segunda-feira, 28 de junho de 2010

E agora José? - Carlos Drummond de Andrade

Temos vários exemplos, de que, quando a "literatura pura" cai nas graças do povo, passa por um processo de tradução cultural.
É cada vez mais comum proferirmos a senteça : "E agora José?" (diante de um problema sem solução) seguida, às vezes, de outro dito: "caso ou compro uma égua?"...
Enfim, eu estava numa farmácia e me chamou atenção a fala de um senhor que, impossibilitado de comprar seus medicamentos ($$$), olhou para a balconista e disse: "E agora José?". A moça ficou com o semblante vermelho, possivelmente certa de estar presenciando "um lapso de memória do idoso"...
Então, vamos a origem do que chamarei de "dito popular contemporâneo"... Tudo começou com Drumond... 1942

José

E agora, José?

A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?

e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?


Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?


E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?


Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?


Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…

Mas você não morre,
você é duro, José !

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !

domingo, 20 de junho de 2010

Práticas de um "criançólogo"

No último sábado(19) eu fui brincar com as professoras da Rede Pública Municipal de São Marcos (Educação Infantil e 1ºano das Séries Iniciais). Brincamos de muitas coisas legais e refletimos sobre a necessidade de ser instalado nas salas de aula um "brinquedrômetro" afim de que a brincadeira possa ser medida com rigor, pois o brincar é a linguagem da infância. E, para educar crianças, o professor precisa assumir um compromisso técnico com a LUDICIDADE.
Assim, ao som de uma "chuvinha" no telhado de zinco, estudamos um pouco da história do brinquedo e da sua relação com a história da humanidade, das famílias, das infâncias.
Enquanto eu planejava essa assessoria, "visitando" a rede, encontrei alguns brinquedos muito interessantes: "brinquedos especiais". Socializo com vocês ("Marias") para que passem adiante e desejo muita diversão na semana que começa.

"Alegria é a prova dos nove".
(Oswald de Andrade)

A caçada:
Na floresta (quadra) um grupo de crianças será de caçadores, outro de tigres e outro de ursos. Tigres e ursos ficam posicionados em lados opostos, limitados por uma marca.
Os "caçadores" saem à procura das "feras". O chefe da caçada grita: que venham os...
Então, o grupo chamado deve mudar de lado na quadra. Os caçadores devem tentar pegá-los antes que atravessem a "mata".

Criador e criatura:
2 grupos- uma coluna de criadores e outra de criaturas. Uma linha divisória na quadra.
Desenvolvimento: um adulto diz, criador e criatura caminham para o encontro... Contudo, era o dia do... Se for dito criador as criaturas devem retornar imediatamente para o local de onde partiram, perseguidas pelo criador.

O galo e a galinha:
Na quadra (galinheiro) desenham-se círculos (ninhos) onde ficarão: uma galinha e um galo. Espalham-se aleatoriamente ovos (bexigas com água dentro). Ao som do apito, os galos devem sair correndo e recuperar os ovos da sua galinha. Contudo, eles precisam jogá-los nas mãos da galinha e ao mesmo tempo fugir de uma criança escolhida para representar a raposa.
Vence a dupla que o galo não for pego pela "raposa" e conseguir o maior número de ovos.

Figuras geométricas:
Na quadra devem ser desenhadas figuras geométricas: retângulo – triângulo- quadrado- círculo. As crianças dançam aleatoriamente ao redor. Com uma caixa de blocos lógicos a professora faz escolhas aleatórias e problematiza: 5 no triângulo e 10 no círculo, etc .
O mesmo pode ser feito com cores: quem tem (sorteia) azul na roupa corra para o círculo. Quem tem (sorteia) vermelho vá para o quadrado, etc.

Conjuntos corporais: Ao som de uma música as crianças dançam. Na pausa do volume a professora definirá os conjuntos a serem formados, ex:
7 bundas- 3 nariz- 8 joelhos – 7 costas- 9 cabeças e assim por diante.

Brincadeira doce: Cada criança recebe 5 balas, ao som de uma música irá passear pela quadra. A cada vez que a música parar as crianças deverão abraçar um colega e lhe dar uma bala. Quem recebe a bala não pode dar na mesma hora, nem para o mesmo colega. No final contam-se com quantas balas cada um ficou.

Múmia:
Material: um rolo de papel higiênico.
Desenvolvimento: Em duplas. Ao sinal do professor, um colega deve iniciar a mumificação do outro com o papel higiênico. Terminado o trabalho, todos juntos contam até dez. Assim que o último número for dito, as múmias deverão "acordar" e pegar o(s) mumificadores. Quem for pego será o próximo a ser mumificado.

Brincadeira campeira: joga-ovo
Duas crianças- um ovo in-natura. Ao sinal, as crianças vão jogando o ovo e dando passos para trás aumentando, a cada jogada, a distância entre si. Perde quem deixar o ovo cair.

Brincadeira à francesa: arremesso de chinelas.
Duas marcas no chão: uma linha de saída e outra de chegada.
As crianças lançam as chinelas do próprio pé e vence quem arremessar mais longe.

Bola pra cima:ou pega, ou paga mico.
Material: bola de água e um saco de "micos"( prendas a serem pagas).
Um jogador joga para o alto uma bexiga com água e grita o nome de um colega, esse deve pegar a bola e, se deixá-la cair, pagará um mico.

Transporte de frutas:
Sem saber o motivo, duas duplas dividem o restante da turma. Ao sinal do professor, as duplas devem transportar, um a um, cada membro da equipe (fruta) que escolheu. Vence quem transportar primeiro para o outro lado da quadra (estrada) a sua carga.

Bonequinho de pau
Eu sou bonequinho de pau
Blim blau
Me nome é José Pica-pau
Blim blau
Já sei me abaixar
Pros lados olhar
Também sei bater palminhas no ar

Bonecos de pau e de mingau:
Eu sou um boneco duro
Duro que nem um pau
Quando eu mexo a
Todo mundo mexe igual
Eu sou um boneco mole
Mole que nem mingau
Quando eu mexo a (o) ...(cabeça, perna, braço, pescoço)
Todo mundo mexe igual

Mexendo!
Em duplas:
Eu quero me mexer assim...
Eu quero me mexer assim...
Mexa-se coleguinha
Mexa-se igual a mim

Remelexo:
Põe a mão na cabeça
Põe a mão no umbigo
Dá um remelexo no corpo
Dá um abraço no amigo

Bicharada:
Lá vem vindo a bicharada cantarolando pela estrada
É o pato: quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá, quari: quá, quá
É o boi:
É o cavalo:
É o macaco:
É a cobra:
É o porco:
Todos juntos...

Não esqueçam das tradicionais rodas cantadas:
A canoa virou
Se eu fosse um peixinho
Ciranda, cirandinha
Terezinha de Jesus
A linda rosa juvenil
O galo e a galinha
Atirei o pau no gato
Meu limão
Pezinho, e...

Os brinquedos especiais:
FONTE:
http://deficientealerta.blogspot.com/2010/05/bonecas-incriveis.html







Para finalizar: a boneca, lançada no Brasil, que tem o mérito da difusão dessa idéia de brinquedo especial ou de inclusão no mercado nacional (já que os brinquedos acima não estão no mercado comum)."Que os fins justifiquem os meios": essa é a boneca Aline Moraes. Podia ser menos "Barbie", não é?

domingo, 13 de junho de 2010

Sabem o que eu fiz nesse sábado?

Eu contei histórias para adultos, adolescentes e crianças. Foi numa integração entre as famílias na escola dos meus filhos: Marina (11) e Klaus (6). Que histórias?
De amor, de sapos, de fazer sonhar...
Vi muitos adultos emocionados com as narrativas. E que bom, que as coisas simples continuam encantando!
Assim "Marias", já escolheram as histórias desta semana?
Uma grande aula precisa ter uma história.

E, que tal a do...

Papagaio real (Câmara Cascudo)
A pena do Tatanguê (na obra Literatura oral para a infância e a juventude- Henriqueta Lisboa)
O vaqueiro que não sabia mentir (na obra Armazém do folclore - Ricardo Azevedo)

Boa semana!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sugestões de atividades para o trabalho com Artes. E viva a "pocheca"!


(obra de Mestre Vitalino)

Na educação infantil o espaço para experiências prazerosas com os mais diversos materiais deve ser garantido. As produções artísticas precisam permitir movimento e possibilitar a exploração. As idéias de 'técnicas' ou de trabalhos padronizados necessitam ser abandonadas, pois, além de inibirem, delimitam a criatividade e desrespeitam o ritmo de cada criança.
Uma forma de possibilitar um trabalho nessa perspectiva, 'da diversidade', é a organização de ateliês na escola, onde a criança possa escolher tanto os suportes de trabalho (papéis, sucatas, lixas, tecidos, argilas...) quanto os os instrumentos para marcá-los (tintas, colas, tesouras, pedras, parafusos, giz pastel, carvão vegetal, giz de cêra, canetas de várias espessuras e, por vezes, o tradicional lápis de cor).
Esses espaços devem ser organizados de maneira que permitam a locomação e a "lambança".
Alguns educadores insistem no fato de que os pais não querem que as crianças sujem as roupas e, que, por isso, acabam oferecendo apenas materias corriqueiros: as tradicionais folhas A4, o lápis de cor e o giz de cêra. É preciso que a escola 'ciente de seu papel' informe aos pais a proposta de trabalho em Artes, e que o professor se apodere de seu papel 'técnico' de educador.
Afinal, criança aprende a organizar "organizando", aprender a criar "criando", aprende a solucionar problemas "problematizando". Ou seja, as experiências com Artes podem restringir ou ampliar seus conhecimentos!

“Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante”.
(Antoine de Saint-Exupéry)


Que tal algumas atividades que permitam o trabalho nessa perspectiva? Que tal um Projeto de Artes?

1)Reconstrução de figuras humanas:
O professor solicita que as crianças recortem uma figura humana e partam em: cabeça- tronco- membros.
Ao som de uma música será feita a troca das partes entre as crianças (a cada vez que a música é interrompida, o professor vai sugerir uma troca) exceto da cabeça.
Feito isso:
Em grupos, de 5 participantes, será feita a criação de um cenário sobre papel pardo e a montagem das figuras - nesse momento, devem ser eliminados as pernas e os braços (ficando apenas com pés, mãos, tronco e cabeça) os membros retirados serão substituídos por material elástico (cordão- fitas- massinha de modelar).
O grupo poderá fazer a escolha de um nome para a obra.
Outra proposta é (no dia seguinte):
Fazer a troca de obras entre os grupos, para que, a nova equipe, exerça a função de emoldurar a produção dos colegas. (Combine com as crianças a 'não intervenção na obra', apenas a criação de uma moldura).
No terceiro dia:
Faça uma proposta de releitura de uma das obras produzidas: seja através da criação de poesias- paródias ou danças (apresentar ao grande grupo).

2)Criação de moldura de trabalhos para o varal da sala: decoração com fitas adesivas coloridas, purpurinas ou lantejoulas das laterais de um saco plástico padrão/ tamanho ofício- assim as crianças poderão expor seus trabalhos utilizando a moldura (essa moldura pode ser temática, ex: cores do Brasil, da bandeira da África). No 'saquinho' poderão ser acondicionados todos os trabalhos durante um determinado estudo, que irão 'emoldurados' para casa.

3) Sensibilização lúdica com argila: ao som de uma música, o grupo fará o manuseio da argila- moldando uma bola e trocando-a com os colegas a cada parada do som.
Em seguida:
Pode ser feito o manuseio de enciclopédias e livros de Artes, que contenham trabalhos de escultores importantes, como os de Mestre Vitalino, ou os bonecos de Boi de Mamão.
Para finalizar: com os mais variados materiais: parafusos, palitos, botões, lãs, sementes, retalhos de pet, será proposto a criação de uma escultura.

4)Salão de beleza: manuseio de materiais que estão disponíveis na Internet e que mostram penteados e maquiagens exóticas.
Depois:
Criação de “modelitos”,com tinta de rosto, purpurina e assessórios para cabelos (grampos de roupas coloridos permitem lindas criações capilares na EI).

5)Trabalhando com moda-estilo: criação de vestes de papel para bonecos, a partir de um tema proposto: gaúchos- São João- copa- inverno. Criação de cenário ou passarela para brincar com os modelos.

6) Desenho mágico:
Material: caixa de camisa com tampa, cola, sagu, ou flocos de isopor, terra, folhas secas e galhinhos.
Inicialmente será proposto o desenho de uma paisagem (com giz pastel, carvão vegetal ou canetas esferográficas).
Depois: a professora fala de um fenômeno natural ocorrido e, assim, as crianças marcam, aleatoriamente, a ilustração da paisagem com cola. Colocam o trabalho dentro da caixa e dispõe, num dos cantos, o material do fenômeno(se for uma nevasca, colocam bolinhas de isopor ou sagu, se for um ciclone, colocam um pouquinho de terra, galinhos e folhas secas, se for um desmoronamento de terra, colocam um pouquinho de barro). A caixa é tampada e toda a turma conta até 10 'chacoalhando' o seu embrulho...
Depois, é só abrir e APRECIAR o resultado.

7)Desenho com fita adesiva- o professor explica que podemos desenhar com vários materiais, cordões, fitas, grãos etc. As crinças exploram algumas possibilidades e solcializam com a turma.

O professor sugere, então, que escolham uma cor de da fita adesiva e uma cor de suporte ( papel) e que façam uma produção.

8)Envelopes SURPRESA:
Prepare envelopes com os nomes das crianças. Nesses, coloque alguns materiais, como exemplo: folhas- palitos- canudinhos- algodão- canetas- giz de cêra- carvão, lantejoulas, arroz.
Cada criança receberá, assim, um desafio. Depois todas podem socializar a produção e falar do processo de trabalho com o material recebido, etc.

9)Trabalho com fotos:
A partir de fotos das crianças impressas em papel A4, elas poderão “ir para qualquer cenário... Vestir qualquer roupa... Entrar em qualquer história, fazendo arte!”

Gostou? Ficou com alguma dúvida? Quer colaborar com alguma sugestão? Poste um comentário!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Copa na África? Que belo projeto temos aí...

A LEI No 10.639, DE 9 DE JANEIRO DE 2003, altera "a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira". De acordo com o estabelecido no "Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.

§ 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.

§ 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras."

O fato da Copa 2010 ser realizada na África é uma ótima oportunidade para os educadores da infância introduzirem o tema da "Consciência Negra" desde a Educação Infantil. Um projeto de trabalho com o objetivo de conhecer o país da copa, sem dúvida, vai encantar a criançada e possivelmente sensibilizá-las para com as questões do racismo e da situação de vida dos negros em nosso país.

São muitas as atividades que podem ser realizadas durante o estudo:
-O processo de imigração forçada e a abolição.
-Localização dos países (Brasil e África).
-Meios de transporte de um país para o outro. Fuso-horário.
-Hábitos similares e diferentes na atualidade.
-Manuseio da cultura (i) material: brinquedos, brincadeiras, danças, alimentos de origem africana que hoje chamamos de patrimônio cultural.
-Trabalho com os times e as suas bandeiras ou uniformes.
-Reconhecimento do mascote.
( Tudo vai depender do que seu grupo quer saber)

Nesse aspecto, pode ser pensada uma oficina de capoeira, uma feijoada, audição de histórias e lendas africanas. Confecção de bonecas de pano. Bem como, a otimização de várias brincadeiras da época da escravidão: chicotinho queimado, carniça, etc.

Segue a sugestão de alguns livros:



Adoro essa obra pois fez parte da minha infância. Minha mãe contava e eu conto e divulgo sempre que posso.




Essa obra, de Celso Cisto, é o resultado de uma pesquisa sobre contos, lendas e fábulas da "Mama África".



E não poderia faltar esse lindo menino do Ziraldo.

Que tal confeccionar a bonequinha preta? Segue um vídeo que capturei na rede:oficina de boneca Waldorf- Juiz de Fora.



Conheça a história das bandeiras da África do Sul:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_da_%C3%81frica_do_Sul

Espero ter ajudado a "Maria Pri" que pediu sugestões de projetos. Ah, adorei ver você me seguindo Nicole (a Marina também). Como tenho orgulho de vocês colegas!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Avaliação dos professores: meritocracia? Ah! Sei...

O anúncio de que os professores serão sistematicamente avaliados, e que as notas dessas avaliações poderão lhes garantir o acesso ao Magistério Público, gerou uma explosão de "diz-que - diz-que". Alguns críticos estão acusando o projeto de "meritocrático" e questionando a punição dos 'menos instruídos' e a premiação dos 'mais'.
O que "eu" acho? "Dê a César o que é de César..."
Tem muito professor desejando e merecendo o seu "lugar ao sol". Lugar, onde possa ter garantido o que a Lei prevê, como direito, em termos de Planos de Carreira e de títulação: professor. Tem muito profissional que ainda, por necessidade, aceita ser chamado de: auxiliar, assistente, monitor, trabalhando em instituições que contrariam o estatuto da profissão e as recomendações do MEC.
Chegou o momento dos educadores (dos "jequitibas" do Rubem Alves) terem reconhecidas a dedicação e o respeito que nutrem pela sua prática educativa. Postura que os mantém em constante processo de aperfeiçoamento. Movimento. Busca.
É muito além do popular "vale o quanto pesa", trata-se de valorizar àqueles que assumiram o compromisso técnico necessário à profissão.
Heis, uma oportunidade 'convidativa' para que um maior número de professores revejam permanentemente questões fundantes e essenciais à prática pedagógica.
"Que os fins justifiquem os meios".
Eu prefiro encarar a prova como um incentivo à formação continuada! Afinal, nenhuma instituição vai querer professor ruim em seu quadro, certo? Assim, essa iniciativa, possivelmente, irá desencadear muitas outras ações em prol da qualidade docente, tanto no setor público quanto no privado. Discutiria, talvez, o tipo de prova.
Via de regra, o "Enem" dos professores chega em boa hora difundindo que a ESCOLA Pública quer e precisa dos "melhores" para mudar os números educacionais da nação.
Desse modo, viva a meritocracia! (se querem chamar assim)

Lembrem-se Marias:

Educação sempre foi antagonicamente reprodução e resistência, usemos as provas em nosso favor... Teimem! Resistam!

Eu, novamente na Serra... Socializando o meu pouco:

Nesse final de semana trabalhei em São Marcos. Foi uma ação de formação continuada solicitada pela SMEC. Um grupo de aproximadamente 50 professoras de E.I e 1º ano do Ensino Fundamental. O dia foi maravilhoso. As professoras estavam animadíssimas. Voltei de "alma lavada", adoro essa parte! Trouxe muito mais do que levei. Segue uma "palinha" da produção do dia. O tema do encontro foi "Criações na Educação Infantil: oficinas de materiais e portfólio".



Próxima capacitação - também na Serra: "Reflexões e práticas de um criançólogo" - data: 19/06/10.

“Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante”.
Antoine de Saint-Exupéry