quarta-feira, 13 de abril de 2011

Brincando com as transparências! (Indignando)

Transparência – sem chapéu!

Por mais que tentem evitar que transpareça, está transparecendo que, na reforma ortográfica, a palavra transparência foi esquecida. É que esse termo “tão em moda” anda deixando rastros estranhos e causando espanto!
Do ponto de vista gramatical, o vocábulo ainda pode ser sustentado. Entretanto, porém, todavia [...] deixem-me argumentar de forma mais transparente possível, não posso deixar transparecer que...
Mas [...] sem rodeios, não sei para vocês, mas [...] a mim a palavra transparência tem soado traiçoeira, ao ponto de os ouvidos ficarem de pé, quando, num noticiário de TV ou num programa de comportamento, alguém a pronuncia. Zumbe estranho, com eco: ência, ência, ência causa-me arrepios! O pior é que com isso, com o sussurro, parece que aquilo que o entrevistado tentava esclarecer permaneceu turvo, obscuro, fosco! Possivelmente, trata-se da materialização do paradoxo do enunciado. Algo crônico, congênito, gravíssimo!
Desse modo, como as reformas ortográficas já resolveram tantos “cânceres gramaticais”, talvez fosse o caso de os linguistas assumirem o esquecimento da transparência e incluírem um adendo no último acordo, e a revisão desse simulacro.
E já dando assim, de fora, uns “pitecos” (pois não podemos só ficar criticando): se acrescentarem um r a mais no termo, a eloquência duvidosa poderá denunciar o uso inapropriado.
O (fars) falante diria:
─Transparrência...
O entrevistador diria:
─ Como? Não entendi... Pode esclarecer melhor...
Ou quem sabe, se colocarem um z no lugar do s: tranzparência. Esse Z de Zorro denunciará a zebra que alguns tentam encobrir.
Mais fácil ou melhor ainda será se tirarem o acento circunflexo de transparência, o popular chapeuzinho... Pois, talvez seja ele que encobre as artimanhas do termo.
Assim, essa nova transparência, sem acento, não poderá mais servir para teledefender algumas coisas banais do tipo: Licitações “batizadas” – utilizadas como evidência da transparência pública – ou Editais simulados – que sugerem CPF, peso e estatura dos “aprovados”. Ou, ou, ou, ou...
Enfim, a nova transparencia impedirá tramoias administrativas, financeiras, políticas: a falta de transparência! Tão em moda...
E falando nisso, lembrei-me agora de uma amiga modista, que explicou o uso da transparência no mundo fashion: “O bom das transparências é que elas dão um formato novo, escondem as imperfeições, amenizam as falhas, impedem que mostremos aquilo que não queremos que seja mostrado...”
Tirei o chapéu para a explicação! Esse é que é conceito transparente de transparência!
E há quem acredite que, nesse mundo da moda, só tem futilidades... Eles, os estilistas, é que poderiam patentear o uso do termo para seu campo, e com chapéu: com muitos chapéus!
                                                                   (Maria Cristina Schefer)
(Publicado na Web Artigos: 10-04-2011)

Lero-lero: Ofereço essa "brincadeira com as palavras e com as transparências" às minhas queridas "purpurinas":  amiga Deise Laux (estilista em Caxias) e  filha Andressa Schneider (estudante de Jornalismo).

sábado, 9 de abril de 2011

Dia do índio: que tal um projeto que extenda essa data na folhinha?

Encontrei o site  que socializo (cliquem no título) pois achei muito interessante. E pode orientar um projeto escolar sobre os "fundadores do Brasil". O momento é mais do que oportunuo. Temos muitas questões que envolvem à dignidade da comunidade indígena em discussão. Escolas sendo fechadas em aldeias no Norte (contrariando à LDB), a usina sendo construída sem o devido respeito aos acordos ambientais e aos direitos humanos desse povo. (Artigos em Adital notícias)
Mais do que "brincar de índio" caricaturizando com penas e batom o modo de vestir  dos indígenas (que é inspirado na natureza), é preciso trabalhar na escola o direito pleno do índio.
Bom final de semana!

Obs:
Beijinhos para a Carol Damé (6 anos) que ontem me enviou um desenho muito lindo! Não consegui postá-lo (agora) pois nossos computadores são incompatíveis. É que o meu é de estimação: heheheh!  Um dia eu de$apego!


quarta-feira, 6 de abril de 2011

O que é importante (hoje) para justificar a prática da escrita?

@ cartinha
─ Aprender a escrever para quê?
─ Para uma porção de coisas...
─ Que coisas?
─ Para escrever uma cartinha a sua avó, por exemplo.
─ Cartinha? Como?
─ Você pensa em algo que queira dizer a ela. Escreve. E nós levaremos ao correio. De lá eles enviarão direto para a vovó.
─ E por que ninguém manda uma cartinha para nós?
─ É porque os tempos mudaram. Mas quando eu era pequena eu mandava muitas cartas para a “bisa”. Ela ficava bem feliz.
─ Mas, então, se nem é desta época mandar cartinhas, por que eu tenho que aprender a escrever?
─ Para ter um orkut, mandar e-mails, acessar o twitter, mandar mensagens pelo celular, acessar o site da turma da Mônica, etc.
─ Ah@ mãe! Por que não falou logo e pontocom?(!)

( Publicado em 05-04-2011 na Web Artigos)
 Lero-lero: O alfabetizador precisa  atualizar o discurso em defesa do aprendizado da escrita dispensando o popular argumento "Gabriela": eu nasci assim, eu cresci assim, eu fui sempre assim (eu ensino assim?).

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Um olhar para os sub-chefes, os segundos, os vices... (RH)

O cachorro e o poste do cachorro

Toda manhã Boris fazia o mesmo percurso até o poste em frente à casa dos donos. E, cumprindo um ritual, dava uma espreguiçada, cheirava o “parceiro- vegetal” e, depois, erguendo a perna até não poder mais, esvaziava a bexiga.
Todos, na vizinhança, conheciam e chamavam Boris pelo nome. E até nesse momento íntimo os “olhofotes” acompanhavam o puro schnauzer.
Notável era o orgulho do poste em ter sido o escolhido para servir àquele cachorro tão elegante. Tão cheiroso!
A cumplicidade entre o “mijante” e o mijado era tanta que os demais cachorros da rua desenvolveram um certo repúdio coletivo ao canteiro em que o ato ocorria. Espaço já impregnado daquela urina azul!
Certa vez, quando Boris estava se dirigindo ao “amigo-poste” sentiu uma fisgada na coluna... E, assim, decidiu que não seria boa ideia levantar a perna. Agachou-se e, antes de liberar o jato, ouviu a cachorrada gritar:
─ Assumiu a “cadelice” Boris? (!) Cachorrinho de madame deu nisso...
─ Cuidado com a micose de grama, vai ter que ir ao veterinário! Au, au... (gritou um desafeto).
─ Quem sabe já cortam fora de vez? (concluiu outro)
Boris meteu o rabo entre as pernas e, sem sucesso, correu à casa, deixando um rastro inevitável pelo caminho. Antes de alcançar o fio da calçada, ouviu ainda um último deboche:
─ Vai lá colocar um perfuminho francês?
Cheio de vergonha, Boris nunca mais voltou àquele canteiro. Logo escolheu uma árvore de tronco grosso em outra rua, atrás da qual poderia se esconder, caso uma nova dor surgisse.
Quanto ao amigo-poste?
Custou muito para recuperar a alegria, a moral, arranjar um novo parceiro, alguém que não sentisse nele o cheiro de Boris!
Afinal: poste marcado, poste feliz!
                                                                              (Maria Cristina Schefer)

Publicado na Web artigos: 03-04-2011