“Grafite é arte corre faz parte”
Isso está escrito na parede de um dos prédios públicos situado no Parque Centenário, em Montenegro, no Rio Grande do Sul. A cidade, localizada à 74 km de Porto Alegre, é conhecida como Cidade das Artes. Mais do que plagiar a prática de coligir e situar frases pichadas, como fez Eduardo Galeano (1991) no Livro dos abraços, o que pretendo aqui é uma reflexão sobre a ação da atual juventude “arteira” que picha. Pichação que é uma prática comum em muitas cidades brasileiras.
Como expresso na frase acima, nesse caso, ao mesmo tempo que os jovens revelam distanciamento popular com o bem público, expressam confundir pichação com grafite. Mas, de modo geral, na atitude de depredar os anarquistas verbalizam o não reconhecimento de pertença de um espaço ou (em outros casos) de um monumento para si e para os seus. E, apesar disso, requerem pichando o direito de uso, demarcando ao estilo “mijo de cachorro”, espaços coletivos.
Assim, diante de rabiscos rebeldes (leia-se): o desejo de existir socialmente!
De outro modo, a “totenização” de espaços públicos carece de reflexões administrativas. Apesar de a era dos coronéis ter passado (VIVA!), muitos cidadãos ainda sonham com seu busto exposto na praça. Na prática pública de nomear ou fixar objetos, repete-se a demarcação do território; particulariza-se o coletivo, similar ao que os pichadores fazem, só que agora avalizada pelo poder : mijo com pedigree!
A imposição (via monumentos – via placas) da presença de uma personalidade, de uma crença, de uma instituição pode provocar estranhamentos. Hoje, mais do que em tempos de outrora (de cabresto)!
Vale lembrar que o que é estranho causa medo e estará sempre sujeito à retaliação popular. Um objeto, para ser público, precisa identificar-se com os costumes locais e ter aceitabilidade social da comunidade.
As escolas têm forte papel no sentido de apresentar às crianças os totens tradicionais da comunidade, a fim de que (de algum modo) elas reconheçam o motivo da presença de algo no cenário onde vivem.
Nesse caso aqui intitulado, a escrita é enorme, a parede alta, o parque tem guardas, o que significa que deu muito trabalho aos “artistas”. Jovens que devem ter lá os seus 16 anos e, como lido, no que tange às “concordâncias”, não estão nada conformes!Contudo, é preciso admitir, apesar de não entenderem de grafite, que da essência da Arte eles entendem e imprimiram-na na parede: Arte se faz em movimento! Pernas pra quem te quer!
(Maria Cristina Schefer)
(Publicado na Web Artigos: 30-04-2011)
Lero-lero: Que país é este? Que estado é este? Que cidade é esta? Monumentos podem responder artisticamente a essas questões (problematizações).
Marias,
Pensem nos monumentos, nas esculturas, que atravessam o cotidiano infantil. Proponha ao grupo um estudo dessas manifestações artísticas. No Rio Grande do Sul temos vários monumentos consagrados. Antônio Caringi (escultor) foi o responsável pela feitura da estátua do Laçador (inspirada em Paixão Cortês). Também foi o responsável pela estátua do Negrinho do Pastoreio (fixada no parque Getúlio Vargas) em Caxias do Sul (nas proximidades da prefeitura).
Lembrei-me (hehehe) dessa escultura em virtude de que ela volte meia está rodeada de balas e mel. Um dia levei meu filho ao parque e ele voltou mascando um coisinha... Adivinhem? Expliquei-lhe, então, que as oferendas deviam ficar lá, nunca mais ele pegou.
Para respeitar é preciso compreender.
E que projetos legais poderemos orientar (na escola) a partir de monumentos, de escultores. Quantas possibilidades para releituras e, principalmente, para esclarecimentos e aproximação das crianças do cenário vivido.
Em 2009 fizemos uma viagem de trem a Bento Gonçalves com as crianças da escola em que eu trabalhava. Entre as diversas coisas retratadas pela turma nos registros, após o passeio, repetidamente, apareceu o leão com asas. Igual ao que haviam visto numa praça. (Local só visitado por acaso, em virtude de que, era próximo do restaurante que encontramos para almoçar).
As crianças observam (além do que desejamos) e isso é o bom, mas é preciso que os professores queiram falar e estudar sobre o que não estava planejado.
Cliquem no título e caiam na Wikipédia e na biografia de Antônio Caringi. Não esqueçam: arames, argila, isopor, espuma, pet, podem resultar em belíssimas obras infantis. Livros de História da Arte podem servir de inspiração.
Beijos!
(Maria Cristina Schefer)
(Publicado na Web Artigos: 30-04-2011)
Lero-lero: Que país é este? Que estado é este? Que cidade é esta? Monumentos podem responder artisticamente a essas questões (problematizações).
Marias,
Pensem nos monumentos, nas esculturas, que atravessam o cotidiano infantil. Proponha ao grupo um estudo dessas manifestações artísticas. No Rio Grande do Sul temos vários monumentos consagrados. Antônio Caringi (escultor) foi o responsável pela feitura da estátua do Laçador (inspirada em Paixão Cortês). Também foi o responsável pela estátua do Negrinho do Pastoreio (fixada no parque Getúlio Vargas) em Caxias do Sul (nas proximidades da prefeitura).
Lembrei-me (hehehe) dessa escultura em virtude de que ela volte meia está rodeada de balas e mel. Um dia levei meu filho ao parque e ele voltou mascando um coisinha... Adivinhem? Expliquei-lhe, então, que as oferendas deviam ficar lá, nunca mais ele pegou.
Para respeitar é preciso compreender.
E que projetos legais poderemos orientar (na escola) a partir de monumentos, de escultores. Quantas possibilidades para releituras e, principalmente, para esclarecimentos e aproximação das crianças do cenário vivido.
Em 2009 fizemos uma viagem de trem a Bento Gonçalves com as crianças da escola em que eu trabalhava. Entre as diversas coisas retratadas pela turma nos registros, após o passeio, repetidamente, apareceu o leão com asas. Igual ao que haviam visto numa praça. (Local só visitado por acaso, em virtude de que, era próximo do restaurante que encontramos para almoçar).
As crianças observam (além do que desejamos) e isso é o bom, mas é preciso que os professores queiram falar e estudar sobre o que não estava planejado.
Cliquem no título e caiam na Wikipédia e na biografia de Antônio Caringi. Não esqueçam: arames, argila, isopor, espuma, pet, podem resultar em belíssimas obras infantis. Livros de História da Arte podem servir de inspiração.
Beijos!
Um comentário:
Tua escrita está cada vez mais descontraída, mais próxima da realidade de sala de aula... isso é bom. O que mais encontro são teorias que tentam ser praticadas e não práticas sendo teorizadas. Beijos
Postar um comentário