quarta-feira, 27 de abril de 2011

Aula nº 7- Bourdiando...

Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta.
(Cecília Meireles)

Chère Marie,
Ontem foi o dia de estudarmos um pouco dos conceitos de  Pierre Bourdieu na Unisinos. Um trecho  da obra: O poder simbólico (1989, p. 17- 44.), desencadeou a discussão no grupo.  Dizem que "um raio não cai duas vezes num mesmo lugar", entretanto, se o raio for Bourdiano, corro para o meio do campo  e sinalizo aos céus com um espelhinho...  Olha eu aqui!  Nunca é demais!
Já fui alertada sobre o perigo das "grandes paixões".
Aliás, a turma toda vem sendo convidada a "tencionar"  métodos e  teóricos. Isso para que contrapontos possam ser  delineados nas argumentações acadêmicas  permitindo  maior rigor.
 Falando nisso, Bourdieu atenta (no texto) para a  similaridade semântica entre  rigor e rigidez e o cuidado para que (em outros termos) "não se confunda focinho de porco com tomada de luz". Rigor científico é benéfico,  rigidez dispensável, no processo da pesquisa.
Tive a impressão que a professora (Gelsa) gosta desse culturalista, fala do homem como se fosse um amigo de longa data... de infindáveis horas de estudos.
Bourdieu  (auctor social), dentre os inúmeros estudos,  teve a grande "sacada" de  romper com o paradigma das classes sociais estáveis. Das dicotomias (respectivamente sobrepostas como verdades por muito tempo): alienante - alienado / dominante- dominado/ culto- não culto. Objetividade-subjetividade. Bourdieu atravessou com o seu Poder de auctoridade social um modo tradicional de se pensar sobre a sociedade . E, não atravessou de que qualquer modo, foi uma travessia na diagonal! Para "ele" todo o homem precisa ser analisado em, no mínimo, três condições: cultural, econômica, social.
 Desse modo, a compreensão dos fenômenos sociais ganhou uma nova perspectiva.  Bourdieu apontou variáveis nas classes (distinção interna) que, até então, não tinham sido  mensuradas academicamente. 
A questão das variáveis (do reconhecimento das variáveis) é fundamental para a pesquisa. Cabe ao pesquisador: "separar o joio do trigo", "não por tudo na mesma sacola", etc. E aí o Bourdieu  (no texto lido ) alerta, a partir do conceito  de habitus  (condição de Ser), para a necessidade do autopoliciamento técnico. Caso contrário, somente veremos aquilo que planejamos ver na pesquisa (sem rigor).
Alguém já ouviu falar em "quem ama o feio, bonito lhe parece"? É mais ou menos assim,  quando estamos imersos numa "paixão"  não nos distanciamos o suficiente do "objeto amado" para visualizá-lo na íntrega (ai,ai,ai). O distanciamento é fundamental para que haja o estranhamento do objeto a ser construído.
O autor também menciona o fato de que a maioria dos objetos de pesquisa são de interesse da sociedade     ( pesquisa e show não condizem ) e que só a percepção do objeto    no cenário social  não  garantirá uma problematização.
Bourdieu conclui essas páginas ponderando sobre  a condição de sujos dos objetos e da necessidade de limpá-los nos "espaços onde foram legitimados" (campos) reiterando  que, para tanto, precisaremos (em outros termos) dar uma "lavadinha em nossas mãos"(habitus) afim de não aumentarmos a meleca.

Lero-lero:
Espero ter sido (+ ou -) clara! Qualquer escuridão posso justificar pela (re) imersão nas linhas desse filósofo francês! Que, de algum modo, remeteu-nos (turma) ao Paulo! Que Paulo? O Freire. Aquele das Pedagogias: do oprimido, da indignação, da autonomia, da esperança!

Bisous!

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