domingo, 28 de agosto de 2011

Para não dizer que não falei de Matemática... 1,2 feijão com arroz!

(A pedidos...)
Resquícios da "velha escola" e do cartesiano modo de ensinar, algumas práticas "petrificadas" continuam nas salas de aula, e a Matemática (apesar de situar os viventes no tempo) não conseguiu escapar das "ronhas" do copismo, da decoreba, do encher linhas. Como se a construção numérica pudesse ser aprendida  na repetição de traçados (muitas vezes seguindo os pontilhados).
A ideia de que as quantidades devem ser ensinadas gradativamente e que antes de um número ter sido exaustivamente "trabalhado" ele não pode entrar na sala de aula também continua presente em muitas escolas. 
Com essa postura frente ao sistema numérico o professor ignora em sua didática toda a "bagagem" Matemática que as crianças adquiriram até chegar à escola. Ignora a possibilidade de cálculos mentais, de relações significativas com o dia a dia, de problematizações.
Existe muita literatura em prol de uma Educação Matemática menos "cartográfica" e mais significativa e ao longo dessa postagem deixarei algumas indicações.
Entretanto, cabe lembrar que os gratuitos e acessíveis Referenciais Curriculares para a Educação Infantil (Volume III) orientam eficientemente sobre o trabalho com conceitos pré- numéricos e para a construção do número.
A produção de material pedagógico para ensinar Matemática deve ser encarada como um recurso facilitador na aprendizagem e não pode ficar restrita aos cartazes estáticos de numerais do 1 ao 9 com as devidas quantificações (também estáticas) que são fixadas no alto do quadro negro. Conforme Constance Kamii (1984) na obra, A criança e o número, oque garante que uma criança aprendeu a quantificar é a capacidade que desenvolve de solucionar situações problemas.
As antigas normalistas (quem foi lembra) tiveram como tarefa construir uma caixa de cálculos (obviamente diante da informação de que o concreto é pré-requisito para o abstrato- "lá,lá, lá"). Apesar desse paradigma ter ido ao léu, diante de novas pesquisas, o fato é que o material numérico desapareceu de muitas salas de aula (snif) e com ele as possibilidades de experiências numéricas lúdicas e prazerosas.
Na obra Ensinar matemática na Educação Infantil e nas Séries Iniciais (2006), Mabel Panizza recupera parte da História do ensino de Matemática e traz belas sugestões para o trabalho com a cartela numérica. Segue um "resumo" e algumas atividades que desenvolvemos na escola:
O nosso sistema numérico é de base 10. Desse modo, a partir do zero e de formações numéricas com zero é que se desenvolve. O trabalho com a cartela numérica (ou o uso do quadro decimal em sala é de suma importância). Apresentar a sequencia que forma a centena e trabalhar diariamente com os numerais ampliará (desde cedo) a gama de informações numéricas para as crianças. 
O

1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
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      100


O professor deve respeitar (nas problematizações) o nível de aprendizagem de cada turma. Exemplo: as crianças identificam e dominam até 30 – essa é a série numérica que pode ser lida “diariamente”, trabalhada e explorada. Deixando à vista uma dezena a mais do que já aprenderam.  O bom da tabela mais extensa do que a quantia já aprendida é que introduz a noção de continuidade. De infinito... (conceitos numéricos)
Dica MD: É importante fixar a tabela em local que permita às crianças a aproximação (também é possível reproduzi-la em tamanho A 4  e depois plastificar) para manuseio em duplas ou individual. Fizemos isso na escola e foi ótimo!
Exemplos de problemas:
Com material de contagem: canudinhos coloridos, botões.
Professor entrega fichas com números e pede às crianças que deem a quantia de canudos ao colega. Mesmo a criança não identificando, por exemplo, o nº 15, diante da tabela ela pode ir colocando botões até chegar ao quinze e então saberá qual a quantia que deve entregar.
Crianças comparam suas fichas e respondem as perguntas: Qual ficha representa maior quantidade? Qual  é a diferença?
Qual a família decimal do  9, do 11, do 21?
Quantos numerais há entre 9 e 14? Etc.
Adivinhas: é maior que 5 é menor que 7?
Exercícios para completar a cartela com os numerais que faltam.
Cobrir um numeral e questionar as crianças sobre sua ausência na cartela.
Dica MD 2:
Jogos com baralho:
Separe as cartas do baralho do Az ao 10:
Desenvolvimento:
 Faça um monte e cartas viradas.
E as crianças alternativamente viram as cartas e vão contando alternativamente: 1, 2, 3, 4, 5, 6. Quando a carta contada aparece a criança que “cantou” fica com o monte. Depois recomeçam partindo do 1. Pode ser acrescentado no monte um coringa e também podem fazer contagens regressivas.
Jogo de memória: Utilizando dois desses grupos de cartas.
Vira cartas:a-  As crianças vão virando alternativamente as fichas, quem levantar a carta maior carta recolhe a dupla.
b-   Par ou ímpar: uma criança só poderá recolher cartas pares e a outra, ímpares. Assim, alternativamente, vão virando as cartas e fazendo os seus montes.

 Investigação numérica:
                     Quais os números de nossa vida?

Eu: 

 Minha idade:_________
Dia de meu nascimento:_________
Número da certidão de nascimento:_________
Peso:________
Altura:________
Número do calçado:________
Minha casa: 
 
Número da casa:______________
Número das casas de seus vizinho:___________
Número do telefone:____________
Número da escola:_________________
Número do telefone da escola:_________________
Número do telefone do Conselho Tutelar:___________
Número do SAMU:______________
Número do Corpo de Bombeiros:_____________
Número da Brigada Militar:______________

Lero-lero: Realmente, sempre deixo a Matemática de lado, agradeço a dica da Aline "não tem nada de   Matemática no blog?" (aluna). Durante a semana postarei mais algumas sugestões de trabalhos com o Sistema Numérico que estamos desenvolvendo na escola. O tempo anda curto, muito curto! Mas a vida muito BOAAAAAAAAAAA!
Beijos, MD e 1, 2 feijão com arroz!

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