sábado, 15 de setembro de 2012

E este Bolsa Família, afinal, é bom ou ruim?

Tenho conversado muito por aí, não sei mais dizer quando estou ou não em campo... Parece que o campo grudou em mim... Fiquei mais GENTE, menos projeto... Volte meia sinto vergonha de minhas ambições intelectuais, sociais, materiais... A existência sem rodeios é, num primeiro momento, chocante, depois revoltante, e acaba auto-repugnante... 
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 Ando mais intrigada do que nunca com o problema dos discursos, com os ditos populares do contexto escolar, com as representações coletivas (excludentes) e até com o  "lema" que ilustrou o convite de formatura da minha turma do Normal em 1985. Frase que eu própria ajudei a escolher.(TÓINNNN).  Faz tempo que venho repensando sobre a "beleza" daquele dizer e de tantos outros que "adentram" as escolas, a sociedade, as gentes  e que tomam proporções "grandanosas".
Deixem-me explicar, o pensamento eleito entre as normalistas de 1985 e que fez a plateia lagrimejar foi: "Ótimo que tua mão auxilie o voo, mas que ela jamais tome o lugar das asas".Tenho "escutado" muito essa frase, dita em outros termos e, geralmente, "encharcando"  falas de exclusão. Além dela,  também o célebre slogan de um programa educativo da década de 70: "ao invés de dar o peixe, ensine a pescar"... Visto que,
o que tem "justiceiro" definindo quando ou não se deve dar a mão, o anzol... O que tem de gentes sendo re- punidas pelas asas quebradas ou pela falta de dedos para segurar a vara...
Difícil é nos darmos conta das barbáries que  a vida capitalista e perfumada nos ensinou a praticar, a naturalizar, e a sublimar.
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Interessante são algumas das falas popularizadas sobre o Bolsa Família dentro de espaços escolares, alguns gestores  criticam "rebuscadamente" a concessão do benefício argumentando que essa vai contra os pensamentos citados no parágrafo acima: "é assistencialista, populista, e deixa os POBRES mal acostumados..." (dizem)
A possibilidade de alguém estar tão à margem a ponto de necessitar 'do mínimo do mínimo' para não viver somente daquilo que disputa com as moscas parece não ser compreensível para os NORMAIS.
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Mal acostumados com o que? Fico pensando... Com comida, com roupa, com brinquedo? Com coisas de humanos?

... Surpreendente é a justificativa para o abono de faltas escolares para as crianças dependentes de beneficiários do BF, incrível como tem sido consensual a alegação de que precisam "dar" presenças... para que as crianças não percam o dinheiro... (ops! Não é mais maldito!)
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Ou seja, dependendo do momento o BF é criticado ou salvo discursivamente...
Sempre gerando prejuízos para os "anjos de asas quebradas..."
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Ontem, lecionei em Caxias, e na volta fiquei quatro horas "engarrafada" no Vale do Caí, QUATRO! Um caminhão tombou ... A situação de 'sem saída' possui tantas dimensões: brandas para gente como eu e você leitor,  fatal para tantas outras...
Fiquei lá pensando...
E mesmo na escuridão pude ler as escritas da traseira do caminhão que parou na minha frente:
"O Rico pega o carro e sai ... O pobre sai e o carro pega!!!"
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Beijos, erros de escrita, corrijo amanhã... Dentro do texto fica difícil! Aliás, dentro das coisas, a visão é outra!





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