quarta-feira, 4 de maio de 2011

Bullying? Depende...

Bullying, olá! Bye!
No Brasil, o termo bullying vem sendo utilizado exaustivamente nas
mais diversas e inusitadas situações. Objetivamente, já é culpado por
quase tudo! Personalizado. A última blasfêmia com bullying nacional
(de repercussão grandiosa) foi a de um político que diz tê-lo sofrido
por parte de um jornalista. O agressor, de gravador apontado,
questionou a vítima sobre valores salariais provindos de acúmulos de
benefícios. O agredido, depois de um "ataque de fúria", que terminou
com o confisco da "arma", denunciou o bullying sofrido em plenário. E
alertou outras possíveis vítimas para o comportamento indevido da
imprensa. Esse "fenômeno" pode ter deturpado (de vez) o enunciado,
relegando-o ao campo do humor.
Uma piada! É o que o termo bullying, em verde e amarelo, está
parecendo. Vale esclarecer que, se fosse praticado com rigor
etimológico, que de acordo com a Wikipédia (29 de abr. 2011) é usado
para: "descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais
e repetidos, praticados por um indivíduo (do inglês bully, "tiranete"
ou "valentão") ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou
agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se
defender", caberia, no caso citado, que o "valentão do repórter"
tivesse repetidamente dito ao político: "Embolsando dinheiro do povo,
embolsando dinheiro do povo, embolsando...". Blá, blá, blá. E que em
resposta a essa humilhação, o "bullyinado" tivesse desenvolvido desprezo
pelo dinheiro público; autoprejudicando-se, pondo em risco suas
finanças, na adoção de um comportamento político-patológico sem
remuneração, totalmente voluntário! Piorado na exclusão pelo pares! No
isolamento! Digno de pena! Não foi o caso!
Hoje, ouvindo uma notícia no rádio, chamou-me a atenção uma manchete:
Bullying "empurra" jovens para a cirurgia de estômago. Ora essa!
Agora todos os descaminhos levam ao bullying?
Se jovens brasileiros estão chegando à adolescência empanturrados de
guloseimas e embutidos; se a sociedade, a mídia "esmagaram" outra
possibilidade de existência humana que não a do corpo sarado; se
jovens atuais não foram criados para suportar a inerente condição da
imperfeição humana, será simplificando tudo no uso do termo bullying,
que esses e tantos outros problemões distintos serão solucionados?
Está evidente que a tradução cultural do termo bullying foi feita de
forma incorreta por aqui, deturpou-se um bem (mal) simbólico alheio.
É preciso devolvê-lo (o quanto antes) e pedir desculpas pela demora,
pelo mau uso. Assim, talvez, os nomes certos das coisas voltem a ser
pronunciados. Volta para casa, bullying! Bye!
       (Maria Cristina Schefer)

(Publicado na Web Artigos:   03/05/2011 )

Lero-lero: Faltam-me "palavras" para emitir opinião sobre o caso do político e do jornalista (isso é amor antigo) . O fato é que bullying não foi. Não de acordo com o estatuto dessa palavra. Bullying nem sempre é a causa de algo, às vezes,  pode ser o resultado de uma situação de desconforto (particular) e então  é imaginário.  No caso da obesidade essa definição é possível. A pessoa está mal com seu peso e "acredita" que o mundo está com "os olhos e os dedos" apontados em sua direção.
Assim, é  preciso um certo cuidado com o uso das "palavrinhas mágicas": elas não resolvem todos os problemas. Ao contrário, desviam o olhar do problema real!

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