Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência a vossa!
que estranha potência a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta.
(Cecília Meireles)
(Cecília Meireles)
Chère Marie,
Ontem foi o dia de estudarmos um pouco dos conceitos de Pierre Bourdieu na Unisinos. Um trecho da obra: O poder simbólico (1989, p. 17- 44.), desencadeou a discussão no grupo. Dizem que "um raio não cai duas vezes num mesmo lugar", entretanto, se o raio for Bourdiano, corro para o meio do campo e sinalizo aos céus com um espelhinho... Olha eu aqui! Nunca é demais!
Já fui alertada sobre o perigo das "grandes paixões".
Aliás, a turma toda vem sendo convidada a "tencionar" métodos e teóricos. Isso para que contrapontos possam ser delineados nas argumentações acadêmicas permitindo maior rigor.
Falando nisso, Bourdieu atenta (no texto) para a similaridade semântica entre rigor e rigidez e o cuidado para que (em outros termos) "não se confunda focinho de porco com tomada de luz". Rigor científico é benéfico, rigidez dispensável, no processo da pesquisa.
Tive a impressão que a professora (Gelsa) gosta desse culturalista, fala do homem como se fosse um amigo de longa data... de infindáveis horas de estudos.
Bourdieu (auctor social), dentre os inúmeros estudos, teve a grande "sacada" de romper com o paradigma das classes sociais estáveis. Das dicotomias (respectivamente sobrepostas como verdades por muito tempo): alienante - alienado / dominante- dominado/ culto- não culto. Objetividade-subjetividade. Bourdieu atravessou com o seu Poder de auctoridade social um modo tradicional de se pensar sobre a sociedade . E, não atravessou de que qualquer modo, foi uma travessia na diagonal! Para "ele" todo o homem precisa ser analisado em, no mínimo, três condições: cultural, econômica, social.
Desse modo, a compreensão dos fenômenos sociais ganhou uma nova perspectiva. Bourdieu apontou variáveis nas classes (distinção interna) que, até então, não tinham sido mensuradas academicamente.
Tive a impressão que a professora (Gelsa) gosta desse culturalista, fala do homem como se fosse um amigo de longa data... de infindáveis horas de estudos.
Bourdieu (auctor social), dentre os inúmeros estudos, teve a grande "sacada" de romper com o paradigma das classes sociais estáveis. Das dicotomias (respectivamente sobrepostas como verdades por muito tempo): alienante - alienado / dominante- dominado/ culto- não culto. Objetividade-subjetividade. Bourdieu atravessou com o seu Poder de auctoridade social um modo tradicional de se pensar sobre a sociedade . E, não atravessou de que qualquer modo, foi uma travessia na diagonal! Para "ele" todo o homem precisa ser analisado em, no mínimo, três condições: cultural, econômica, social.
Desse modo, a compreensão dos fenômenos sociais ganhou uma nova perspectiva. Bourdieu apontou variáveis nas classes (distinção interna) que, até então, não tinham sido mensuradas academicamente.
A questão das variáveis (do reconhecimento das variáveis) é fundamental para a pesquisa. Cabe ao pesquisador: "separar o joio do trigo", "não por tudo na mesma sacola", etc. E aí o Bourdieu (no texto lido ) alerta, a partir do conceito de habitus (condição de Ser), para a necessidade do autopoliciamento técnico. Caso contrário, somente veremos aquilo que planejamos ver na pesquisa (sem rigor).
Alguém já ouviu falar em "quem ama o feio, bonito lhe parece"? É mais ou menos assim, quando estamos imersos numa "paixão" não nos distanciamos o suficiente do "objeto amado" para visualizá-lo na íntrega (ai,ai,ai). O distanciamento é fundamental para que haja o estranhamento do objeto a ser construído.
O autor também menciona o fato de que a maioria dos objetos de pesquisa são de interesse da sociedade ( pesquisa e show não condizem ) e que só a percepção do objeto no cenário social não garantirá uma problematização.
Bourdieu conclui essas páginas ponderando sobre a condição de sujos dos objetos e da necessidade de limpá-los nos "espaços onde foram legitimados" (campos) reiterando que, para tanto, precisaremos (em outros termos) dar uma "lavadinha em nossas mãos"(habitus) afim de não aumentarmos a meleca.
Lero-lero:
Espero ter sido (+ ou -) clara! Qualquer escuridão posso justificar pela (re) imersão nas linhas desse filósofo francês! Que, de algum modo, remeteu-nos (turma) ao Paulo! Que Paulo? O Freire. Aquele das Pedagogias: do oprimido, da indignação, da autonomia, da esperança!
Bisous!
Alguém já ouviu falar em "quem ama o feio, bonito lhe parece"? É mais ou menos assim, quando estamos imersos numa "paixão" não nos distanciamos o suficiente do "objeto amado" para visualizá-lo na íntrega (ai,ai,ai). O distanciamento é fundamental para que haja o estranhamento do objeto a ser construído.
O autor também menciona o fato de que a maioria dos objetos de pesquisa são de interesse da sociedade ( pesquisa e show não condizem ) e que só a percepção do objeto no cenário social não garantirá uma problematização.
Bourdieu conclui essas páginas ponderando sobre a condição de sujos dos objetos e da necessidade de limpá-los nos "espaços onde foram legitimados" (campos) reiterando que, para tanto, precisaremos (em outros termos) dar uma "lavadinha em nossas mãos"(habitus) afim de não aumentarmos a meleca.
Lero-lero:
Espero ter sido (+ ou -) clara! Qualquer escuridão posso justificar pela (re) imersão nas linhas desse filósofo francês! Que, de algum modo, remeteu-nos (turma) ao Paulo! Que Paulo? O Freire. Aquele das Pedagogias: do oprimido, da indignação, da autonomia, da esperança!
Bisous!
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