Nessa sexta-feria participei do último dia de encontros da Semana Acadêmica de Pedagogia, na UERGS/ Cidreira. Foi muito bom ver os jovens da Biologia Marinha relatando suas experiências dentro de escolas. Experiências que, conforme os projetos apresentados, buscam harmonizar as relações entre os moradores costeiros e o meio ambiente. Os estudantes demonstraram afinidade com mecanismos de pesquisa, além de a vontade de transformação social. Seus projetos propõem ações pontuais para mudanças pequenas (em situações que passam desapercebidas) mas que (como argumentaram) a médio e longo prazo podem trazer benefícios às populações. Achei interessante esse ponto, pois, sempre ouço falar no imediatismo da Geração Y . (os Ys beira-mar fogem ao padrão?)
Na mesma noite, o relato de uma alfabetizadora do Centro de Apoio Educativo (CAE- Cidreira) foi algo emocionante. Uma fala cheia de saberes, aprendidos (como ela disse) ao longo de vinte anos na docência e nos "retornos à universidade" (graduada em Pedagogia e Pós- Graduada em Educação Especial e Orientação Escolar). Como trabalho há algum tempo com a formação de professores e frequentemente ouço que "do que aprendi na universidade pouco utilizo no dia a dia", a fala dessa professora foi animadora, confortante. Ela alfabetiza portadores de necessidades especiais, isso: ALFABETIZA!
Do tipo que "mata a cobra e mostra o pau" em meio a uma doçura que só o domínio do que falava poderia ter dado, ela relatou e demonstrou com as escritas das crianças, jovens e adultos como o processo acontece. Enfatizou que só consegue alfabetizar em vista de (poder) realizar um trabalho quase individualizado, que inicia a partir da história de vida de cada estudante: "não culpo os professores das escolas convencionais por não conseguirem sucesso com os alunos, eu tenho certeza que em salas superlotadas e sem apoio específico eu também não conseguiria".
Ela apresentou poesias feitas por uma aluna que tem Síndrome de Down, textos, produções artísticas, muitas fotos de passeios (dos quais frisou a importância), enfim, registros do qual tem orgulho. ("o corpo fala")
De tudo que ela contou, o que mais gostei foi o fato dela ter mencionado que "nem todos são capazes de trabalhar pedagogicamente com essa clientela, para isso é preciso ignorar as babas, os sonos causados por medicamentos contínuos, e garantir a identidade real aos estudantes (adolescentes e adultos) sem subestimá-los, infantizá-los. É preciso vê-los apenas como seres humanos com alguma dificuldade específica, mas que são capazes de aprender". E continuou: "se eu não acreditasse que eles aprendem, eles não teriam aprendido!".
Sem dúvida, uma docente com um DNA formidável! Fiquei com vontade de colocá-la num tubo de ensaio e... Glup: socializá-la!
Palmas, muitas palmas, foi lindo!
Beijos e boa semana!
( Erros de escrita? Durante a semana eu revejo, hoje estou muito cannnnnnnsada...)

