quarta-feira, 13 de abril de 2011

Canções de Páscoa? Epa! Só um pouquinho,

“Um papo orelhudo” no elevador!
Hoje (no elevador) encontrei uma vizinha. Ela é professora aposentada e estava muito intrigada. Aproveitou (minha “cara de professora”- cheia de cadernos na mão) para puxar um papinho:
─ Você que é professora, pode esclarecer uma dúvida?
─ Se eu souber ─ respondi. (de "orelha amedrontada")
─ Esta música “pra cenoura eu não dou bola, eu só tomo Coca-Cola” está certo cantar? Não acho legal ouvir os meus sobrinhos-netos cantando. Será que estou errada?
Segue, para quem não conhece, a paródia mencionada que é comum em muitas escolas e cantada com “ares de modernidade”:
Coelhinho Bossa Nova
Eu sou coelhinho Bossa Nova
Vou contar para vocês
Prá cenoura não dou bola
Eu só tomo Coca-Cola
Coelhinho Bossa Nova
É uma brasa, mora
Chorar por uma cenourinha nha – nha
Foi no tempo da vovó
Prá cenoura não dou bola
Eu só tomo Coca-Cola
Coelhinho Bossa Nova
É uma brasa, mora.
Fonte: na Rede (sem autoria)

Lero-lero:
Queridas Marias!
Concordei (um pouco sem jeito) com a professora “do passado”. Ela que mesmo "fora da escola" continua refletindo sobre as (ideo-) cantigas nos espaços escolares. Essa música do “Coelhinho Bossa Nova”, ao ser considerada digna de apreço e entoação, nas salas de aula, revela a falta de critérios de escolha por parte dos professores.
Pensemos:
Se nem o coelho quer comer cenoura, quem irá querer? (depois vêm com aquele “papinho de alimentação saudável”)
Se até o coelho conhece e quer Coca-Cola, quem não irá querer? (olha o poder do capital aí, gente!)
Também foi perceptível na fala de Dona Júlia (a vizinha) uma certa mágoa. A presença nessa paródia do descaso com a velhice pode ter sido o motivo: “do tempo da vovó”.
Será com esse tipo de letras que iremos ensinar respeito ao outro?
Concluindo: (por hora)
Essa canção não possui nem se quer estatuto de folclore. Trata-se de uma paródia que ecoou. Ao léu! Que vá...
De bom? Acredito que somente “título e ritmo”.
Desse modo, não merece ser difundida no espaço escolar.
Ah, só não digam por aí que é só “uma musiquinha” nem que (na aula de canto) não é hora de abrir a “gavetinha” de Educação para a Saúde, de Sociedade e Consumo, de Ensino Religioso. Não é o rompimento de "gavetinhas" o grande objetivo educacional?

Dica para quem já “matou o coelho” em sala de aula: ainda há tempo (5 dias letivos) para criar com a turma uma nova letra. Algo que não (re) imprima preconceitos e nem Educação Alimentar às avessas! E nem...
A propósito, pretendo conversar mais com essa vizinha, professora “aposentada”, pois suspeito que ela tenha muita coisa boa no “baú”!
(Erros de escrita? Gritem! Não muito alto!)

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