domingo, 21 de agosto de 2011

A verdade sem adornos


Um dia, a Verdade decidiu visitar os homens, sem roupas e sem adornos, tão nua como próprio nome.
E todos que a viam lhe viravam as costas de vergonha ou de medo, e ninguém lhe dava as boas-vindas.
Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, criticada, rejeitada e desprezada.
Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, trajando um belo vestido e muito elegante.
_Verdade, por que você está tão abatida? perguntou a Parábola.
_Porque devo ser muito feia e antipática, já que os homens me evitam tanto! respondeu a amargurada Verdade.
_Que disparate! Sorriu a Parábola. Não é por isso que os homens evitam você. Tome. Vista algumas das minhas roupas e veja o que acontece.
Então, a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola, e, de repente, por toda parte onde passava era bem-vinda e festejada.
Lero-lero: Esse conto judaico foi socializado num sarau de contos  por uma de minhas alunas em Veranópolis. Eliminei dele a última frase, ou melhor, a moral da história... Vá que (...) tenha alguém do mundo da Moda (ehehehe) que ache inspirador a dica de "roupinhas abstratas". O contador não pode prejudicar o ato criativo de ninguém e nem querer que alguém retire de um conto mais do que consiga "carregar". Beijos, bom domingo e ótima semana! 

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