Um dos mecanismos de avaliação que tenho adotado com as alunas do curso de Pós- Graduação em Educação Infantil, na disciplina de literatura infanto-juvenil, é o de apresentação de um conto (sem recursos materiais- só com o corpo e a voz) durante um Sarau de finalização. A única exigência que faço é que as professoras exercitem os 'gogós' (conforme o trabalhado em aula) e que escolham um conto que lhes seja inédito. Desde que, primeiro, elas se encantem para depois (tentarem) encantar... Podendo ser (para esse momento) um conto árabe, indígena, africano. Nada dos costumeiros contos de fadas.
Tenho ficado surpresa com a diversidade de narrativas que as professoras trazem e a beleza dos contos 'desconhecidos'.
Como amanhã é o dia dos namorados (e professora também ama) selecionei o conto (abaixo) que foi contado, no último sábado, por uma professora no Sarau de Bento Gonçalves. Achei a narrativa linda e BEM apropriada... Segue também um pensamento...
Lenda indígena
Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo.
- Nós nos amamos... E vamos nos casar - disse o jovem, e nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã...Alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos...Que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?
E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
- Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada... Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e apenas com uma rede e tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte... E trazê-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia.
E tu, Touro Bravo - continuou o feiticeiro – deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!
Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada... No dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves dentro de um saco. O velho pediu, que com cuidado as tirassem dos sacos... E viu eram verdadeiramente formosos exemplares...
- E agora o que faremos? - perguntou o jovem – as matamos e depois bebemos a honra de seu sangue?
Ou cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? - propôs a jovem.
- Não! - disse o feiticeiro, apanhem as aves, e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro... Quando as tiverem amarradas, soltem-nas, para que voem livres...
O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros... A águia e o falcão tentaram voar, mas apenas conseguiram saltar pelo terreno.
Minutos depois, irritadas pela incapacidade do voo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.
E o velho disse: Jamais esqueçam o que estão vendo... Este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão... Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um ao outro...
Se quiserem que o amor entre vocês perdure..."Voem juntos... mas jamais amarrados".
(...)
"Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,
que solidão errante até tua companhia!"
(Pablo Neruda)
Lero-lero: Clique no título e caia direto na fonte da lenda acima. Sentirei saudades das contadoras de Bento Gonçalves "Capital brasileira do vinho". Bem como, do chimarrão tomado às escondidas.
Ah, Marias! beijem muito hoje...Quem não tem namorado (e está em busca) não esqueça: segunda-feira é Dia de Santo Antônio. Dia de fazer simpatias casamenteiras. Ir na igreja buscar pãozinho bento, etc.
Se funciona?
Sim, funciona!
Posso provar e com testemunhas! "La, la,ra, lá".
Não posso é divulgar o nome dos outros sujeitos que escrevi nas dobras do papel antes de soltar na bacia. Só não queiram transformar sapos em príncipes! Isso sim! Só funciona na literatura...