Autor: Zeila Miranda Ferreira
Cleidiene Dias de Souza*
Suzana Silva Dutra Pereira**
Zeila Miranda Ferreira***
Introdução
A televisão assumiu papel predominante na socialização da criança e do jovem brasileiro. É também, o meio de informação e formação mais democrático do país, por estar presente na maioria dos lares brasileiros. É considerada por muitos estudiosos como a mídia dominante na cultura contemporânea.
O estudo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD 2005), mostra que o número de famílias brasileiras com televisor em cores é maior do que o das que desfrutam de serviços adequados de saneamento. Essa situação ocorre em todas as faixas de renda e em todos os Estados, embora a diferença seja maior entre os mais pobres. No Brasil, há 162,9 milhões de pessoas que moram em domicílios com televisão (TV) colorida - 32,3% a mais do que os 123,2 milhões que estão em domicílio com rede coletora de esgoto ou fossa séptica (BRASIL. PNAD, 2005). Esses dados comprovam que esse meio de comunicação é acessível a todas as classes sociais, como um dos principais meios de entretenimento; sua aquisição independe de incentivos e ações governamentais.
Um dos programas exibidos pela televisão é o telejornal.- uma mídia que contribui para disseminação da cultura midiática e de informações diversificadas. O telejornal é um programa que dura entre segundos e horas. Divulga notícias dos mais variados tipos, utilizando imagens, sons e, geralmente, narração por um apresentador (chamado de âncora, no jargão profissional).
Os canais de televisão podem apresentar telejornais como parte da programação normal transmitida diariamente ou mais freqüentemente, em horários fixos. Consiste em uma cobertura de várias notícias e outras informações, produzida localmente por uma emissora, ou por uma rede nacional. Pode também, incluir material adicional como notícias de esportes, previsão do tempo, boletins de trânsito, comentários e outros assuntos. O telejornal pode ser usado na sala de aula, como um recurso pedagógico. Mediado pelo professor, pode ser importante instrumento para promover ensino e aprendizagem.
Desta forma, este trabalho tem como objetivo geral analisar o telejornal como recurso didático-pedagógico e tecnológico para a construção de conhecimento e formação crítica dos alunos do Ensino Fundamental. Daí a necessidade de discutir sobre a influência do telejornal no cotidiano de alunos e professores telespectadores, de identificar a formação inicial e contínua de professores reflexivos e pesquisadores para explorar o telejornal na sala de aula na perspectiva da construção de conhecimentos. Também, sugerir ações didáticas para implementar a prática pedagógica dos professores. São esses os objetivos específicos do estudo.
A problemática que deu origem à pesquisa é: de que modo o telejornal pode ser explorado pelo professor de 1ª à 4ª série do Ensino Fundamental como recurso didático-pedagógico e tecnológico para a construção de conhecimentos?
Vale salientar que não se tem aqui, a pretensão de esgotar as possibilidades de uso didático-pedagógico do telejornal, mas propor subsídios para fermentar a criatividade do professor-mediador na perspectiva da construção de conhecimentos e formação do aluno-telespectador crítico e consciente. Além de algumas reflexões teóricas, ao final deste artigo, propõe-se um roteiro simplificado com algumas sugestões para trabalhar o telejornal na sala de aula, que pressupõe total liberdade de adaptação à realidade de cada professor, aluno e realidade escolar.
Cultura escolar X cultura midiática: é possível integrá-las?
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, art. 2º, atribui à educação, a finalidade do pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. A Escola deve formar o indivíduo para interagir com a realidade em que vive e, dessa forma, tudo o que constitui essa realidade deve ser objeto de trabalho da escola, como afirma Lourenço (1999).
Nessa direção, a televisão como meio de comunicação que apresenta e representa a realidade vivida, deve ser analisada para que se efetue uma leitura crítica da apresentação/representação que ela faz do mundo no qual os alunos vivem. Deve-se proporcionar assim, a formação de uma concepção que leve-os à reflexão sobre valores, crenças e comportamentos (CARNEIRO, 2001, p.7). Também compreender que o processo de ensino e de aprendizagem, a construção de conhecimentos, a comunicação, o diálogo, a interação, estão diretamente ligados à cultura televisual. Esta por sua vez, é estruturada por dinâmicas comerciais que levam o telespectador a receber informações, valores, saberes, padrões de consumo.
Ainda segundo o autor, a educação deve abrir-se para o mundo da TV, torná-la objeto de estudo, conhecê-la, analisá-la criticamente, responsabilizar-se por estabelecer situações de comunicação entre gerações, entre culturas e incorporá-la ao contexto pedagógico. Deve-se estudar a relação educação e televisão de diferentes perspectivas, que se complementam com base na educação para uso seletivo da TV, na educação com a TV e na educação pela TV.
Desse modo, a presença da televisão contribui para influenciar como comportar, o que pensar, sentir, em que acreditar, o que temer e desejar - e o que não (KELLNER, 2001. p.10). Portanto, por sua influência na vida das pessoas, cabe integrar os programas televisivos ao currículo escolar para torná-lo mais atrativo e interessante, com a possibilidade de ampliar a visão de mundo dos alunos, torna-la mais crítica e possibilitar a construção de conhecimento dos mesmos.
O desenvolvimento relativo à visão crítica da mídia televisiva, entendida aqui, segundo o/a autor (?) como uma mediadora eletrônica que permite a comunicação entre quem fala e outro que ouve (emissor e receptor), a troca entre quem emite um sistema de sinais (imagens, sons, letras, etc.) e quem os recebe. Assim sendo, os programas televisivos podem se constituir em um aprendizado para se conviver num ambiente cultural diversificado, adquirir mais autonomia, mais conhecimentos e produzir novas formas de cultura.
Neste contexto, torna-se indispensável a distinção entre cultura escolar e cultura midiática. Para Jacquinot (1998), a cultura transmitida pela escola por meio das disciplinas, geralmente, é voltada para o passado, repousa sobre a lógica da razão, baseia-se fundamentalmente na durabilidade de informações e conhecimentos e a instituição escolar tem como finalidade formar cidadãos. Enquanto que a cultura transmitida pelos meios midiáticos divulga os acontecimentos atuais, a efemeridade, enfatiza o consumismo e por conseqüência, tenta formar potenciais consumidores. Persiste, entretanto, a dicotomia entre a função da escola em formar cidadãos críticos e o objetivo dos meios midiáticos em formar consumidores.
E ainda, o aprendizado obtido pelo estudo dos recursos midiáticos valoriza a subjetividade enquanto a objetividade é subjacente a todas as disciplinas ensinadas na escola. Pode-se declinar também outras oposições, notadamente em aproximação aos modos de apropriação do conhecimento, esclarece Jacquinot (1998).
Portanto mesclar as culturas midiática e escolar deve permitir a construção do saber cada vez mais próximo da realidade, da vivência do aluno. A escola possibilita a construção do saber e a mídia por sua vez não deixa de complementar com fleches de informação, mesmo que fracionada, partes do conhecimento como um todo. Torna-se evidente a necessidade de se estabelecerem vínculos entre os conteúdos das disciplinas escolares, as diversas aprendizagens no âmbito da escola e a realidade cotidiana.
http://www.artigonal.com/ciencia-artigos/o-telejornal-como-meio-didatico-pedagogico-para-o-professor-no-ensino-fundamental-3743226.html
Perfil do Autor
* Especialista em Estatística pela UFU-MG, professora da rede municipal de ensino de Uberlândia e aluna do Curso de Especialização em Tecnologias Digitais Aplicadas a Educação pela UNIMINAS. cleidienedias@yahoo.com.br
** Especialista em Educação: O Processo Ensino-Aprendizagem: Uma Fundamentação Filosófica - Antropológica e Técnico-Pedagógica, pela FC-SP Faculdades Claretianas. Professora da rede municipal de ensino de Uberlândia e aluna do Curso de Especialização em Tecnologias Digitais Aplicadas a Educação pela UNIMINAS. suzanasdp@netsite.com.br
*** Professora da União Educacional Minas Gerais - UNIMINAS. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo - FEUSP. zeilamf@uniminas.br
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