Hoje achei um gato. Parece loucura, mas achei um gato. Pintado, gordinho, brincalhão, até bem comportado, mas um gato.
Levo “Ronron”. “Thor”, “Miau” ou “sei lá que nome” para casa:
- Amor, tu queres um gato?
- Eu quero, mas quem vai cuidar?
- Adorei o gato!
Comecei a pensar, quanto tempo perderei cuidando do gato. No futuro, quando tiver minha casa, quando não mais morar em apartamento, poderei ter um gato. Mas não será Ronron – esse foi o nome que dei ao gato – e gostei tanto do gato e acho que o gato gostou de mim.
Busco areia numa caixinha para Ronron. Ele faz o “trabalho”. Até ensinado é o bichinho.
Deve ter dono!
E se o dono aparecer?
Penso de novo no processo de cuidar do gato.
Penso também em deixar para ter gatos e cachorros posteriormente.
Rousseau (1979, p. 61-65), no livro Emílio, uma de suas célebres obras, também fala dos sujeitos que deixam sempre o prazer e a felicitude para depois e nos diz: “Ouço de longe os clamores dessa falsa sabedoria que nos bota incessantemente fora de nós, menospreza sempre o presente que, visando sempre a um futuro que de nós se afasta a medida em que avançamos, à força de nos transportar para onde não estamos nos transporta para onde nunca estaremos. [...] Que mania tem um ser tão passageiro como um homem de olhar sempre ao longe num futuro que vem tão raramente, negligenciando o presente de que tem certeza!”
Ronron foge!
E se ele voltar, o que farei?
Quanto tempo terei para ele?
Quando olharei para as coisas que me deixam feliz hoje?
Até quando vou esperar para tentar ser feliz?
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Obs:
Conheci esse escritor a poucos dias, um pedagogo, cheio de vivências acadêmicas. Foi empatia à primeira vista. Essa crônica faz parte de seu livro Críticas e Reflexões da/na sociedade: visão cronística do ser. É um professor "maluquinho".
Escolhi "Ronronando" para postar porque, aqui em casa, levamos 19 anos para comprar um cachorro... Sempre encontrávamos uma desculpa:criança pequena, outra criança pequena, outra criança pequena (deu três? Parou...).
Enfim, chegou a vez de termos um cachorro.
Há dois anos temos a Didi, nossa cadela. Os primeiros meses de convivência com a "monstrinha", que destruía tudo, foram difíceis.
Hoje não compraria mais um cachorro. Adotaria. Afinal, é pela alma deles que nos apaixonamos...
Minha comadre (Paty) é uma defensora dessa ideia. Ela recolhe e cuida de animais abandonados e busca (virtualmente) famílias que queiram adotá-los. Dedica boa parte do seu tempo encontrando casas para "Ronrons e Au aus" em Caxias do Sul-RS. Trabalho gratuito, que desenvolve nos horários de folga. Assim como ela, várias pessoas nesse "mundão de Deus" mantêm correntes de soliedaridade em prol dos animais. E essa "cultura da paz" pode e precisa ser ensinada na escola, Marias.
Lembrando que: "O cachorro sai igual ao dono".
Porque a lembrança é necessária?
Porque tem muito dono de cachorro ensinando os bichinhos a depositar seus dejectos nas calçadas. Sem falar nos que utilizam as pracinhas públicas como caixa de areia (auto-limpante).Esses proprietários de animais ignoram os pedestres,as crianças e as doenças que podem estar proliferando.
Para criar animais é preciso educação, e respeito, não só pelos bichos, mas também pelos humanos!
(Esses quatro "Ronrons" foram abandonados, no último dia 30, em frente à uma residência em Caxias do Sul, ainda com o cordão umbilical.)Ficou com vontade de adotar ou de estudar o tema do abandono e da criação de animais domésticos com a sua turma?
Busque informações no site:
http://www.amorviralata.com.br/
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