terça-feira, 31 de agosto de 2010

Ronronando...

(Vantouir Roberto Brancher)

Hoje achei um gato. Parece loucura, mas achei um gato. Pintado, gordinho, brincalhão, até bem comportado, mas um gato.
Levo “Ronron”. “Thor”, “Miau” ou “sei lá que nome” para casa:
- Amor, tu queres um gato?
- Eu quero, mas quem vai cuidar?
- Adorei o gato!
Comecei a pensar, quanto tempo perderei cuidando do gato. No futuro, quando tiver minha casa, quando não mais morar em apartamento, poderei ter um gato. Mas não será Ronron – esse foi o nome que dei ao gato – e gostei tanto do gato e acho que o gato gostou de mim.
Busco areia numa caixinha para Ronron. Ele faz o “trabalho”. Até ensinado é o bichinho.
Deve ter dono!
E se o dono aparecer?
Penso de novo no processo de cuidar do gato.
Penso também em deixar para ter gatos e cachorros posteriormente.
Rousseau (1979, p. 61-65), no livro Emílio, uma de suas célebres obras, também fala dos sujeitos que deixam sempre o prazer e a felicitude para depois e nos diz: “Ouço de longe os clamores dessa falsa sabedoria que nos bota incessantemente fora de nós, menospreza sempre o presente que, visando sempre a um futuro que de nós se afasta a medida em que avançamos, à força de nos transportar para onde não estamos nos transporta para onde nunca estaremos. [...] Que mania tem um ser tão passageiro como um homem de olhar sempre ao longe num futuro que vem tão raramente, negligenciando o presente de que tem certeza!”
Ronron foge!
E se ele voltar, o que farei?
Quanto tempo terei para ele?
Quando olharei para as coisas que me deixam feliz hoje?
Até quando vou esperar para tentar ser feliz?
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Obs:
Conheci esse escritor a poucos dias, um pedagogo, cheio de vivências acadêmicas. Foi empatia à primeira vista. Essa crônica faz parte de seu livro Críticas e Reflexões da/na sociedade: visão cronística do ser. É um professor "maluquinho".
Escolhi "Ronronando" para postar porque, aqui em casa, levamos 19 anos para comprar um cachorro... Sempre encontrávamos uma desculpa:criança pequena, outra criança pequena, outra criança pequena (deu três? Parou...).
Enfim, chegou a vez de termos um cachorro.
Há dois anos temos a Didi, nossa cadela. Os primeiros meses de convivência com a "monstrinha", que destruía tudo, foram difíceis.
Hoje não compraria mais um cachorro. Adotaria. Afinal, é pela alma deles que nos apaixonamos...
Minha comadre (Paty) é uma defensora dessa ideia. Ela recolhe e cuida de animais abandonados e busca (virtualmente) famílias que queiram adotá-los. Dedica boa parte do seu tempo encontrando casas para "Ronrons e Au aus" em Caxias do Sul-RS. Trabalho gratuito, que desenvolve nos horários de folga. Assim como ela, várias pessoas nesse "mundão de Deus" mantêm correntes de soliedaridade em prol dos animais. E essa "cultura da paz" pode e precisa ser ensinada na escola, Marias.
Lembrando que: "O cachorro sai igual ao dono".
Porque a lembrança é necessária?
Porque tem muito dono de cachorro ensinando os bichinhos a depositar seus dejectos nas calçadas. Sem falar nos que utilizam as pracinhas públicas como caixa de areia (auto-limpante).Esses proprietários de animais ignoram os pedestres,as crianças e as doenças que podem estar proliferando.
Para criar animais é preciso educação, e respeito, não só pelos bichos, mas também pelos humanos!

(Esses quatro "Ronrons" foram abandonados, no último dia 30, em frente à uma residência em Caxias do Sul, ainda com o cordão umbilical.)

Ficou com vontade de adotar ou de estudar o tema do abandono e da criação de animais domésticos com a sua turma?
Busque informações no site:
http://www.amorviralata.com.br/

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