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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Expulsa da Educação Infantil!(?)

Bom dia, 
Retomo hoje minhas escritas por aqui. Fiz um período razoável de "desintoxicação digital". Além disso,  nas férias da criançada (filhos) o computador aqui em casa vira brinquedo!
Aos poucos estou recuperando a posse do teclado e o rumo das ideias, pois, como bem disse Fabrício Carpinejar, "todos morremos um pouco na madrugada do dia 27/01/2013". 
__________________________________________________
Estou lecionando em Cidreira/UERGS (disciplina de verão): Supervisão e Orientação Escolar. Iniciei as aulas com a crônica abaixo.


                Expulsa da Educação Infantil!(?)
Maria Cristina Schefer
             − Expulse-a! Ela precisa ficar bem longe da sala de aula!
Essa foi uma das intervenções que lembro ter feito (enquanto supervisora educacional) diante de uma situação de excesso de sensualidade que uma criança   apresentava em sala de aula.
O problema: uma menininha (de 4 anos) estava vindo para a escola de unhas pintadas, blush, batonzinho, sem uniforme, de saltinhos e com roupinhas insinuantes. “As outras meninas têm ela como referência, os meninos disputam a tapas a cadeirinha ao seu lado, os namoricos estão instalados na turma, e algumas mães já reclamaram”, relatou-me a professora.
A expulsão não foi uma atitude de impulso. Antes, fui até a sala de aula observar a turma. E, realmente, a menina era o centro das atenções! Estava ditando moda! Percebi nos modelinhos (das demais) a tentativa de copiar a “ídolo da Pré-escola”! Admito que fiquei surpresa, nunca imaginei que as crianças da vila/escola tivessem condições para tanto requifife,  e nem que o mercado oferecia tantas opções de tamanquinhos. Senti-me “meiovisora”! (não mais SUPER)
De outro modo, e relevante ao caso, verifiquei que, nas paredes, uma gravura também se destacava entre as produções infantis. Era de uma boneca loira! Corpo esbelto! Olhos azuis! Lábios carnudos! Batom rosa! Sombra verde! Trajava um vestido volumoso! Furta cor! Cintilante! Uma Barbie, das legítimas! Depois de uma análise mais detalhada, posso até dizer que a dita esbanjava um “olhar 43, aquele assim, meio de lado [...] Louco por você!”.
Binguinho! Eurekinha!
Senti-me SUPRAvisora!
A solução:
Na conversa de devolutiva, da observação feita na turma, sugeri à professora que a gravura fosse expulsa/retirada do cenário da Educação Infantil. (!) Argumentei da incoerência entre desejar um ambiente com atitudes infantis saudáveis e “enfeitá-lo” com um  ícone  da “purpurinagem”! Da erotização precoce! Do reboladinho!
A princípio, a colega concordou com o teor do retorno pedagógico, mas, percebi que seu rímel escorreu, borrando-lhe (inclusive) o rosto até a altura do blush. Culpei-me, por aquele mal estar docente, talvez a gravura tivesse custado caro, e eu ido direto demais ao ponto (sei lá!), exagerado nas exclamações. Senti-me “minivisora”!
Apesar de aquela divergência de opinião ter “estremecido” certezas, dado “curvas” às exclamações (???), vi, no mesmo dia da orientação, depois da saída das crianças,  a gravura sendo retirada...
Ave! Senti-me “inflavisora”!
Se bem que houve certa lentidão no ato, e posso até dizer que percebi nela (na colega) um “olhar 43, aquele assim, meio de lado, já saindo, indo embora, louco por você!”. Enfim, foi uma sessão nostalgia (frente à gravura) que somente terminou quando um rapaz loiríssimo, num carro conversível, chegou à escola.  Veio buscar a professora!(?)
Quem seria? Ken?
Senti-me “FUXIvisora”! 

Lero-lero:  Na sequência (do uso das "palavrinhas mágicas" para o ensino)  trabalharemos 7 fábulas chinesas que tratam tanto das qualidades quanto das dificuldades da função de supervisionar e orientar professores/estudantes.  Os textos foram selecionados do livro: 50 fábulas da China Fabulosa, org./ trad.: Sérgio Capparelli e Márcia Schmaltz. Muito bom! 

Compartilho a entrevista abaixo, capturada na Rede. Bem interessante!  Abraços!


domingo, 1 de maio de 2011

O que dizem as frases sociais? Que tal um projeto sobre os monumentos?

“Grafite é arte corre faz parte”

Isso está escrito na parede de um dos prédios públicos situado no Parque Centenário, em Montenegro, no Rio Grande do Sul. A cidade, localizada à 74 km de Porto Alegre, é conhecida como Cidade das Artes. Mais do que plagiar a prática de coligir e situar frases pichadas, como fez Eduardo Galeano (1991) no Livro dos abraços, o que pretendo aqui é uma reflexão sobre a ação da atual juventude “arteira” que picha. Pichação que é uma prática comum em muitas cidades brasileiras.
Como expresso na frase acima, nesse caso, ao mesmo tempo que os jovens revelam distanciamento popular com o bem público, expressam confundir pichação com grafite. Mas, de modo geral, na atitude de depredar os anarquistas verbalizam o não reconhecimento de pertença de um espaço ou (em outros casos) de um monumento para si e para os seus. E, apesar disso, requerem pichando o direito de uso, demarcando ao estilo “mijo de cachorro”, espaços coletivos.
Assim, diante de rabiscos rebeldes (leia-se): o desejo de existir socialmente!
De outro modo, a “totenização” de espaços públicos carece de reflexões administrativas. Apesar de a era dos coronéis ter passado (VIVA!), muitos cidadãos ainda sonham com seu busto exposto na praça. Na prática pública de nomear ou fixar objetos, repete-se a demarcação do território; particulariza-se o coletivo, similar ao que os pichadores fazem, só que agora avalizada pelo poder : mijo com pedigree!
A imposição (via monumentos – via placas) da presença de uma personalidade, de uma crença, de uma instituição pode provocar estranhamentos. Hoje, mais do que em tempos de outrora (de cabresto)!
Vale lembrar que o que é estranho causa medo e estará sempre sujeito à retaliação popular. Um objeto, para ser público, precisa identificar-se com os costumes locais e ter aceitabilidade social da comunidade.
As escolas têm forte papel no sentido de apresentar às crianças os totens tradicionais da comunidade, a fim de que (de algum modo) elas reconheçam o motivo da presença de algo no cenário onde vivem.
Nesse caso aqui intitulado, a escrita é enorme, a parede alta, o parque tem guardas, o que significa que deu muito trabalho aos “artistas”. Jovens que devem ter lá os seus 16 anos e, como lido, no que tange às “concordâncias”, não estão nada conformes!Contudo, é preciso admitir, apesar de não entenderem de grafite, que da essência da Arte eles entendem e imprimiram-na na parede: Arte se faz em movimento! Pernas pra quem te quer!
                                                                    (Maria Cristina Schefer)

(Publicado na Web Artigos: 30-04-2011)

Lero-lero: Que país é este? Que estado é este? Que cidade é esta? Monumentos podem responder artisticamente a essas questões (problematizações). 
Marias,
Pensem nos monumentos, nas esculturas, que atravessam o cotidiano infantil. Proponha ao grupo um estudo dessas manifestações artísticas. No Rio Grande do Sul temos vários monumentos consagrados. Antônio Caringi (escultor)  foi o responsável pela feitura da estátua do Laçador (inspirada em Paixão Cortês). Também foi o responsável pela estátua do Negrinho do Pastoreio (fixada no parque Getúlio Vargas) em Caxias do Sul (nas proximidades da prefeitura).
Lembrei-me (hehehe) dessa escultura em virtude de que ela volte meia está rodeada de balas e mel.  Um dia levei meu filho ao parque e ele voltou mascando um coisinha... Adivinhem? Expliquei-lhe, então, que as oferendas deviam ficar lá, nunca mais ele pegou.
Para respeitar é preciso compreender.
E que projetos legais poderemos orientar (na escola) a partir de monumentos, de escultores. Quantas possibilidades para releituras e, principalmente, para esclarecimentos  e aproximação das crianças do cenário vivido.
Em 2009 fizemos uma viagem de trem a Bento Gonçalves com as crianças da escola  em que eu trabalhava. Entre as diversas coisas  retratadas pela turma  nos registros, após o passeio, repetidamente, apareceu o leão com asas. Igual ao que haviam visto numa praça. (Local só visitado por acaso, em virtude de que, era próximo do restaurante que encontramos para almoçar).
As crianças observam (além do que desejamos) e isso é o bom, mas é preciso que os professores queiram falar e estudar sobre o que não estava planejado.
Cliquem no título e caiam na Wikipédia e na biografia de Antônio Caringi. Não esqueçam: arames, argila, isopor, espuma, pet, podem resultar em belíssimas obras infantis. Livros de História da Arte podem servir de inspiração.
Beijos!

sábado, 16 de abril de 2011

Tudo isto é escola: tudo isto é dor docente!

Por Aninha,

Sabe-se, hoje!
Uma canção de ninar era o sonho de Aninha.
Franzina, mal cheirosa, a mais pluma expressão do abandono.
Parecia não compreender fatos, não juntava as letras, suas frases eram desconexas... (dislalia?)
Caminhava de um jeito estranho, lateralidade duvidosa... (dificuldades motoras?)
Tinha um apetite voraz! (desnutrida?)
Olhos, esses sim! De ressaca duvidosa.
Nem a Professora Maluquinha “mirabolaria” uma solução.
Oito anos, aluna do terceiro ano, desde ontem para sempre mais ausente!
Foram-se as proposições, foi-se Aninha!
Choram pela “mocinha da casa”, quatro crianças.
Franzinas, mal cheirosas!
Familiarmente espantadas com a cara do Bicho-papão que caiu telhado!
“Nana Aninha, nana!”
(2003-2011)                      
                                  (Maria Cristina Schefer)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Brincando com as transparências! (Indignando)

Transparência – sem chapéu!

Por mais que tentem evitar que transpareça, está transparecendo que, na reforma ortográfica, a palavra transparência foi esquecida. É que esse termo “tão em moda” anda deixando rastros estranhos e causando espanto!
Do ponto de vista gramatical, o vocábulo ainda pode ser sustentado. Entretanto, porém, todavia [...] deixem-me argumentar de forma mais transparente possível, não posso deixar transparecer que...
Mas [...] sem rodeios, não sei para vocês, mas [...] a mim a palavra transparência tem soado traiçoeira, ao ponto de os ouvidos ficarem de pé, quando, num noticiário de TV ou num programa de comportamento, alguém a pronuncia. Zumbe estranho, com eco: ência, ência, ência causa-me arrepios! O pior é que com isso, com o sussurro, parece que aquilo que o entrevistado tentava esclarecer permaneceu turvo, obscuro, fosco! Possivelmente, trata-se da materialização do paradoxo do enunciado. Algo crônico, congênito, gravíssimo!
Desse modo, como as reformas ortográficas já resolveram tantos “cânceres gramaticais”, talvez fosse o caso de os linguistas assumirem o esquecimento da transparência e incluírem um adendo no último acordo, e a revisão desse simulacro.
E já dando assim, de fora, uns “pitecos” (pois não podemos só ficar criticando): se acrescentarem um r a mais no termo, a eloquência duvidosa poderá denunciar o uso inapropriado.
O (fars) falante diria:
─Transparrência...
O entrevistador diria:
─ Como? Não entendi... Pode esclarecer melhor...
Ou quem sabe, se colocarem um z no lugar do s: tranzparência. Esse Z de Zorro denunciará a zebra que alguns tentam encobrir.
Mais fácil ou melhor ainda será se tirarem o acento circunflexo de transparência, o popular chapeuzinho... Pois, talvez seja ele que encobre as artimanhas do termo.
Assim, essa nova transparência, sem acento, não poderá mais servir para teledefender algumas coisas banais do tipo: Licitações “batizadas” – utilizadas como evidência da transparência pública – ou Editais simulados – que sugerem CPF, peso e estatura dos “aprovados”. Ou, ou, ou, ou...
Enfim, a nova transparencia impedirá tramoias administrativas, financeiras, políticas: a falta de transparência! Tão em moda...
E falando nisso, lembrei-me agora de uma amiga modista, que explicou o uso da transparência no mundo fashion: “O bom das transparências é que elas dão um formato novo, escondem as imperfeições, amenizam as falhas, impedem que mostremos aquilo que não queremos que seja mostrado...”
Tirei o chapéu para a explicação! Esse é que é conceito transparente de transparência!
E há quem acredite que, nesse mundo da moda, só tem futilidades... Eles, os estilistas, é que poderiam patentear o uso do termo para seu campo, e com chapéu: com muitos chapéus!
                                                                   (Maria Cristina Schefer)
(Publicado na Web Artigos: 10-04-2011)

Lero-lero: Ofereço essa "brincadeira com as palavras e com as transparências" às minhas queridas "purpurinas":  amiga Deise Laux (estilista em Caxias) e  filha Andressa Schneider (estudante de Jornalismo).

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O que é importante (hoje) para justificar a prática da escrita?

@ cartinha
─ Aprender a escrever para quê?
─ Para uma porção de coisas...
─ Que coisas?
─ Para escrever uma cartinha a sua avó, por exemplo.
─ Cartinha? Como?
─ Você pensa em algo que queira dizer a ela. Escreve. E nós levaremos ao correio. De lá eles enviarão direto para a vovó.
─ E por que ninguém manda uma cartinha para nós?
─ É porque os tempos mudaram. Mas quando eu era pequena eu mandava muitas cartas para a “bisa”. Ela ficava bem feliz.
─ Mas, então, se nem é desta época mandar cartinhas, por que eu tenho que aprender a escrever?
─ Para ter um orkut, mandar e-mails, acessar o twitter, mandar mensagens pelo celular, acessar o site da turma da Mônica, etc.
─ Ah@ mãe! Por que não falou logo e pontocom?(!)

( Publicado em 05-04-2011 na Web Artigos)
 Lero-lero: O alfabetizador precisa  atualizar o discurso em defesa do aprendizado da escrita dispensando o popular argumento "Gabriela": eu nasci assim, eu cresci assim, eu fui sempre assim (eu ensino assim?).

quinta-feira, 31 de março de 2011

Sobre a ideia nova...

Ideia, ideia, ideia, ideia...

Essa ideia de tirarem o acento de ideia deu-me uma ideia.
Ideia sem acento é claro!
Pois, doutro modo seria ideia ultrapassada.
Minha ideia é justamente averiguar os motivos da nova escrita da palavra ideia. Essa ideia, com explicação puramente gramatical, não me convenceu.
Aí deve ter ideia oculta...
Teria sido para conterem a força de ideias subversivas? (ideia de ditadores)
Teria sido uma conspiração filosófica para demonstrar o enfraquecimento das ideias na contemporaneidade? (ideia de pensadores)
Ou seria a materialização semântica da deterioração das ideias pragmáticas? (ideia de anarquista)
E se foi só um golpe de marketing para reeditarem-se as velhas ideias em nova roupagem? (ideia de capitalista)
Tento, mas não faço ideia!
O certo é que precisamos enterrar de vez a velha ideia. Mesmo que o Word continue rejeitando a nova ideia.
O curioso é que outras palavras que também tiveram a ideia de alterar, ainda passam batidas: auto-escola, ante-sala, seqüência.
Mas a ideia, as ideias... aí de quem se esquece de renová-las!
Acabo de ter uma ideia, exercitar, encher linhas: ideia, ideia, ideia, ideia, ideia.
Pedagogicamente questionável, se bem que o exercício de repetição fracassou no passado com as velhas ideias.
Agora, com a nova ideia, vá que funcione!?
                                                                       ( Maria Cristina Schefer)
(publicada na web artigos- 30/03/2011)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Comer ou não o Menino Jesus?

Entre os presentes que Davi ganhou, no Natal, havia um presépio de chocolate. Passada a euforia da descoberta dessa guloseima, que era maciça (conforme comentário do pai), chegou a hora de saboreá-la. Davi decide iniciar pelas ovelhinhas, assim, as coloca em fila, como se fossem pular numa cerquinha... brinca com elas de saltitar e, com pulmões cheios, grita: “bé, bééééé”. A imitação só termina no glup, glup da digestão. Foram-se uma a uma! Eram seis. Segue a brincadeira com a vaca: “Muuuuuuuuuuu” e glup, glup... Já, com o burro o lance foi muito rápido, quase incompreensível: “inhóÓ”- QUÊ!
Comidos os animais, resolve dar atenção aos outros presentes. Havia ganhado uma bola do time favorito, um livro de piratas, uma pista para carrinhos de corrida; enfim, tinha motivos para distrair-se, e muito, na Noite de Natal. Poderia até ter esquecido o presépio. Nem estava com fome. Mas, agora, com os humanos personagens nas mãos, Davi aproxima-se do pai e pergunta:
─ Qual eu devo comer primeiro?
─ Tanto faz, são todos do mesmo chocolate – responde rapidamente o pai.
─ É, mas... eu não sei...
─ Não sabe o quê?
─ Por quem começar...
─ Então sorteie! (entra na dele, o pai)
Animado, Davi começa a definir a ordem da comilança:
─ Uni, duni, tê! Salamê, minguê! Um presente colorê... O escolhido foi... voooocê!
E lá se vão: primeiro um rei, depois o pastor, outro rei...
Até que... o sorteado pede pausa à degustação: era o Menino Jesus. Indignado com o salamê, minguê, Davi olha para o pai e, antes que o idealizador do sorteio interferisse, justifica:
─ Vou deixar o Menino Jesus por último. Ele é o principal!
O pai faz um sinal com a cabeça, como se concordasse com o argumento.
Davi segue no uni, duni..., come, então, mais um rei lentamente, já demonstrando que o excesso o enfastiava. Precisou fazer outra pausa. A nova vítima sorteada merecia. Era Maria. Olha novamente para o pai e explicando:
─ Se eu comer a Maria, quem vai cuidar do Menino Jesus!?
Sem esperar pela resposta, Davi abocanha o genitor. Foi-se o José, o maior em gramas – concluiu com a boca cheia.
Limpando os beiços, o menino acomoda numa porcelana branca a Maria e o Menino Jesus e guarda-os na geladeira...
Por alguns dias, Davi acompanha a presença de Maria e do Menino Jesus rodeados por outras guloseimas... Era como um novo presépio, em baixa temperatura...
Até que toma coragem e, mesmo indeciso sobre quem deveria comer primeiro – se mãe ou filho com os olhos fechados, abre a porteira do estábulo gelado... Suspira! Tateia rapidamente os chocolates, sem que a identificação das vítimas pudesse ser feita e, glup, glup, dá fim às sobras natalinas...
 (Maria Cristina Schefer- Publicado na Web Artigos: 23-12-2010)

                                        (Presépio de massinha de modelar feito pelo Klaus- 7anos)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A verdadeira história da corrida entre a lebre e a tartaruga

Para compreender a "verdadeira história" leia a história que vem sendo contada...



A lebre e a tartaruga

Certo dia, a lebre desafiou a tartaruga para uma corrida, argumentando que era mais rápida e que a tartaruga nunca a venceria. A tartaruga começou a treinar enquanto era observada pela lebre.
Chegou o dia da corrida. A lebre e a tartaruga posicionaram-se e, após o sinal, partiram. A tartaruga estava correndo o mais rapidamente que conseguia, mas foi ultrapassada pela lebre que, visto já estar a uma longa distância da sua concorrente, se deitou a dormir.
Enquanto a lebre dormia, não se dava conta que a tartaruga se ía aproximando mais rapidamente da linha de chegada. Quando acordou, a lebre, horrorizada, viu que a tartaruga estava muito perto da linha de chegada. Assim, a lebre começou a correr o mais depressa que pode, tentando a todo o custo ultrapassar a tartaruga. Não conseguiu.
Após a vitória da tartaruga, todos foram festejar com ela.
(Fonte: Wikipédia)

Bem Marias, essa fábula atribuída a Esopo, igualmente às demais, traz no "pé do texto" uma sentença de efeito moral, que alude ao dito popular "devagar se vai ao longe" ou ainda "inimigo subestimado, cálculo errado".
Contudo, ouvi falar que essa narrativa possui um erro histórico, um vício de origem, já que as coisas não foram bem contadas...

A verdadeira história da lebre e da tartaruga
Há muito tempo, naquela floresta, onde foi realizada a famosa corrida entre uma lebre e uma tartaruga, somente as lebres estavam vencendo as provas. Diante disso, o público vinha se reduzindo, pois todos os animais já sabiam quem seriam as vencedoras.
Assim, a comissão organizadora das provas, formada pelos mais "ilustres orelhudos" e algumas raposas convidadas, decidiu fazer uma corrida de revitalização.
Houve várias reuniões secretas para a garantia do sucesso do evento.
O prêmio para a vencedora foi, igualmente ao das outras corridas, uma cesta cheia de cenouras. Contudo, não eram cenouras muito bonitas... Eram cenourinhas, que agradam a lagartos, tartarugas e outros bichos, jamais a lebres.
A corrida atingiu o objetivo proposto: desmaios, gritos, choros, aplausos, sonhos tartarubestos renovados... Entrou para a história.
Quanto à lebre perdedora? Dizem que foi "confortada" com muitas cenouras (?) pelas "novas amigas": as raposas.
Diante dessa revelação, cabe também uma nova sentença final ou moral:
TARTARUGA SÓ VENCE CORRIDA, SE A LEBRE NÃO ESTIVER DE OLHO NA TAÇA...
(Maria Cristina Schefer)

domingo, 29 de agosto de 2010

Programas gratuitos para a aceleração da aprendizagem

─ Bem amigos, quem quer brincar?

─ Aqui, na sala do 1º ano? Todo mundo, mas alguém não deixa.
─ Quem?
─ Os que mandam.
─ Como assim?
─ Sim, minha mãe disse que “deu na TV” que, com 6 anos, dava para brincar na sala...
─ E então?
─ Mas eles não deram os carrinhos...
─ E a professora o que diz?
─ Que precisamos acelerar...
─ Não podem brincar nem de faz de conta?
─ Só no recreio...
─ Mas por quê?
─ Acho que é por causa do cheiro da nossa sala...
─ Tem cheiro de quê?
─ Meu irmão disse que é o mesmo de quando ele estava na 1ª série.
─ E a professora, também acha?
─ O nariz dela é pequeno.
─ Não sente?
─ Bueno, um dia ela chegou perfumando tudo; abriu as janelas e arrancou o A de avião e o P de piloto da parede, acho que suspeitou que o cheiro fosse dos cartazes.
─ Legal! Mas e aí?
─ Aí, fizemos a maior festança do Brasil! Até que...
─ O quê?
─ Entrou pela janela um aviãozinho de papel e foi terrível.
─ Como assim?
─ Tinha uma mensagem nele.
─ O que dizia?
─ Você vai se perder nas curvas.
─ E aí?
─ A professora precisou de um pit stop! Coitada!
─ Quem mandou o aviãozinho?
─ Não sabemos.
─ E a professora?
─ Suspeitou deles...
─ O que fizeram?
─ Suspendemos a corrida, voltamos para a mesa e pegamos a cartilha.
─ Não responderam?
─ Capaz, a profe ia perder o empregocínio.
─ E agora?
─ Bagunça, nunca mais!
─ Mas e aquilo que sua mãe ouviu na TV sobre o brincar?
─ Ah, ela não escuta bem em dia de Sol.



Maria Cristina Schefer



Obs.:

A legislação mudou, e a proposta de ingresso de crianças com 6 anos no ensino obrigatório, numa turma intitulada 1º ano, visava à socialização e à aproximação desses pequenos com o mundo da escrita, de forma lúdica.
Entretanto, o que é visto (na maior parte das escolas) é o enquadramento dessas crianças ao antigo modelo de 1ª série: giz, quadro-negro, nada de brinquedos, nada de professora que brinca e muita burocracia.
Sem falar nos programas gratuitos que visam à melhoria da qualidade da alfabetização, e que desconsideram conscientes, ou não, o proposto pelo MEC, no que diz respeito a essa nova clientela.
Crianças do 1º ano estão perdendo minutos valiosos, diariamente, preenchendo tabelinhas obrigatórias; professores, por outro lado, relatórios e mais relatórios estatísticos.
Qualquer programa futuro que vise a auxiliar a alfabetização e o letramento das crianças de 6 anos precisará equipar as salas de aula com boa literatura, com muitos brinquedos e capacitar as equipes em parceria com as universidades, sem cartilhas, sem foco estatístico e, muito menos, marqueteiro.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A Barbie e o Enem,

(Maria Cristina Schefer)

Onipresente, não se sabe bem em que escola a Barbie “dá o ar da graça”. Afinal, quem poderia instruir a donzela que possui barcos, trailers, aviões, academias e até um foguete?
Sendo Americana, a Barbie domina uma das línguas melhor cotada no Brasil. Língua que aprova, reprova, elitiza.
Enquanto escrevo esse texto e você o lê (em português) mais notas altas estão elevando o currículo cor de rosa dessa estrangeira. Naturalizada (em vários países) ovacionada, desejada.
Sem falar português, ‘Ela’ está em primeiro lugar em tudo.
Ah, garota nacional, global, universal,@!
O quê?(!) O Enem não é concurso de beleza?
Não tem problema, a Barbie passaria na prova.
‘Ela’ é tudo de bom! Encantadora, provocante mesmo sem os “olhos de ressaca da Capitu” ou a “pele morena da Gabriela”.
Já as “pobres meninas”, que atravessaram a infância com uma Barbie na mão, feito a Kristina de Souza, a Gisely Ramos e a Greici Quéli da Silva, não têm jeito, precisarão do exame.
E agora? Terão repertório? Que leituras fizeram?
Eu, pelo menos, nunca soube de uma Barbie bibliotecária!(?)
E, se tivessem lançado essa boneca, que obras, ‘Ela’ indicaria?
A paixão segundo G.H? Vidas Secas? As primeiras estórias? Algo da Martha?
Não, isso teria cansado sua beleza! E a Barbie não quer problemas. Jamais demitiria a empregada, nem perderia tempo com questões de retirantes nordestinos ou travessias de superação. E, acima de tudo, nunca, alguém tão bem resolvida precisaria de um divã. No máximo, nossa puritana, poderia sugerir uma versão fashion (esquadrão) da “Letra Escarbarbie”...
Mas nem tudo está perdido, o Enem traz questões objetivas, assim, talvez “as meninas pobres” possam solucioná-las marcando um X nas opções B, vá que saia um bom resultado da ‘misturinha’...
Improvável!(?)
Mães!: BINGO! “a mão que segura o brinquedo é a mesma mão que fará a(s) prova(s)”. E, nessa (s) hora (s), de nada valerão os exercícios com os batons, unhas, saltos e os demais apetrechos dos ‘kits’ comprados com seus esforços.
Restará às reprovadas uma 2ª opção: a universidade particular paga (vai sobrar menos para os esmaltes)mas poderão comemorar do mesmo jeito. Ser universitária é chique! E tem o vestido da formatura! (não desanimem)
Cabe ainda um último alerta, não permitam “looks atrevidos” ou purpurinas no 1º dia de aula, podem suspeitar que suas filhas sejam Barbies de segunda linha e aí, coitadas! É que não perdoam, nesses espaços, falsidade ideológica!
(Publicado em Educação na web artigos:11/11/2010)

sábado, 31 de julho de 2010

- Pare de me bater ou eu vou chamar o Lula!

(Maria Cristina Schefer)

Nessa onda de bate ou não bate lembrei-me de que, há algum tempo, minha filha recebeu de um "amigorado" a indicação do filme Avaianas de pau, disponível na internet. Depois de ela assistir, repassou-me a “amorosa” dica. Eu estarreci.
– Poupe-me, reclamei, é pura apologia à agressão.
E ela revidou:
– Que nada mãe, é só uma piada, tu que és exagerada. Nem me venha com essas falas de professora.
Como visto, minha filha tem um posicionamento forte, não se deixa intimidar, nem se influencia pelo que os “outros” falam... Será que faltou “havainas” a ela? Há quem diga que sim! Eu prefiro o dito de que “a fruta não cai longe do pé!”
Mas, vamos ao filme: trata-se de uma sequência de cenas, onde crianças apanham brutalmente dos pais por terem feito alguma traquinagem (no entender dos adultos). As surras são satirizadas. O humor macabro inclui mutilações, sangue jorrando e berros desesperados das crianças. De ficcional, a produção é em desenho animado. No entanto, essa escolha artística não impede que, subliminarmente, seja passado o recado da “porrada”, como solução para as peraltices infantis. Mais do que isso, o vídeo insinua que as crianças, além de entenderem o motivo da pancadaria, ficariam gratas aos agressores por terem permitido que elas permanecessem vivas. Mensagens desse tipo circulam com popularidade entre nós. Quem já não ouviu que “tapinha de amor não dói”? Ou que, “é de pequenino que se torce o pepino”?
Essas falas “inofensivas”, atualizadas na internet, são as legitimadoras do arbitrário modo de os adultos resolverem seus problemas com as crianças e que, muitas vezes, acabam em infanticídio. Quem defende a “palmadinha” é porque deve ter apanhado com pantufa, de roupa e de barriga cheia... E jamais sentiu o peso de Um Cinturão.
O fato é que não é possível delimitar a força da mão que dará um “tapinha”, nem adequá-lo ao tamanho “do lombo” que irá sofrê-lo. Também não há como controlar os impulsos que levam alguém (adulto) a torcer um pepino (criança), já que “cada cabeça, uma sentença”.
Portanto, chega de Defenestração,viva o Lula! Viva esse estardalhaço que a emenda do ECA está provocando. Só assim, “ecoando” do Oiapoque ao Chuí, é que as barbáries contra as crianças serão contidas.
É bom que “os moleques” saibam que, no aperto, é gritar e chamar o LULA!
Quem?
O vizinho, o professor, o amigo, o Conselho Tutelar...
Contra a covardia, a vergonha de tê-la publicamente revelada: esse é o X da questão, essa é a lógica da emenda do ECA!
Lamento que a revisão do Estatuto tenha sido aprovada só agora, com Lula saindo... Isso poderá ser usado em 2011 pelos “brutamontes” como argumento:
─ Pode chamar, “ele” já não manda em nada!

Obs:
Foram postados (semanas atrás) dois textos: Um cinturão e Defenestração, que podem contribuir para o melhor entendimento dessa argumentação.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Desabafos da Cadeirinha- (cadeirinha de pensar)

Marias,
Recebi hoje cinco exemplares da Revista do Professor (julho- Set/2010)em que publicaram uma "crônica" escrita por mim. Seguida de uma reflexão sobre o (mal) uso das "cadeirinhas de pensar" nas escolas infantis.



Desabafos da cadeirinha...

A tia Poliana, sim, tinha segundo as mães, “um jeitinho todo especial com as crianças”. Sempre alegre, falante e pró-ativa diante dos problemas da sua turma de Educação Infantil, quando comunicou, numa reunião da escolinha, a implantação de uma “cadeirinha de pensar”, foi ovacionada. As mães gostaram tanto da inovação, teledefendida, que, parceiras, também implantaram, em casa, outras versões disciplinadoras: tapetinhos de pensar, caminhas de pensar, e quartinhos escuros de pensar. Mas logo abandonaram as práticas, concluindo, que só a cadeirinha da profe Poli é que funcionava.
Sem a intenção de diminuir o ibope da profe Poli, cabe o esclarecimento da eficácia do método, afim de que a receita seja repassada na íntegra, sem segredos. Ocorreu que, estranhamente, ao separar uma cadeirinha das demais, profe Poli, uxa! virou-se do avesso e plimpliou-lhe vida própria.
Logo que nomeada, Cadeirinha de pensar constatou, no silêncio horripilante do momento, que os problemas da turma tinham solução e optou pelo uso, durante as ações reparadoras, de uma capa cintilante de invisibilidade provisória, da grife mineira by G. Rosa, para ocultar a si e os subversivos que eram jogados diariamente no seu colo, acreditando que o ideal seria magicar os pacientes sem causar ruídos evitando atrapalhar os demais que estavam sobre o controle da Tia Poli. E em meio a esse anonimato ou meta-sanção é que tudo acontecia. Para os “sem ideias”, que segundo profe Poli, não queiram desenhar após as histórias, atrapalhando a aula, depois de Cadeirinha ouvir-concluir que era porque ficavam satisfeitos em escutá-las, preparou um repertório de contos, os quais só contava no aconchego da capa cintilante, até que, os futuros poetas mudavam o semblante, adquiriam cara de que pensaram e podiam voltar ao grupo. Autorizados pela profe Poli.
Para os “tipo grilo” que conversavam fora do horário, fazendo profe Poli perder seu raciocínio, após Cadeirinha ouvir-concluir que tinham excesso de fala engasgada, intensificou a estratégia didática e, além da invisibilidade, tomava diante desses, forma de divã e não só permitia que falassem, mas desafiava-os a falar o maior número de palavras por minuto: e como falavam... Depois, os potencialmente jornalistas, mudavam o semblante, adquiriam cara de que pensaram e podiam voltar ao grupo. Autorizados pela tia Poli.
Para os “desmancha prazer” que sempre acabavam com as brincadeiras antes da ordem da professora, após Cadeirinha ouvir-concluir que estavam estressados pela sujeição, por tabela, à rotina familiar exaustiva e que sofriam de um mal estar de fundo emociono-gulo-compensatório, providenciou um tratamento caseiro: massageava as barrigas dos discentes até que: PUM! Shrek-relaxavam. Então, os futuros revolucionários, mudavam os semblantes, adquiriam cara de que pensaram e podiam voltar ao grupo. Autorizados pela Poli.
Ocorreu que, lá pelas tantas, havia crianças pedindo para ir para a Cadeirinha falar-pensar... Diante disso, profe, tia, Poli teve outro piripac “-ninguém é de ferro”. Desvirou-se de sopetão: puxa! E assim, destitui-me do poder, “-Acho que pensei demais: the Plim!”

Glossário (escolha de termos):
Polliana- analogia a personagem central do clássico Pollyana, de Eleanor H.Porter que "brincava de contente".
by G. Rosa- referência ao escritor brasileiro Guimarães Rosa e a magia de suas palavras- neologismos.
Tia Poli- inversão ao “solicitado” no texto “Professora sim, tia não” da obra: Cartas para quem ousa ensinar, de Paulo Freire.
Uxa- Alusão à obra Uxa, ora fada, ora bruxa ,de Sylvia Orthof.