sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Natal com a turma da Mônica é sempre muito bom!

Existe missão mais nobre do que devolver uma estrela para o céu?
Segue uma narrativa linda para o mês do Natal, chamem os pequenos para a sala:
Cliquem no título e caiam dentro do Portal da turma da Mônica: muitos jogos virtuais e tirinhas bem bacanas para as férias (dias de chuva).

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Noite de Natal (Eduardo Galeano)

Fernando Silva dirige o hospital de crianças, em Manágua.
Na véspera do Natal, ficou trabalhando até muito tarde. Os foguetes espocavam e os fogos de artifício começavam a iluminar o céu quando Fernando decidiu ir embora. Em casa, esperavam por ele para festejar.
Fez o último percorrido pelas salas, vendo se tudo ficava em ordem, e estava nessa quando sentiu que passos o seguiam. Passos de algodão: virou e descobriu que um dos doentinhos andava atrás dele. Na penumbra, reconheceu-o. Era um menino que estava sozinho. Fernando reconheceu sua cara marcada para a morte e aqueles olhos que pediam desculpas, ou talvez pedissem licença.
Fernando aproximou-se e o menino roçou-o com a mão:
_ Diga para... _ sussurrou o menino. _ Diga para alguém que eu estou aqui.
Fonte: Livro dos abraços.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

53º no relatório PISA? Na, na, ni, na, não...

Levando em conta que a avaliação é feita em 65 países, conclui-se que o Brasil está muito distante do ideal... O que falta?
Professoras maluquinhas como as do Ziraldo, escolas de magia feito as do Harry Potter, experiências significativas como as do Franjinha... "Leiturização em todos os MORROS, para todos os sábios-sabiás:verde-amarelos!"...

sábado, 4 de dezembro de 2010

A coruja e a águia- Monteiro Lobato

Coruja e águia, depois de muita briga, resolveram fazer as pazes.
- Basta de guerra - disse a coruja. O mundo é tão grande, e tolice maior que o mundo é andarmos a comer os filhotes uma da outra.
- Perfeitamente - respondeu a águia. - Também eu não quero outra coisa.
- Nesse caso combinemos isto: de agora em diante não comerás nunca os meus filhotes.
- Muito bem. Mas como posso distinguir os teus filhotes?
- Coisa fácil. Sempre que encontrares uns borrachos lindos, bem feitinhos de corpo, alegres, cheios de uma graça especial que não existe em filhote de nenhuma outra ave, já sabes, são os meus.
- Está feito! - concluiu a águia.
Dias depois, andando à caça, a águia encontrou um ninho com três monstrengos dentro, que piavam de bico muito aberto.
- Horríveis bichos! - disse ela. Vê-se logo que não são os filhos da coruja.
E comeu-os.
Mas eram os filhos da coruja. Ao regressar à toca a triste mãe chorou amargamente o desastre e foi justar contas com a rainha das aves.
- Quê? - disse esta, admirada. Eram teus filhos aqueles monstrenguinhos? Pois, olha, não se pareciam nada com o retrato que deles me fizeste...
Para retrato de filho ninguém acredite em pintor pai. Lá diz o ditado: quem o feio ama, bonito lhe parece.
Fonte:Fábulas. São Paulo, Brasiliense, 1972. p. 10-11

Lero-lero: Na cidade onde passei a infância havia um programa de rádio chamado "Historinhas ao pé da cama". Era apresentado no final das tardes de sábado e eu, como muitas outras crianças, tinha "cadeira cativa" ao lado da "caixinha falante". Na escola, as histórias eram comentadas e recontadas nas segundas-feiras. Essa história das corujinhas fazia parte do repertório do contador-locutor: Tio René. Gosto muito de utilizá-la em reuniões de pais. Também tenho três corujinhas (lindas!) e, como mãe, volte e meia me pego fazendo o "discurso da ave mãe".

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A idade para aprender a ler...

"O lugar de estudo era isso. Os alunos se imobilizavam nos bancos:
cinco horas de suplício uma crucificação [...] Não há prisão maior do
que escola primária do interior. A imobilidade e a insensibilidade me
aterraram. Abandonei os cadernos e auréolas, não deixei que as
moscas me comessem. Assim, aos nove anos ainda não sabia ler." (RAMOS, 1993:188)
Fonte: Infância
Lero-lero: Apesar do autor narrar quão hostil era o ambiente escolar na sua infância (obra escrita em 1945) percebe-se, nesse relato, o quanto a condição de ser ou não leitor (com data marcada) imperava na sociedade e na mente infantil. Ainda bem! Hoje as coisas mudaram e, pelo menos na teoria, o tempo de cada alfabetizando é ímpar. Mais curioso, em se tratando de Graciliano, é o fato dele, julgado "retardatário no campo das letras", ter se tornado um dos maiores escritores de nosso país.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Tiririca em nova performance: "clap, clap"


Respeitável público!
Com vocês, a partir do dia 17 de dezembro, o deputado federal da alegria: Francisco Everardo, o TIRIRICA!
Viva à "Forentina"! Viva à absolvição desse brasileiro!
Andei muito ocupada, mas minhas mãos estavam ansiosas para teclar sobre o “diagnóstico de analfabetismo funcional” do Tiririca. Lamentei quando a justiça não chamou um pedagogo para aplicar o teste... Mas enfim, pelo menos a fonoaudióloga deu um parecer correto (que resultou na absolvição). E talvez, numa outra ocasião, a justiça chame um pedagogo para avaliar a audição de algum réu “que insista” em dizer que ouve...
Desabafo corporativo feito, seria um absurdo se o deputado federal eleito, Francisco Everardo Oliveira da Silva (nome extenso, de rei; sobrenome de presidente, de brasileiro) não pudesse usufruir da conquista nas urnas. Ele foi o mais votado do país e apesar de alguns creditarem essa vitória ao que chamam de “voto de protesto”, eu discordo. Pois, não acredito que 1,3 milhões de pessoas estejam usando as urnas para “inteligentemente” protestar... Via de regra, expressar “algo” de outro modo é coisa de letrado. É literatura! E se for isso, então os votos dados ao Tiririca também podem ser chamados de VOTOS INTELIGENTES...
Talvez o indizível, nessas circunstâncias, é que muitos eleitores consideram o Tiririca tão ou mais apto que os demais candidatos. Além da possibilidade ( não levada em conta) de que o povo compreendeu o discurso do candidato.
Dar ficha suja ao Tiririca (como queriam alguns) pelo fato de ser analfabeto seria insensatez. O Brasil é um país onde 14,1 milhões de pessoas não sabem ler (IBGE -2010) e em que a situação de analfabeto não é empecilho para votar. O problema das eleições vai além da instrumentalização técnica para a leitura, trata-se do analfabetismo político tanto de eleitores quanto de eleitos.
Meu desejo é que o deputado Francisco Everardo continue a alegrar o povo.
Cabe lembrar que, a origem da representação de palhaço (profissão do eleito) se deve aos lambuzões do passado, homens ordinários, periféricos, excluídos que “geravam” deboches. Segundo consta na Wikipédia (mas em outros termos) é na maquiagem e nas roupas do palhaço que a condição de “coitado” se evidencia: o branco ao redor da boca remete à espuma da cerveja onde afoga as mágoas, o nariz vermelho é o resultado de tanto bater com a cara no chão! Roupas largas e sapatos grandes, revelam vestes doadas. Desse modo, Tiririca será rei em Brasília e não o "bobo da corte". Ele representa uma vasta categoria que supera o seu eleitorado.
("clap, clap")
Informação: De acordo com Irina Borlowa, diretora da Unesco, de cada três analfabetos no mundo, dois são mulheres. (dados de 2010)
Sugestões:
1- A história do Tiririca “humilhado nacionalmente” pelo fato de não ter um atestado de frequencia escolar, lembrou-me o filme O leitor e deixo como dica para os alfabetizadores, juízes, políticos, "fonos"...
2- Dia 10 de dezembro é o dia do palhaço, que tal um projeto de estudos sobre esse personagem mundial que trabalha em prol da alegria?
Nessa ação será possível estudar os principais palhaços brasileiros, organizar um sarau de piadas, oficinas de cambalhotas, festa à fantasia, etc. A alegria vai tomar conta da sala!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

GOLS DE COCURUTO- Luis Fernando Verissimo

O melhor momento do futebol para um tático é o minuto de silêncio. É quando os times ficam perfilados, cada jogador com as mãos nas costas e mais ou menos no lugar que lhes foi designado no esquema - e parados. Então o tático pode olhar o campo como se fosse um quadro negro e pensar no futebol como alguma coisa lógica e diagramável. Mas aí começa o jogo e tudo desanda. Os jogadores se movimentam e o futebol passa a ser regido pelo imponderável, esse inimigo mortal de qualquer estrategista. O futebol brasileiro já teve grandes estrategistas cruelmente traídos pela dinâmica do jogo. O Tim, por exemplo. Tático exemplar, planejava todo o jogo numa mesa de botão. Da entrada em campo até a troca de camisetas, incluindo o minuto de silêncio. Foi um técnico de sucesso mas nunca conseguiu uma reputação no campo à altura de sua reputação no vestiário. Falava um jogo e o time jogava outro. O problema do Tim, diziam todos, era que seus botões eram mais inteligentes do que seus jogadores. (grifos nossos)
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/08/1993.

Lero-lero: Tal narrativa (implacável) pode ser lida como analogia ao planejado e ao realizado nas escolas. Ou melhor, ao distanciamento entre propostas pedagógicas (gestadas pelas elites escolares) e o resultado prático do ensino "pensado". Trabalho em equipe se faz no comprometimento de todos, tendo por base o entendimento de uma proposta somado à competência técnica para efetivá-la. Caso contrário, é pedagogia de Cocuruto ou "enlatada": sem golos!