segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A trama da rede





  A TRAMA DA REDE
                                                                           Carlos Rodrigues Brandão

Essa é a trama da rede:
o tecido das trocas que fabricam
o pano de uma rede de dormir
enreda o corpo do homem na tarefa
de criar na máquina a rede com a mão.

A armadilha do trabalho em casa alheia
engole o homem e enovela todo o corpo
no fio no fuso na roda na teia
do maquinário da manufatura
que produz o seu produto: a rede
e reduz o corpo-operário à produção.
[...]


O corpo-bailarino que transforma
a coisa bruta em objeto
(a fibra em fio e o fio em pano)
e o objeto na mercadoria
(o pano pronto na rede e sua valia)
transforma o corpo do homem operário
em outro puro objeto de trabalho
pronta a fazer e refazer no fuso
aquilo de que a fábrica faz sua riqueza
de que, quem faz não se apropria.
[...]


Sob a trama do trabalho em tear alheio
o corpo não possui seu próprio tempo
e é inútil que lhe bata um coração.

O relógio interior do operário
é o que existe na oficina, fora dele,
de onde controla o tear e o tecelão.

De longe o dono zela por quem faz:
pela força do homem que trabalha,
não pela vida do trabalhador.
Aqui não há lugar para o repouso
ainda que o produto do trabalho
seja uma rede de pano, de dormir
e que comprada serve ao sono e ao amor.


Durante a flor da vida inteira
fazendo a mesma coisa e refazendo
uma operação simples de memória
o operário condena o próprio corpo
a ser tão automático e eficaz
que domine o gesto que o destrói.
A reprodução contínua, diária, igual
de um mesmo gesto repetido e limitado
todos os dias, sobre os mesmos passos,
ensina ao artesão regras de maestria
do trabalho que afinal então domina
através de saber sua ciência
com a sabedoria do corpo massacrado.
[...]


Quem fia e enfia?
Quem carda e corta?
Quem tece e trança?
Quem toca e torce?
A moça o menino.
A velha o homem.
Eles são, artistas,
parte do trabalho coletivo
que faz a trama da rede
e a rede pronta:
o objeto bonito do descanso
que inventa a necessidade
da servidão do trabalho
do corpo produtivo.


A dança ritmada desse corpo
de bailarino-operário de um ofício
de que o produto feito não é seu,
cria o servo de quem lhe paga aos sábados
Para o que sobra da vida de trabalho
do corpo de quem fez e não viveu.
O trabalho-pago, alheio e sempre o mesmo
obrigando o operário bailarino
à rotina de fazer sem possuir
torna-o, artista, servo do ardil
de entretecer panos e redes sem criar
e recriar-se servo sem saber.
[...]



Não conhece descanso o corpo na oficina.
Ele é parte das máquinas que move
e que movidas não sabem mais parar.
Os pés descalços prolongam pedais
os braços são como alavancas
e as mão estendem pontas de um fio
que existe no fuso e no tear.


O trabalho do corpo é o objeto
que o homem vende ao dono todo o dia.
O corpo-livre pertence ao maquinário
que o homem converte no operário
de que reira o preço do sustento:
a comida a cama a casa o agasalho
o que mantém vivo o corpo e o seu trabalho.

sábado, 18 de agosto de 2012

DISLEXIA X Alfabetização!




Lero-lero: Alfabetizar é preciso, entretanto, conhecer modos diferentes de aprender a ler e a escrever também. A dislexia é um distúrbio de leitura e escrita que requer estratégias diferenciadas durante a vida escolar e somente pode ser identificada diante de um olhar atento de pais e professores. Já o diagnóstico, que deve ter fim de prognóstico, o qual  definirá um plano de ensino individualizado, será de alçada de uma equipe multidisciplinar: fonoaudiólogo, psicólogo, psicopedagogo. E esses profissionais para terem certeza  do parecer (disléxico) encaminharão a criança a um neurologista. 
Somente um exame interno do cérebro poderá servir de  orientação para um tratamento medicamentoso. 
Encontrei na rede essa matéria acima e achei bem oportuna para esclarecimentos iniciais. Entretanto, é bom registrar que possuímos uma Associação Brasileira de Dislexiahttp://www.dislexia.org.br/, onde os alfabetizadores e familiares poderão buscar apoio ou , ainda, tirar dúvidas.
Beijo grande para a turma de Montenegro, passamos o dia hoje ponderando sobre o que está sendo possível realizar nas escolas para ajudar crianças com as mais diversas DIS/ lexia, calculia, grafia, ortografia! Lecionar é antes de tudo aprender e, assim, essas aulas foram muito proveitosas!
Ah, além disso, segue o endereço do dicionário de educação online: muito bom para um primeiro contato com as mais diversas dificuldades de aprendizagem:

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

EU, pouco ortodoxa? Imaginem! Calúnia!

Pois ói!
Negócio é o seguinte, antipedagógico é o que não ensina! 
Olhar de paisagem e  brincar de contente fazem parte  da arte(da)educação...
Alfabetização? Prefiro chamá-la de  "seleção natural de aptos" para viver no lindo mundo maravilhoso do Papai Smurf. (Glup)
Já, a tal da inclusão?
Tem me cheirado mais é exclusão tutelada por professorAAAASSSS atucanadas correndo feito "baratas tontas" para dar conta de uma tarefa escrita purpurinamente, sem cola,  para a EX-COLA da realidade...
O fato é que somente os ingleses (das zouporas) devem estar vendo alguns dos milagres referendados teoricamente.
 Ops! Já confundi novamente ciência e religião? E estou falando fora dos cunformes?
 Aí, que dor, que dificuldade teórico-metodólógica, de EXPRESSÂO!
Via de regra, dita assim, nessas falas: chique, rigorosa, precisa!
Entretanto, acho que  tenho solução e o oftalmologista (querido!) receitou-me óculos para perto e para longe...  Eta! Cegueira danada...
Remediada, antes tarde do que nunca.
O fato é  que não estava enxergando BEM: nehm, nhem!
Agora, minha visão está sendo claro-enquadrada em molduras brancas: N  A    P  A  Z... 
E com essa intervenção assistiva, estimo minhas próprias melhoras!  
E quanto à  não ortodoxia pessoalmente adquirida?
Hipoteticamente, pode ser resultante de uma síndrome morcegocrônica!
Porém, diante de um olhar multiDISCIPLINAR (oto, fono, neuro, psico) sistemático  e contínuo minha defasagem poderá ser amenizada...
Ansim, pra mió!

Lero-lero:
Dedico essa escrita a uma amiga querida, que juntamente com outras Supellas longipalpas,  mais uma vez, está se perguntando: "Por que não eu? Ah, não... Porque não eu?!"
Claro, na paz, com trilha sonora... Porque o sofrimento com trilha sonora é outra coisa! Chega a ser lindo, e depois não tem cheiro, né?
Ah, esqueci de referenciar, a citação acima que é do Kid Abelha, década de 80. 
Fui! Escutei uns bicos finos vindo aí!









sábado, 11 de agosto de 2012

Semaninhas daquelas... BENZA DEUS!

Buenas, comemoro que minha filha Andressa está empregada.... E lá, "num lugarzinho no meio do nada com sabor de chocolate e cheiro de terra (vermelha) molhada"... Pois é, ela está jornalistando em Panambi e, pelas nossas falas diárias, adorando a experiência. Acredito que vai ser saudável para a minha cria 1 essa estada com os tios e com a ponte do Fiúza... Andrea e Andressa juntas... Vai dar recital!
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Na última terça fui a São Leopoldo dar uma palestra para pais na escola Bem-me-quer, um escola da rede municipal de ensino: linda! "estrutura de escola particular". O tema da palestra foi: Infância, memória, mídias e consumo... Aproveitei e contei uma história... "As cabecinhas me seguiram, os olhinhos brilharam, e senti a decepção dos GRANDINHOS quando a trama terminou..." Juro que ouvi um : conta de novo" (?) Enfim, o recado foi dado: "A mão que balança o berço é a mão que governa o mundo." (William Ross Wallace) e, portanto, é preciso monitorar a babá midiática para que nossos filhos não VICIEM no consumo e não naturalizem a violência e o desamor...
Estarei com o grupo da Bem-me-quer novamente, dia 28,  no Fórum de Educação da Unisinos...
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Dois dias da semana estive em campo "com meus tubos de ensaio improvisados": periferia, escola, nove horas de falas,  possibilidades e fragilidades foram coletadas... Coletar não foi difícil, decupar e refletir  são o que têm me tirado o sono... (os sonhos continuam)
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Nunca mais levo pendrive em evento... Contaminei meu computador e perdi várias histórias... O pior é que a gente sabe o risco que corre, entretanto, insistimos  em desafiar a sorte!
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Acabo de voltar da comemoração do dia dos pais da escola de meus filhos (SINODAL PROGRESSO), evento lindo! Teve caminhada, passeio ciclístico, oficina de materiais para a produção de uma obra de arte coletiva, e ainda salchipão com guaraná. A  turma estava animadíssima, muitos familiares reunidos em alto som! Quando pensei em ir lá pedir para o DJ tocar... uma do... Ele, eu acho que previu,  soltou um RAUZITO: CAPIM GUINÉ! Tudo de bom! Adorei! Gosto de escola cheia, aberta, festejando no ritmo da clientela e sem MUROS!
Bjs e boa semana! Fim de férias para mim e já engatando uma primeira... rumo ao LITORAL NORTE! OB@!
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sábado, 4 de agosto de 2012

UM SÁBADO CONVERSANDO SOBRE OS ESTRANHOS...


Lero-lero: Segue o filme: O menino Urubu, conforme prometi para a turma de Montenegro (Pós- Graduação em Supervisão Escolar). Gentes finas, passaram o dia comigo revendo discursos que in/excluem... Discursos de Todos nós...
Segue um texto muito bom sobre as ideias de inclusão.
http://www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/13415/13415_3.PDF
Finalizo a semana na 'capa da gaita': três eventos, três cidades, três possibilidades a pensar...
Bjs e até!


O Menino Urubu part.2

SÓ DEZ POR CENTO É MENTIRA