terça-feira, 28 de maio de 2013

Sebastianismo em "letras capitulares"



      QUINTO / NEVOEIRO
                                                            (Fernando Pessoa)
    Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
    Define com perfil e ser
    Este fulgor baço da terra
    Que é Portugal a entristecer--
    Brilho sem luz e sem arder,
    Como o que o fogofátuo encerra.
    Ninguém sabe que coisa quere.
    Ninguém conhece que alma tem,
    Nem o que é mal nem o que é bem.
    (Que ânsia distante perto chora?)
    Tudo é incerto e derradeiro.
    Tudo é disperso, nada é inteiro.
    Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
    É a Hora!

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