Tânia Oliveira compartilhou hoje comigo! Beijos Marias!@

terça-feira, 10 de abril de 2012

Canção de ninar indígena: um som encantador!

As canções de ninar são o primeiro contato dos homens com a literatura. Um modo ímpar de aproximação do conhecimento. Quem são os indígenas? O que produzem além daquilo que habituamos a ouvir "papagaiadamente" sobre eles? Sem dúvida, um bom projeto para o mês de abril.
 
 Bom projeto, bons estudos! Bjos, MD.

terça-feira, 27 de março de 2012

Em Panambi... "tradução cultural", adorei!

Lero-lero: Em virtude da formatura de minha filha (na última sexta-feira) em São Borja, dei uma paradinha em Panambi (OBÁ!). Lá descobri uma pérola: Michel Teló no mais "puro" Riograndenser Hunsrückisch. Eu, que não gosto do contemporâneo ritmo "sertanejo universitário", preciso admitir que na versão que segue a música mais pop do momento me "pegou". Mexeu com minha memória afetiva... Graças ao cunhado, voltei de lá com a danada na cabeça... As crianças adoraram!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Voltando de Estância! Contando!

Hoje, lecionei em Estância Velha. Aliás, contei histórias. O tradicional conto da Chapeuzinho Vermelho, em várias versões e  estratégias, foi esmiuçado: a partir dos estudos da psicanálise e de mecanismos de tradução cultural (adaptação do contos em cada cultura). Tudo em meio à defesa argumentativa pela recuperação da prática da oralidade narrativa por parte do professor (de classe). Enfim, pela defesa das professoras Sherazade, e das rodas literárias na rotina diária (da  educação infantil até o final do Ensino Fundamental). Conversamos muito sobre a "tendência das horas do conto" nas escolas, que retiram (muitas vezes) do professor a possibilidade de fala recreativa, que é de suma importância para a criação de vínculos. Quando o professor abre mão da fala narrativa, abre mão de um grande momento de mediação pedagógica. Falamos também da importância do perfil lúdico e comunicativo  para o "bibliotecário" escolar. Também trabalhamos com parlendas (aqueles pequenos versos com rimas), trava-línguas (aqueles versinhos que exigem que algumas sílabas sejam repetidas constantemente) e do potencial didático que esses textos possuem para o trabalho com  memorização desde a Educação Infantil, bem como, de estratégias para memorizar na infância: caixa de objetos relativos às parlendas, movimentos, sons, etc.
Seguem alguns dos textos trabalhados! Beijos e boa semana, 5 histórias e uma parlenda...
QUANDO OS TAM-TANS FAZEM TUM-TUM                                           

Lalá, Lelé e Lili e suas filhas,
Lalalá, Lelelé e Lilili e suas netas
Lalelá, Lelalé e LeLali e suas bisnetas
Lilelá, Lalilé e Lelali e suas tataranetas
Laleli, Lilalé e Lelilá cantavam em coro
LÁLÁLÁLÉLÉLÉLILILI.


Se cada um vai a casa de cada um
é porque cada um quer que cada um lá vá.
Porque se cada um não fosse a casa de cada um
é porque cada um não queria que cada um fosse lá.









sábado, 7 de janeiro de 2012

Locais de consumo: as grandes "cavernas da atualidade":

José Saramago reflete na obra, A caverna(2000), sobre as cavernas contemporâneas. Os grandes centros de compras são, de acordo com ele, os espaços "acorrentadores" da população atual, que está alienada pelo consumismo, e viciada em "atos de compra". Sobre a selvageria do consumo, o vídeo abaixo é bem oportuno. Inspiração para projetos de estudos nas escolas (que atende aos PCNs). Abraços e boa semana!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Projeto: Consciência Negra

Justificativa: Somos uma nação "afrodescendente", entretanto, ainda engatinhamos no quesito do reconhecimento dessa gênese. Assim, carecemos de práticas efetivas em sala de aula que promovam reflexões e comportamentos em defesa da humanidade global.
  
                                         "A escola legitima discursos: que sejam em prol da empatia". (SCHEFER)

Objetivos: Possibilitar debates e ações educativas que estremeçam quaisquer ideias de superioridade racial e  ao mesmo tempo  resultem  na valorização da raça negra enquanto determinante para a sociedade Verde e Amarela.

Etapas prováveis: 
                Conversas informais com: historiador ou voluntário ( membro de movimentos) sobre a formação do Brasil e a tríade: índios- brancos- negros.
                       Conhecer e refletir sobre a história de Zumbi dos Palmares. 
                       Oficinas de capoeira.
                      Compreensão do objetivo da criação da data comemorativa (20 nov.) da consciência negra.
                     Conversas informais: explanação das cotas para afrodescendentes nos mais diversos setores nacionais: acesso à Educação Superior, cargos públicos, etc.
                     Estudos sobre a influência da cultura africana nos costumes nacionais.
                Confecção de mural das personalidades negras que dignificam a raça nos mais diversos campos: Esporte, Mídia, Artes, Política...
                       Sarau de histórias com personagens negros (reflexões sobre os papéis).
                       
Conclusão: Mostra pedagógica  para a socialização dos conhecimentos na comunidade.

Obs: Seguem duas obras que podem ajudar, fora as tradicionais: Menina bonita... O menino marrom... Negrinho do Pastoreio... A bonequinha... ( ?????????????)


Lero-lero: Cliquem no título e caiam na Wikipédia, lá constam informações sobres as cotas  disponíveis para os negros em vários links.
O site que segue capturei na rede e pode contribuir, afinal: "quem não gosta de samba bom sujeito não é ou é ruim da cabeça ou doente do pé... (Dorival Caymmi)
http://www.ciranda.net/brasil/ciranda-afro/article/africa-berco-do-samba-i
Ah, a tecitura desse projeto de estudos iniciou lá (na escola da Esperança) por iniciativa das professoras "clap,clap".

Beijos! Boas aulas!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Para crianças que não gostam de ler...

Como já falei por aqui estamos desenvolvendo na escola um projeto coletivo sobre animais. Entre as socializações legais que ocorreram nos últimos dias destaco o vídeo abaixo. O material foi compartilhado na hora semanal do conto pela professora Isabel do 1º ano.
 Muito legal! Um desafio "animal" para a garotada que não gosta de ler... Espero que gostem, beijos!

sábado, 15 de outubro de 2011

Hoje é dia de "Marias", hoje é dia de "Joões"!

Lero-lero: A todos os docentes que contam histórias para crianças, adolescentes e adultos nos mais diversos espaços escolares, felicidades! Mantenham-se apaixonados pela profissão, segue um texto, de Gabriel Perissé, muito legal! Boa leitura! (grifos meus)

Professores apaixonados

Professores e professoras apaixonados acordam cedo e dormem tarde, movidos pela ideia fixa que podem mover o mundo. Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.

As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos. Não há pretexto que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato. Apaixonar-se sai caro!

Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria. Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.

Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.

Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, dos desrespietos, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.

Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro. Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.

Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração. Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e nada mais.

Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar os esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.

Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar. A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Início da primavera, quando?


Lero-lero: De acordo com o calendário, no dia 23 é o início da primavera, de acordo com os cientistas isso ocorre entre os dias 21 e 23. Oque não faz muita diferença, afinal, para quem não compactua com a "pedagogia do evento", mencionar a primavera em sala de aula é coisa que se faz na rodinha de conversa, num passeio a um canteiro de flores... fora isso, não há necessidade.
Já o vídeo acima, sim, permite uma grande reflexão sobre as flores, flores pálidas... sem aromas... resultantes de uma prática pálida...
Adorei, foi sugestão da ex-colega e sempre amiga do coração: Roberta- Poa.
Beijos e encham as soleiras das janelas de violetas!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Definindo a metodologia de pesquisa: pensando sobre o momento... estomatite!

Essa semana foi intensa, quase "despirei"!
Fui salva por um texto de Sandra Corazza que meu orientador: Prof. Luis Henrique Sommer, mediou na turma: Manual infame...mas útil, para escrever uma boa proposta de tese ou dissertação (2006), mais especificamente com o trecho que segue,III Receita de uma tese foucaultiana:
"Misture em sua cabeça (a mistura deve ficar bem seca):
[...]1 colher de chá de sal-da-vida (Mas só o sal, quanto a vida, propriamente dita,esqueça! Enquanto estiver fazendo essa receita, você não viverá, a não ser uma vez por semana - e olhe lá, já é lucro! Só que, aí,já estará tão cansado, que logo, logo se embriagará, mesmo que não esteja tomando um '30 anos'. A comida lhe dará azia, gastrite, até úlcera.[...]E a maior de todas as desgraças é que você ficará, nesta única vez por semana, com uma vontade, com uma vontade imensa, inegociável, quase incontrolável, de regressar aos livros, às notas manuscritas, ao teclado, a seu texto, em suma)." (p.366-367)
Bom saber que não estamos sozinhas, que as dúvidas fazem parte do processo de formulação das hipóteses de pesquisa... 
Enfim, somos de carne e osso! 
(...)
Como comentei, no sábado passado, estivemos pesquisando sobre etnografia e encontramos (trabalho em grupo) um documentário muito interessante dirigido por Thomas Balmes e intitulado: Babies. O filme produzido em 2010 (quentinho) mostra o desenvolvimento de quatro bebês nos 12 primeiros meses de vida. Cenários e culturas distintas. Relações maternais diferentes. Ótimo para um debate sobre o nosso olhar preconceituoso para aquilo que não nos é comum... Para aquilo que chamamos de rude, primitivo, anti-higiênico, marginal... Etc! 
Amei, os bebês são algo! A realidade intrigante! Utilizei (também) na reunião pedagógica da escola. 
Segue um aperitivo:

Lero-lero: Bom final de semana, boas ideias didáticas para a próxima semana, esqueçam um pouco essa tal de realidade do aluno na hora de planejar... Muitas vezes ela tem servido para excluir, para o oferecer o menos...
Beijos!MD

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Mais uma "metáfora" pedagógica...


                “Quero aprender a nadar”.
                “O que quer fazer para conseguir isso?”
                “Nada. Só quero levar comigo uma tonelada de repolho.”
                “Que repolho?”
                “A comida que vou precisar no outro lado, ou seja lá onde for.”
                “Mas há outras coisas para comer no outro lado.”
                “Não sei o que quer dizer. Não tenho certeza. Tenho que levar meu repolho.”
                “Mas assim não vai poder nadar. Uma tonelada de repolho é uma carga muito pesada.”
                “Então não posso aprender. Para você, meu repolho é uma carga. Para mim, é um alimento essencial.”
                “Suponhamos que – como numa alegoria – os repolhos representem ideias adquiridas, pressupostos ou certezas.”
                “Hum... Vou levar meus repolhos para onde haja alguém que entenda minhas necessidades.”

Fonte: MATURANA, Humberto R.; VARELA, Francisco J. A árvore do conhecimento. São Paulo: Palas Athena, 2005: p.271-272.

domingo, 28 de agosto de 2011

Para não dizer que não falei de Matemática... 1,2 feijão com arroz!

(A pedidos...)
Resquícios da "velha escola" e do cartesiano modo de ensinar, algumas práticas "petrificadas" continuam nas salas de aula, e a Matemática (apesar de situar os viventes no tempo) não conseguiu escapar das "ronhas" do copismo, da decoreba, do encher linhas. Como se a construção numérica pudesse ser aprendida  na repetição de traçados (muitas vezes seguindo os pontilhados).
A ideia de que as quantidades devem ser ensinadas gradativamente e que antes de um número ter sido exaustivamente "trabalhado" ele não pode entrar na sala de aula também continua presente em muitas escolas. 
Com essa postura frente ao sistema numérico o professor ignora em sua didática toda a "bagagem" Matemática que as crianças adquiriram até chegar à escola. Ignora a possibilidade de cálculos mentais, de relações significativas com o dia a dia, de problematizações.
Existe muita literatura em prol de uma Educação Matemática menos "cartográfica" e mais significativa e ao longo dessa postagem deixarei algumas indicações.
Entretanto, cabe lembrar que os gratuitos e acessíveis Referenciais Curriculares para a Educação Infantil (Volume III) orientam eficientemente sobre o trabalho com conceitos pré- numéricos e para a construção do número.
A produção de material pedagógico para ensinar Matemática deve ser encarada como um recurso facilitador na aprendizagem e não pode ficar restrita aos cartazes estáticos de numerais do 1 ao 9 com as devidas quantificações (também estáticas) que são fixadas no alto do quadro negro. Conforme Constance Kamii (1984) na obra, A criança e o número, oque garante que uma criança aprendeu a quantificar é a capacidade que desenvolve de solucionar situações problemas.
As antigas normalistas (quem foi lembra) tiveram como tarefa construir uma caixa de cálculos (obviamente diante da informação de que o concreto é pré-requisito para o abstrato- "lá,lá, lá"). Apesar desse paradigma ter ido ao léu, diante de novas pesquisas, o fato é que o material numérico desapareceu de muitas salas de aula (snif) e com ele as possibilidades de experiências numéricas lúdicas e prazerosas.
Na obra Ensinar matemática na Educação Infantil e nas Séries Iniciais (2006), Mabel Panizza recupera parte da História do ensino de Matemática e traz belas sugestões para o trabalho com a cartela numérica. Segue um "resumo" e algumas atividades que desenvolvemos na escola:
O nosso sistema numérico é de base 10. Desse modo, a partir do zero e de formações numéricas com zero é que se desenvolve. O trabalho com a cartela numérica (ou o uso do quadro decimal em sala é de suma importância). Apresentar a sequencia que forma a centena e trabalhar diariamente com os numerais ampliará (desde cedo) a gama de informações numéricas para as crianças. 
O

1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19

20
21

22
23
24
25
26
27
28
29
 30

31
32
33
34
35
36
37
38
39
40

41
42
43
44
45
46
47
48
49
50

51
52
53
54
55
56
57
58
59
60

61
62
63
64
65
66
67
68
69
70

71
72
73
74
75
76
77
78
79
80

81
82
83
84
85
86
87
88
89
90

91
92
93
94
95
96
97
98
99
      100


O professor deve respeitar (nas problematizações) o nível de aprendizagem de cada turma. Exemplo: as crianças identificam e dominam até 30 – essa é a série numérica que pode ser lida “diariamente”, trabalhada e explorada. Deixando à vista uma dezena a mais do que já aprenderam.  O bom da tabela mais extensa do que a quantia já aprendida é que introduz a noção de continuidade. De infinito... (conceitos numéricos)
Dica MD: É importante fixar a tabela em local que permita às crianças a aproximação (também é possível reproduzi-la em tamanho A 4  e depois plastificar) para manuseio em duplas ou individual. Fizemos isso na escola e foi ótimo!
Exemplos de problemas:
Com material de contagem: canudinhos coloridos, botões.
Professor entrega fichas com números e pede às crianças que deem a quantia de canudos ao colega. Mesmo a criança não identificando, por exemplo, o nº 15, diante da tabela ela pode ir colocando botões até chegar ao quinze e então saberá qual a quantia que deve entregar.
Crianças comparam suas fichas e respondem as perguntas: Qual ficha representa maior quantidade? Qual  é a diferença?
Qual a família decimal do  9, do 11, do 21?
Quantos numerais há entre 9 e 14? Etc.
Adivinhas: é maior que 5 é menor que 7?
Exercícios para completar a cartela com os numerais que faltam.
Cobrir um numeral e questionar as crianças sobre sua ausência na cartela.
Dica MD 2:
Jogos com baralho:
Separe as cartas do baralho do Az ao 10:
Desenvolvimento:
 Faça um monte e cartas viradas.
E as crianças alternativamente viram as cartas e vão contando alternativamente: 1, 2, 3, 4, 5, 6. Quando a carta contada aparece a criança que “cantou” fica com o monte. Depois recomeçam partindo do 1. Pode ser acrescentado no monte um coringa e também podem fazer contagens regressivas.
Jogo de memória: Utilizando dois desses grupos de cartas.
Vira cartas:a-  As crianças vão virando alternativamente as fichas, quem levantar a carta maior carta recolhe a dupla.
b-   Par ou ímpar: uma criança só poderá recolher cartas pares e a outra, ímpares. Assim, alternativamente, vão virando as cartas e fazendo os seus montes.

 Investigação numérica:
                     Quais os números de nossa vida?

Eu: 

 Minha idade:_________
Dia de meu nascimento:_________
Número da certidão de nascimento:_________
Peso:________
Altura:________
Número do calçado:________
Minha casa: 
 
Número da casa:______________
Número das casas de seus vizinho:___________
Número do telefone:____________
Número da escola:_________________
Número do telefone da escola:_________________
Número do telefone do Conselho Tutelar:___________
Número do SAMU:______________
Número do Corpo de Bombeiros:_____________
Número da Brigada Militar:______________

Lero-lero: Realmente, sempre deixo a Matemática de lado, agradeço a dica da Aline "não tem nada de   Matemática no blog?" (aluna). Durante a semana postarei mais algumas sugestões de trabalhos com o Sistema Numérico que estamos desenvolvendo na escola. O tempo anda curto, muito curto! Mas a vida muito BOAAAAAAAAAAA!
Beijos, MD e 1, 2 feijão com arroz!