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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Expulsa da Educação Infantil!(?)

Bom dia, 
Retomo hoje minhas escritas por aqui. Fiz um período razoável de "desintoxicação digital". Além disso,  nas férias da criançada (filhos) o computador aqui em casa vira brinquedo!
Aos poucos estou recuperando a posse do teclado e o rumo das ideias, pois, como bem disse Fabrício Carpinejar, "todos morremos um pouco na madrugada do dia 27/01/2013". 
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Estou lecionando em Cidreira/UERGS (disciplina de verão): Supervisão e Orientação Escolar. Iniciei as aulas com a crônica abaixo.


                Expulsa da Educação Infantil!(?)
Maria Cristina Schefer
             − Expulse-a! Ela precisa ficar bem longe da sala de aula!
Essa foi uma das intervenções que lembro ter feito (enquanto supervisora educacional) diante de uma situação de excesso de sensualidade que uma criança   apresentava em sala de aula.
O problema: uma menininha (de 4 anos) estava vindo para a escola de unhas pintadas, blush, batonzinho, sem uniforme, de saltinhos e com roupinhas insinuantes. “As outras meninas têm ela como referência, os meninos disputam a tapas a cadeirinha ao seu lado, os namoricos estão instalados na turma, e algumas mães já reclamaram”, relatou-me a professora.
A expulsão não foi uma atitude de impulso. Antes, fui até a sala de aula observar a turma. E, realmente, a menina era o centro das atenções! Estava ditando moda! Percebi nos modelinhos (das demais) a tentativa de copiar a “ídolo da Pré-escola”! Admito que fiquei surpresa, nunca imaginei que as crianças da vila/escola tivessem condições para tanto requifife,  e nem que o mercado oferecia tantas opções de tamanquinhos. Senti-me “meiovisora”! (não mais SUPER)
De outro modo, e relevante ao caso, verifiquei que, nas paredes, uma gravura também se destacava entre as produções infantis. Era de uma boneca loira! Corpo esbelto! Olhos azuis! Lábios carnudos! Batom rosa! Sombra verde! Trajava um vestido volumoso! Furta cor! Cintilante! Uma Barbie, das legítimas! Depois de uma análise mais detalhada, posso até dizer que a dita esbanjava um “olhar 43, aquele assim, meio de lado [...] Louco por você!”.
Binguinho! Eurekinha!
Senti-me SUPRAvisora!
A solução:
Na conversa de devolutiva, da observação feita na turma, sugeri à professora que a gravura fosse expulsa/retirada do cenário da Educação Infantil. (!) Argumentei da incoerência entre desejar um ambiente com atitudes infantis saudáveis e “enfeitá-lo” com um  ícone  da “purpurinagem”! Da erotização precoce! Do reboladinho!
A princípio, a colega concordou com o teor do retorno pedagógico, mas, percebi que seu rímel escorreu, borrando-lhe (inclusive) o rosto até a altura do blush. Culpei-me, por aquele mal estar docente, talvez a gravura tivesse custado caro, e eu ido direto demais ao ponto (sei lá!), exagerado nas exclamações. Senti-me “minivisora”!
Apesar de aquela divergência de opinião ter “estremecido” certezas, dado “curvas” às exclamações (???), vi, no mesmo dia da orientação, depois da saída das crianças,  a gravura sendo retirada...
Ave! Senti-me “inflavisora”!
Se bem que houve certa lentidão no ato, e posso até dizer que percebi nela (na colega) um “olhar 43, aquele assim, meio de lado, já saindo, indo embora, louco por você!”. Enfim, foi uma sessão nostalgia (frente à gravura) que somente terminou quando um rapaz loiríssimo, num carro conversível, chegou à escola.  Veio buscar a professora!(?)
Quem seria? Ken?
Senti-me “FUXIvisora”! 

Lero-lero:  Na sequência (do uso das "palavrinhas mágicas" para o ensino)  trabalharemos 7 fábulas chinesas que tratam tanto das qualidades quanto das dificuldades da função de supervisionar e orientar professores/estudantes.  Os textos foram selecionados do livro: 50 fábulas da China Fabulosa, org./ trad.: Sérgio Capparelli e Márcia Schmaltz. Muito bom! 

Compartilho a entrevista abaixo, capturada na Rede. Bem interessante!  Abraços!


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Facebook para professoras brincantes!

Professoras fazem amigas nos locais de trabalho. Relações que,  muitas vezes, estendem-se para fora das escolas. Atualmente, além de contatos presenciais, os virtuais, nas redes sociais, garantem os papos e as trocas de ideias entre docentes. Há algum tempo,  venho selecionando na rede: Facebook, "pérolas pedagógicas" compartilhadas por docentes: pensamentos, dicas de livros, textos, e atividades.
Segue, então,  um "naco de coisas boas" que já coligi e que são específicas para a criançada.  Afinal, o ano está terminando e  as "vozes" da escola  começam a cansar a gurizada... 
Deixemos, assim, que os brinquedos (salvadores precisos da alegria)  possibilitem dias melhores!
 Bj.

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domingo, 21 de outubro de 2012

Mais uma semana intensa!

Nesse final de semana, trabalhei em Bento. Gostei muito das discussões, das divergências e convergências de opiniões, das socializações e das relações que foram estabelecidas pelo grupo. Voltei com o meu "coisário" docente revigorado. Assistimos ao filme: "O preço do amanhã" e fizemos uma discussão sobre a "trama". Refletimos sobre a exclusão social (materializável) e o preconceito (moral). Não apenas da exclusão escancarada mas, principalmente, da sinuosa que age nas entrelinhas  nos mais diversos processos  sociais. Conversamos sobre as grandes fortunas acumuladas e brincamos sobre a posição de nossos nomes na lista dos afortunados, "piadamos"! Refletimos sobre a dificuldade para que  as gentes "sem pedigrees" (de várias ordens) encontrem uma cama fofa e segura. Ponderamos sobre a influência da mídia  na difusão e manutenção das relações capitalistas. Nesse aspecto, vale ressaltar o resultado da pesquisa do Pnad (2011),  que revelou, que o aparelho de TV está em 96,9% das casas dos brasileiros... Desse modo, a programação televisa  tem sido a "voz para o povo" do Brasil.
Segue a tabela:

PRESENÇA DE BENS NO TOTAL DE DOMICÍLIOS
Bem20092011
Fogão98,4%98,6%
Filtro de água51,3%53,2%
Geladeira93,3%95,8%
Freezer15,3%16,4%
Máquina de lavar roupas44,3%51%
Rádio87,8%83,4%
Televisão95,6%96,9%
DVD71,9%75,5%
Carro37,4%40,9%
Motocicleta16,2%19,1%

Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/09/numero-de-casas-com-tv-supera-o-das-que-tem-

Relações afetivas com preço, com lucros, pautadas no interesse, na falta de ética com o humano e com as comunidades de fala, também permearam o encontro. Uma aluna, depois do debate de um texto jornalístico sobre direitos para todos, sugeriu que ouvíssemos a música do Cidadão Quem:  Dia especial. Achei na rede e fica como registro... Linda! entrou na minha listinha furta-cor!

Bj!




quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Prova Brasil, e o respeitável público aplaudindo as melhores!

Estive em cinco municípios do Rio Grande do Sul desde que saiu o resultado público das notas da Prova Brasil. Trabalhei na  formação continuada de professores  em escolas da Serra, e do Vale do Caí. Registro aqui  que a indignação dos professores com Prova é unânime e carregada de criticidade, diferente de anos  atrás, quando a maioria não percebia que em lugares com oportunidades desiguais um modo padrão de avaliar, por mais que cruze dados socioeconômicos, produz equívocos.
Saliento que os colegas docentes não estavam somente tristonhos com as notas de suas escolas (não centrais) mas indignados com os membros da categoria do magistério, "das ditas melhores escolas", que saíram pelas ruas exibindo faixas em  passeatas e caminhadas. 
Afinal, "professor antenado", informado, qualificado,  compreende o processo de aprendizagem como  situado e datado, sendo assim, a euforia com o resultado da prova não condiz com a postura necessária para avaliar os índices enquanto demonstrativos de faltas, em alguns ambientes, e de sobras, em outros. 
Além disso, os docentes criticaram a postura de políticos que estão utilizando os dados (da dita cuja) como estratégia para qualificar o discurso eleitoral, incentivados pela MÍDIA: "aquela que tudo entende sobre o processo de ensino"...
Eu, que estava nas escolas "assessorando",  alertei para providenciarem aeroportos nas margens... Imagino que o 'aviãozinho' (detector das verdades educativas) deve estar se preparando para pousar (nos espaços desqualificados) e replicar conclusões em canal e horário nobres (plim, plim)...
Quem és tu, brutus?
Numa das escolas,  que ficou em último lugar, fui mais radical: sugeri para a diretora que exibisse o jornal    na sala das professoras com os dados de ponta-cabeça, desse modo, 'a escola dos Jeca Tatus de 2012' ganhará o topo... Estará digna de aplausos... ( respeitável público! clap, clap)
Rimos muito! Somos bandidas!@

sábado, 18 de agosto de 2012

DISLEXIA X Alfabetização!




Lero-lero: Alfabetizar é preciso, entretanto, conhecer modos diferentes de aprender a ler e a escrever também. A dislexia é um distúrbio de leitura e escrita que requer estratégias diferenciadas durante a vida escolar e somente pode ser identificada diante de um olhar atento de pais e professores. Já o diagnóstico, que deve ter fim de prognóstico, o qual  definirá um plano de ensino individualizado, será de alçada de uma equipe multidisciplinar: fonoaudiólogo, psicólogo, psicopedagogo. E esses profissionais para terem certeza  do parecer (disléxico) encaminharão a criança a um neurologista. 
Somente um exame interno do cérebro poderá servir de  orientação para um tratamento medicamentoso. 
Encontrei na rede essa matéria acima e achei bem oportuna para esclarecimentos iniciais. Entretanto, é bom registrar que possuímos uma Associação Brasileira de Dislexiahttp://www.dislexia.org.br/, onde os alfabetizadores e familiares poderão buscar apoio ou , ainda, tirar dúvidas.
Beijo grande para a turma de Montenegro, passamos o dia hoje ponderando sobre o que está sendo possível realizar nas escolas para ajudar crianças com as mais diversas DIS/ lexia, calculia, grafia, ortografia! Lecionar é antes de tudo aprender e, assim, essas aulas foram muito proveitosas!
Ah, além disso, segue o endereço do dicionário de educação online: muito bom para um primeiro contato com as mais diversas dificuldades de aprendizagem:

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Não contam fábulas? Como assim?


O parto da Montanha
Há muitos e muitos anos uma montanha começou a fazer um barulhão. As pessoas acharam que era porque ela ia ter um filho. Veio gente de longe e de perto, e se formou uma grande multidão querendo ver o que ia nascer da montanha.
Bobos e sabidos, todos tinham seus palpites. Os dias foram passando, as semanas foram passando e no fim os meses foram passando, e o barulho da montanha aumentava cada vez mais.
Os palpites das pessoas foram ficando cada vez mais malucos. Alguns diziam que o mundo ia acabar.
Um belo dia o barulho ficou fortíssimo, a montanha tremeu toda e depois rachou num rugido de arrepiar os cabelos. As pessoas nem respiravam de medo. De repente, do meio do pó e do barulho, apareceu ... um rato.
                                                                 (Fábulas de Esopo- Companhia das Letrinhas, 1994)

Lero-lero: A informação de que as fábulas foram criadas para moralizar os ouvintes  tem retirado esse gênero do repertório de rodas de Literatura. Percebe-se isso na fala de muitas professoras. 
Realmente, por muito tempo os impressos do gênero  vieram seguidos de uma moral (também impressa) padronizadora, contudo, as obras atuais não trazem nenhum recadinho universal  ao leitor. Portanto, utilizar  fábulas pode ser uma boa estratégia para fazer pensar... 
Além disso, crianças adoram animais que falam, cadeiras que desafiam mesas, e montanha berrando, então? 
Bjs,


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Contando e ouvindo, de volta da Serra gaúcha!

Acabo de voltar da Serra, "ufa, que trânsito horrível, dificultado por uma serração ofuscante".  Estive trabalhando com professores de escolas estaduais: no colégio Imigrante, em Caxias, e no São Rafael, em Flores da Cunha. Lugares lindos! 
O frio teve que ser espantado com muito chá e café. Aliás, cada intervalo foi um banquete, e o grostoli marcou os hábitos da comunidade serrana à mesa. 
Fiquei feliz em rever amigas, as professoras Silvia e Eni estavam na sala em que realizei a oficina de Letramento em Caxias. Eta, mundo redondo! Tricotamos... puxamos fiozinhos... projetamos...
Em Flores aprendi, entre outras coisas, a história do símbolo do município: o galo.
Segue, como me contaram...

                                      Por que o galo é símbolo do município de Flores da Cunha?

                                                                                                        (Maria Cristina Schefer)
                                                          (imagem do blog: Per Bacco)

          Há muito tempo a cidade recebeu um mágico. O artista reuniu no salão paroquial quase toda a comunidade para o que seria uma apresentação magnífica. Foi com um megafone que ele chamou o povo prometendo cortar a cabeça de um galo (ao vivo) e que depois de recolocá-la  faria o bicho voltar a cantar. Houve briga por ingressos, que foram  pagos  ao artista antes do espetáculo iniciar. 
        No dia do evento, feitas meia dúzia de apresentações singulares, percebendo a impaciência do povo para que o grande momento do galo ocorresse, o forasteiro solicitou que duas pessoas do público subissem ao palco  e segurassem o  galo. Mais do que de pressa, o prefeito e o intendente do município se prontificaram. 
            Aos olhos de todos, o galo (créc) perdeu o pescoço!  
           O prefeito foi incumbido de segurar a cabeça do bicho e o intendente o corpo até que o mágico  fosse buscar (atrás da cortina) o seu pozinho reparador / cantor. Depois de passados alguns bons minutos, o prefeito, o intendente e o povo começaram a estranhar a demora do artista... foi quando se deram conta que ele tinha (zás) desaparecido...
             Por muitos dias o pobre foi procurado, em vão, raspou pé!
        Admitido o calote, o povo de Flores virou alvo de deboche regional e o fato custou a ser esquecido! (?) 
             Ainda hoje, quando alguém é logrado na cidade dizem que foi vítima do galo!
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Lero-lero: A cidade sofreu um logro coletivo, entretanto, foi presenteada com um artefato cultural muito inspirador. Aliás, diante do eco da história desse galo, que tem até monumento, parece falta de   pensamento mágico dizer que o galo não voltou a cantar...  eu juro que ouvi um có, có, có, quando cruzei o pórtico da cidade... se bem que era cedo! Muito cedo!
Adorei! Beijos especiais para as professoras de Mato Perso! Irei (sim)  à festa de Santa Juliana!
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Semana que vem vou para Bento, disseram-me que lá tem uma história de um anãozinho de jardim que já rendeu muita briga... vou ouvi-la da fonte: o povo, depois conto aqui...
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domingo, 3 de junho de 2012

Dia de prova: um soneto para fazer pensar sobre as cores e as relações de poder!



DESMANTELO AZUL

Então pintei de azul os meus sapatos 
por não poder de azul pintar as ruas
depois vesti meus gestos insensatos 
e colori as minhas mãos e as tuas

Para extinguir de nós o azul ausente
e aprisionar o azul nas coisas gratas
Enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas

E afogados em nós nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse  haver de azul também cansaço

E perdidos no azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul: azul.

Carlos Pena Filho

Lero- lero: Retomando a escrita no blog, depois de um longo intervalo (nem tão produtivo), ontem foi dia de avaliação numa das turmas em que leciono, curso de Pedagogia, na disciplina: Literatura Infanto-juvenil, o conteúdo incluiu o mercado simbólico, os signos, os processos de tradução cultural de contos. 

Fiquei feliz, todos os estudantes fizeram ótimas provas! Depois ainda foram parceiros firmes quando assistimos ao filme: O labirinto do fauno (produção riquíssima para trabalhar com signos e símbolos literários). 
Voltando à avaliação, não abro mão de provas escritas (com questões objetivas e descritivas), considero importante verificar não apenas a opinião que o grupo desenvolveu sobre algo, como reforçar que alguns conceitos possuem "estatutos" que não permitem juízos ou achismos!
Entre as coisas que lamentei, quanto à educação, no período que o blog ficou fora, foi o péssimo resultado dos professores no concurso público do Estado do Rio Grande Sul, quando menos de 8% dos candidatos tiveram aprovação. Acredito que a incapacidade de interpretação das questões e a falta de discernimento  quanto ao que poderia fugir à lógica de um determinado autor impactaram no resultado negativo nas provas (conclusão a   que cheguei após conversas com alguns dos candidatos reprovados). Desse modo, exercitar o limite da opinião pessoal dos estudantes também precisa fazer parte da ação formativa docente, principalmente para preparar os alunos para as classificatórias avaliações da vida real!
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O soneto acima foi analisado na prova, sobre o azul cabe registrar (didaticamente) que é historicamente  a cor da realeza, e a  plebe por muito tempo não teve se quer acesso a essa cor do céu.  Não foi de graça que Cinderela vestiu azul assim que virou princesa (PLIM!). No ano passado, o azul real foi reafirmado como cor da nobreza "aos olhos do mundo" nos famosos vestido e anel de noivado de Kate Middleton (esposa do príncipe da Inglaterra). 
Basta saber se mudar a cor das roupas no armário poderá mudar outras coisinhas...
@bs! 

segunda-feira, 5 de março de 2012

Sarau de contos populares em Estância Velha!



Lero- lero: Na última sexta-feira, estive em Estância Velha para a finalização de uma disciplina da Educinter, fizemos um sarau em que as professoras contaram...Lindamente!

Contos árabes, africanos, judaicos e indígenas fizeram parte do cardápio literário. Entre as narrativas, o conto que segue: 

Por que a Galinha d’Angola tem pintas brancas?

Os mais antigos contam que esta história aconteceu durante uma das piores secas ocorridas nas savanas ao Sul da África.
O sol, inclemente, castigava todos os seres vivos: plantas e animais.
Logo os rios e lagos secaram, aumentando o sofrimento. O calor abria fendas no solo e levantava uma espessa poeira que borrava de cinza o céu borrado de azul.
Os habitantes dos vilarejos, desnorteados, fugiram para as montanhas, rogando por chuvas, mas não havia prece que desse jeito na calamidade.
Um dia, porém, uma mancha escura despontou no horizonte. Todos ficaram excitados. Sinal de que as chuvas estavam se aproximando.
Só que um elefante, desengonçado, atrapalhou tudo. Afugentando a nuvem.
A galinha-d'angola que, naquela época, além de uma crista avermelhada no alto da cabeça, tinha as penas inteiramente pretas, não se conteve. Indignada com a atitude do paquiderme, correu horas e horas atrás da nuvem, suplicando para que ela retornasse, sem se importar com os espinhos que iam rasgando-lhe as pernas desnudas.
- Por favor, Senhora, volte. Por favor, Senhora, volte – repetia sem cessar, enquanto o sangue escorria por suas feridas.
A Dona das Águas, finalmente, parou e disse:
- Por causa de sua perseverança, da sua dor e da sua preocupação com o destino de todas as outras criaturas, eu regressarei. Graças aos meus poderes, interromperei a seca.
- Obrigada - agradeceu a ofegante corredora.
- E, como você se dirigiu a mim de um modo tão respeitoso, receberá de presente o brilho das gotas da chuva, que cairão sobre o seu corpo. Assim, será uma das aves mais bonitas da terra.
Não demorou muito para desabar um temporal, em meio a raios e trovões. A galinha d'angola, toda molhada, ganhou como ornamento os pingos que foram resvalando em suas penas, transformando,a, como fora prometido, em uma das aves mais lindas de toda a África.
Devido à canseira da galinha-d'angola, suas descendentes ciscam por vários cantos do planeta, agitando a penugem de cor negra, como a pele da maioria dos povos de seu extenso continente. Enquanto exibem as penas salpicadas de pintas brancas} as galinhas-d'angola cacarejam como se estivessem expressando, até hoje, o esforço empreendido por sua ancestral:
_ To fraca, to fraca, to fraca, to fraca!

Disponível na obra: Outros Contos Africanos para Crianças Brasileiras. Paulinas: 2006.
Coligido por: Rogério Andrade Barbosa.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sobre brinquedos: Walter Benjamim

Lero-lero: Algumas colegas de docência solicitaram (em Estância) um texto sobre o brinquedo. Por isso, esta postagem.
Bem, falar de brinquedo para mim é quase  impossível sem mencionar as contribuições de Walter Benjamim. No artigo que segue, a escritora tece considerações valiosíssimas acerca de algumas das contribuições de Benjamim. Espero que gostem!

http://www.scielo.br/pdf/psoc/v15n2/a06v15n2.pdf
Algumas informações sobre Walter Benjamim:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Walter_Benjamin

Bjos! MD.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Voltando de Estância! Contando!

Hoje, lecionei em Estância Velha. Aliás, contei histórias. O tradicional conto da Chapeuzinho Vermelho, em várias versões e  estratégias, foi esmiuçado: a partir dos estudos da psicanálise e de mecanismos de tradução cultural (adaptação do contos em cada cultura). Tudo em meio à defesa argumentativa pela recuperação da prática da oralidade narrativa por parte do professor (de classe). Enfim, pela defesa das professoras Sherazade, e das rodas literárias na rotina diária (da  educação infantil até o final do Ensino Fundamental). Conversamos muito sobre a "tendência das horas do conto" nas escolas, que retiram (muitas vezes) do professor a possibilidade de fala recreativa, que é de suma importância para a criação de vínculos. Quando o professor abre mão da fala narrativa, abre mão de um grande momento de mediação pedagógica. Falamos também da importância do perfil lúdico e comunicativo  para o "bibliotecário" escolar. Também trabalhamos com parlendas (aqueles pequenos versos com rimas), trava-línguas (aqueles versinhos que exigem que algumas sílabas sejam repetidas constantemente) e do potencial didático que esses textos possuem para o trabalho com  memorização desde a Educação Infantil, bem como, de estratégias para memorizar na infância: caixa de objetos relativos às parlendas, movimentos, sons, etc.
Seguem alguns dos textos trabalhados! Beijos e boa semana, 5 histórias e uma parlenda...
QUANDO OS TAM-TANS FAZEM TUM-TUM                                           

Lalá, Lelé e Lili e suas filhas,
Lalalá, Lelelé e Lilili e suas netas
Lalelá, Lelalé e LeLali e suas bisnetas
Lilelá, Lalilé e Lelali e suas tataranetas
Laleli, Lilalé e Lelilá cantavam em coro
LÁLÁLÁLÉLÉLÉLILILI.


Se cada um vai a casa de cada um
é porque cada um quer que cada um lá vá.
Porque se cada um não fosse a casa de cada um
é porque cada um não queria que cada um fosse lá.









segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Estância Velha, "um lugarzinho no meio do tudo..."

Nesse sábado, fui contar histórias (pela Educinter)  para as professoras da rede pública municipal de Estância Velha- pequeno município localizado entre Novo Hamburgo e São Leopoldo-RS. Fui "encantar" e voltei "encantada"... E o que me deixou impressionada foi a ótima estrutura das escolas públicas do município: salas de aula espaçosas, material didático em bom estado e acessíveis aos alunos, pátios limpos, enfim: tudo organizado para que um processo qualitativo ocorra. (clap, clap)
As professoras (muito queridas) falantes, receberam a missão de recontarem, para o maior número de pessoas possível, os contos que ouviram... Principalmente, a história do homem do saco...
Descobri que elas também ouviram  falar de "alguém" quando pequenas: uma velha, um velho, um homem que roubava criancinhas... Enfim, só confirmaram o poder de adentrar em lugarzinhos mais ínfimos dos contos populares...
Voltarei lá, em fevereiro...
Beijos e boa semana!  

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Início da primavera, quando?


Lero-lero: De acordo com o calendário, no dia 23 é o início da primavera, de acordo com os cientistas isso ocorre entre os dias 21 e 23. Oque não faz muita diferença, afinal, para quem não compactua com a "pedagogia do evento", mencionar a primavera em sala de aula é coisa que se faz na rodinha de conversa, num passeio a um canteiro de flores... fora isso, não há necessidade.
Já o vídeo acima, sim, permite uma grande reflexão sobre as flores, flores pálidas... sem aromas... resultantes de uma prática pálida...
Adorei, foi sugestão da ex-colega e sempre amiga do coração: Roberta- Poa.
Beijos e encham as soleiras das janelas de violetas!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A organização da sala por "cantos" e muita autonomia!

Essa metodologia de trabalho oportuniza que as crianças sejam autônomas na escolha dos objetos de aprendizagem  num determinado momento da rotina diária.  Os cantos podem ser organizados por áreas do conhecimento ou por temas (no caso de projetos).  A ideia é que em cada “canto” as crianças encontrem materiais específicos para o desenvolvimento de habilidades em meio à informalidade e ao diálogo com pares e as intervenções docentes.
Desenvolvimento:
Organização de materiais em pequenas mesas, armários, tapetes, caixas e outros mecanismos de delimitação de espaço.
Sugestão de materiais  por área de conhecimento: 
Canto da Matemática: Jogos com conceitos numéricos- blocos lógicos, Tangran, trena, balança de chão, balança de cozinha, máquinas de calcular, calendários, agendas telefônicas, telefones de brinquedo, dinheiro de brinquedo, réguas. (materiais para a escrita). Potes de medida. Materiais para pesagem.
Canto da Língua Portuguesa: Jogos com letras, alfabeto, casinha de fantoches,             livros de histórias, gibis, quadro para escrita vertical, materiais em vários tamanhos e texturas para a escrita espontânea (com e sem linhas).  Carimbos, máquinas de escrever, computador. Cenário para vivências e jogos simbólicos, ex: mesa com cadeirinhas, fogão, panelas, quartos, bonecas, fantasias e acessórios.
Canto das ciências naturais e sociais: Coleções (de pedras, de insetos,  miniaturas de dinossauros) espaço para cuidar de um bichinho de estimação: peixinho, tartaruga. Materiais para estimular os sentidos: potes com café, raspas de sabonete, terra, etc. Mapas, globo, enciclopédias, binóculo, lupas, microscópio.
Canto das Artes: Livros biográficos sobre a vida e a obra de artistas locais, nacionais, internacionais. Caleidoscópio.  Bandinha rítmica, cavaletes, massinhas de modelar, argila (materiais para intervenção nos sólidos: palitinhos, pauzinhos de sorvete e churrasquinho, pregos, parafusos). Revistas para recorte, botões, lantejoulas, purpurinas, aparos de lápis, sobras de papéis coloridos. Canetas esferográficas de várias cores, canetões, canetinhas, cola colorida, giz de cera, tintas, pincéis, caixa de “sucatas’: lãs, caixinhas, potes de iogurte, etc. Papéis de vários tamanhos e texturas: jornais, lixa, cartolina.
Cantos temáticos: organizados a partir de um objeto de estudo, ex: Semana Farroupilha: recriar um cenário para que as crianças vivenciem práticas da vida campeira: laço no touro (cadeira), exercitem o preparo do chimarrão, tomem o chimarrão, conheçam um pouco das histórias, músicas, danças, trovas do Rio Grande.
Obs:  A apresentação dos cantos pode ser feita gradativamente (semanalmente) afim de que as crianças possam conhecer alguns materiais incomuns no dia a dia  para depois utilizá-los corretamente.  Assim que os cantos estiverem instalados a professora determina na rotina diária um momento para a escolha de um dos cantos. Cada criança irá desenvolver atividades (de sua escolha)  nos cantos escolhidos.
Os materiais podem variar de acordo com a realidade de cada escola. É interessante que durante um projeto, ex: estudo dos morcegos, o Canto respectivo  ao estudo receba materiais para intensificar a pesquisa e até um mural ou varal em que as produções possam ser anexadas.
 Outra possibilidade: 
Na escola em que trabalho optamos por caixas de plástico com tampas que circulam nas salas (cada dia uma caixa- cada dia uma área recebe um olhar especial).
Obs: O manuseio das enciclopédias garante a "explosão de ideias" que pode definir  projetos, desejos de aprendizagem.
Beijos e boa organização!


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Matemática: o calendário na sala de aula (nove, dez, comer pastéis!)

Conforme tinha prometido, posto (agora) o calendário que fizemos na escola para trabalhar com o sistema numérico e com operações matemáticas diariamente. As crianças "estão adorando, não pensei que iriam gostar tanto [...] quando eu esqueço, eles lembram", relatou a professora Heloísa do jardim C. Confeccionamos os calendários com banners velhos e os suportes com pets (sugestão da professora Grazi). Ou seja, tudo baratinho, baratinho... plastificamos as fichas para garantir maior durabilidade (papel contact).
Trata-se de um cartaz de pregas em que as crianças interagem para completar a data e verificar o número de presentes. O  preenchimento pode ser feito com palitos ou canudinhos de refrigerante e  variar com os  respectivos numerais. (avanços de acordo com o grupo)


Esse material permite que as crianças exercitem a sequência numérica, compreendam as semanas, os meses, realizem cálculos mentais (número de meninas X número de meninos e a diferença diária entre os presentes), representem as quantias com numerais e por extenso.
Algumas professoras (na escola onde trabalho) acrescentaram nos palitos o nome das crianças.
Na próxima semana pretendo postar materiais para o trabalho lúdico com gráficos, listas e a ideia de probabilidade.
Dúvidas, sugestões deixem aqui (comentários). Beijos!

domingo, 4 de setembro de 2011

Esteio: voltei voando... dessa vez, de:

Retornando de Esteio. As alunas de lá protestaram o fato de eu ter dito no blog que voltei de vassoura da última vez (Grazi), falaram que eu deveria ter mencionado "terra da Expointer". Enfim, querem que eu fale dos cavalos... Tudo bem, só me nego a falar na espera do cavalo branco... Depois de um "tur" nos estudos de gênero, não ficaria nem bem!
Então, vamos deixar bom para todas: fui a Esteio e passei um dia maravilhoso ouvindo lendas indígenas, músicas Guarani, e trocando ideias pedagógicas, com uma turma de professoras Sherazades. Sentirei saudades!
Voltei voando, voando sim! Dessa vez de cavalo, não qualquer cavalo, nem sei se ele já foi premiado... 
O fato é que era alado... iupi!
Beijos, e a lenda do dia (brindada com garrafinhas de guaraná customizadas) segue para a semana: só professoras são capazes dessas proezas, decorar garrafas para contar histórias e presentear os ouvintes... Tudo de bom!
Posto as fotos mais tarde.

                                          A lenda do Guaraná
Um casal de índios pertencente a tribo Maués, vivia junto por muitos anos sem ter filhos mas desejava muito ser pais. Um dia eles pediram a Tupã para dar a eles uma criança para completar aquela felicidade. Tupã, o rei dos deuses, sabendo que o casal era cheio de bondade, lhes atendeu o desejo trazendo a eles um lindo menino.
O tempo passou rapidamente e o menino cresceu bonito, generoso e bom. No entanto, Jurupari, o deus da escuridão, sentia uma extrema inveja do menino e da paz e felicidade que ele transmitia, e decidiu ceifar aquela vida em flor.
Um dia, o menino foi coletar frutos na floresta e Jurupari se aproveitou da ocasião para lançar sua vingança. Ele se transformou em uma serpente venenosa e mordeu o menino, matando-o instantaneamente.
A triste notícia se espalhou rapidamente. Neste momento, trovões ecoaram e fortes relâmpagos caíram pela aldeia. A mãe, que chorava em desespero, entendeu que os trovões eram uma mensagem de Tupã, dizendo que ela deveria plantar os olhos da criança e que deles uma nova planta cresceria dando saborosos frutos.
Os índios obedeceram aos pedidos da mãe e plantaram os olhos do menino. Neste lugar cresceu o guaraná, cujas sementes são negras, cada uma com um arilo em seu redor, imitando os olhos humanos.
Fonte:
http://www.sumauma.net/amazonian/lendas/lendas-guarana.htm
Conforme  prometido, seguem as fotos da "oficina de bonecas de plástico": Pós-Graduação em Educação Infantil- Educinter- Esteio/RS. 



domingo, 7 de agosto de 2011

Esteio: contando...

"Semaninha cumprida e comprida..." 55h...
Ontem, lecionei em Esteio: Literatura Infanto-juvenil, num dia de sol, ufa! 
Contei lá algumas histórias de minhas mochilas, inclusive da "virtual": A história de amor, de Regina Coli Rennó ,  Cocô de passarinho, de Eva Furnari, A arte do penico, de Jean Claverie e Michelle Nikli e outras... (secretas)
Quase voltei de vassoura da "terra da Bettanin", tamanha foi a imersão no "mundo maravilhoso da literatura..." 
Segue um conto para a próxima semana, Beijos!
A raposa e o gato
Um dia, o gato encontrou a raposa no bosque e disse para si mesmo: vou
cumprimentá-la. Ela é tão inteligente, tão experiente, tão respeitada por todo mundo...
E fez uma saudação amigável:
— Bom dia, querida Dona Raposa! Como tem passado? Como tem levado a
vida, agora que as coisas andam tão caras?
A raposa ficou inchada de orgulho. Olhou o gato de alto a baixo e levou
algum tempo para resolver se respondia ou não.
Finalmente disse:
— Dobre a língua, seu patife lambedor de bigodes, seu palhaço de meiatigela,
seu pilantra caçador de ratos, você não se enxerga? Quem você pensa que é?
Como ousa me perguntar como eu tenho passado? Quem é você? Que é que você
sabe? O que aprendeu? Que artes domina?
— Só uma — respondeu o gato, modestamente.
— E qual é, se mal pergunto?
— Quando os cachorros correm atrás de mim, consigo escapar, subindo
numa árvore.
— Só isso? — disse a raposa. — Pois eu sou senhora de mil artes e além
disso tenho um monte de truques que dariam para encher um baú... Fico de coração
apertado só de pensar como você é indefeso. Venha comigo, vou lhe ensinar a
escapar dos cachorros.
Justamente nesse momento, apareceu um caçador com quatro cachorros. O
gato deu um pulo rápido para o tronco de uma árvore e foi lá para cima, para o meio
da copa, onde as folhas e os galhos o esconderam por completo.
— Abra o baú, Dona Raposa, abra o baú! — gritava o gato.
Mas não adiantou nada. Os cachorros já tinham agarrado a raposa, que
estava bem presa e imóvel nas patas deles.
— Que pena, Dona Raposa! — disse o gato. — Veja a encrenca em que a
senhora está, com todas as suas mil artes. Se pelo menos soubesse subir em árvores,
 como eu, salvava a sua vida...

sábado, 23 de julho de 2011

10º Encontro Nacional de Educação- Montengro/RS

Essa semana foi muito legal: "terapia do riso, do reencontro, da revisão de compromissos docentes". Participei de um Evento Educacional da Rede Municipal de Ensino, na qual  atuo como Apoio pedagógico: supervisão escolar.
Encontro de professores "sempre rende"...
Uma das surpresas felizes foi o reencontro com duas ex-colegas: Maria Cristina Müller (colega de Mestrado) e Cristina Bohn (colega de Doutorado). Havia inúmeras salas e justo na sala em que eu fazia a interpelação dos painéis as duas estavam: " Oh! Mundão pequeno, redondo, generoso"... 
Entre um intervalo e outro "tricotamos"...
Também reencontrei uma professora que eu admiro muito, Maria Isabel da Cunha. E é na fala dela, "nesse evento", que centro esta postagem:
Temática: O professor como protagonista da história! (algumas anotações e transcrições de falas)
Questões iniciais:
O que é pensar a própria prática?
Essa reflexão deve acontecer cotidianamente ou em locais específicos?
Desafio atual: garantir a qualidade das práticas diante da democratização do acesso ao ensino.
Pequisas recentes revelam a relação entre bons profissionais da educação e a qualidade do ensino.
O grande problema para a Educação superar são os resquícios de 300 anos de Ciências Modernas e da neutralidade definindo o rigor científico. Pois que, o professor costuma "repetir" as suas vivências (enquanto aluno)  em sala de aula e, desse modo, a ignorância da subjetividade permanece coexistindo com tentativas inovadoras no movimento educativo. 
A inovação é que faz a ruptura e para que ocorra é preciso que as incertezas norteiem as práticas em sala de aula. 
Avaliações sobre a qualidade de ensino são importantes, contudo, os modelos que hoje são praticados ignoram o ponto de partida do processo de aprendizagem e só centram no ponto de chegada: "como se todos os alunos tivessem tido as mesmas experiências e as mesmas condições para aprender".
A formação continuada é um processo de influências (particular de cada sujeito). Ser professor é "querer estar na situação de aprendiz permanentemente e quem não quer isso deve ter a grandeza de procurar outra profissão". 
Lero-lero: Meu bloco voltou cheio e não transcrevi tudo aqui  pois algumas das considerações, que a Profa Mabel fez, requerem conhecimentos prévios, "um pedagogês" específico. Entretanto, adorei a fala: uma retrospectiva dos últimos 40 anos da Educação formal no Brasil. Aliás, também compartilho da ideia de que a profissão de docente precisa de comprometimentos específicos. Sempre digo para minhas alunas que (EU) desconheço bons professores que ao mesmo tempo sejam bons vendedores de Avon  nos "recreios". E que"cliente de professor" deve ser o aluno e o professor deve "vender" dúvidas, desafios, possibilidades, cordas-bamba! 
Se bem que... venda, compra e quaisquer outros bens simbólicos empresariais soam tão estranho... (?)
Beijos, fui! 


domingo, 17 de julho de 2011

Muitas alegrias em Veranópolis: final da disciplina!

Ontem, passei o dia em Veranópolis lecionando no curso de Pós- Graduação em Educação Infantil da Educinter. Foi a manhã dos "contos populares" e das "bonequinhas pretas". Tive  muitas alegrias e surpresas tanto com os contos escolhidos quanto com o preparo das alunas para contá-los. A Madalena ( filha de uma das alunas) fez questão ir junto para a aula e "ajudar a mãe" a contar  "Quem seria a escolhida?", além de distribuir sementinhas para o grupo. As bonequinhas feitas pelas alunas evidenciaram os gostos de cada uma, aliás, algumas bonecas chegaram a ficar parecidas com as donas... Incrível "como estamos em tudo que fazemos".
A foto que segue é da aluna Tamara (professora em Nova Prata) com sua grande boneca. A menina é Madalena de quem já  falei.


Recado: A professora Tamara manda um beijo para o ex-aluno Gabi que está morando em Santana do Livramento e é leitor do blog..."Diz para ele que temos muitas saudades"...

Seguem as outras bonecas confeccionadas pelas alunas de Veranópolis e o conto: "Quem seria a escolhida?".

Pequeno conto chinês:

Quem seria a escolhida?
Conta-se que por volta do ano 250 A.C, na China antiga, um príncipe da região norte do país estava às
vésperas de ser coroado imperador mas, de acordo com a lei, deveria se casar. Sabendo disso, ele resolveu fazer uma "disputa" entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta.
No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e
lançaria um desafio. Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.
Ao chegar em casa e relatar o fato à jovem, espantouse ao saber que ela pretendia ir à celebração, e indagou incrédula:
- Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da corte. Tire esta idéia insensata da cabeça; eu sei que você deve estar sofrendo, mas não torne o sofrimento uma loucura.
E a filha respondeu:
- Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca, eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, isto já me torna feliz.
À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções. Então, inicialmente, o príncipe
anunciou o desafio:
- Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China.
A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de"cultivar" algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos, etc...
O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado.
Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor. Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação, a moça comunicou à mãe que, independentemente das circunstâncias, retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe. Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena.
Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa.
As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente o príncipe esclareceu:
- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz. A flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.

Lero-lero: Fica a dica do conto da semana... Contar não é ler histórias... ! Beijos e boa semana!
Próxima parada: Esteio!