quinta-feira, 17 de março de 2011

Registro de uma aula de sensibilização e estética- Unisinos:

Ontem, participei de uma palestra com Nadja Hermann (professora universitária na PUC- POA). Voltei feliz do evento pois, compartilho de muitas das idéias, em prol da educação estética, que ela trouxe ao grupo. Revejo aqui as minhas anotações e socializo:
- os princípios racionais perpassam pelo sentimento.
- não há como conceitualizar tolerância sem a sensibilização para com o termo.
-a ética na perspectiva do racionalismo não funciona. Menos ainda, uma formação por moral por códigos de ética.
- a relação da Arte com a historicidade traz possibilidades de melhorias nesse campo do saber, visto que, ao sensibilizar para uma dada problemática, o artista desloca e modifica o olhar do “mundo” sobre um dado evento.
- Ou ainda, ao distanciar-se temporalmente de um fato, o artista consegue dar-lhe a dimensão de historicidade.
- Aristóteles, por sua vez, disse que são as experiências práticas e não as contemplações que formam as pessoas.
- experiências com artes permitem o desenvolvimento da competência afetiva (sensibilidade).
- a falta de experiências estéticas favorece o consumismo, o alcoolismo, as buscas das vertigens...
- é da natureza humana a necessidade de deslocar-se da realidade tosca.As crianças expressam isso através dos rodopios...
- o estranhamento é reflexivo.
- a utilização da tragédia grega se deveu a essa noção de que se ensina moral quando se perpassa pela estética. Os sentimentos dos atores são deslocados para a plateia. Faz-se um exercício antropofágico de sensibilização para o problema do outro.
E para concluir:
A formação de professores precisa permitir o deslocamento ( da racionalidade) para a estética. É o caminho mais apropriado para ensinar sobre moral e ética.
Como exemplos de obras que elucidam o potencial subversivo e reflexivo da arte, a professora Nadja utilizou o material abaixo.


 (O mestiço, de Portinari- 1934- uma homenagem à força e a beleza do povo missigenado-  pintada num momento em que a discriminação ainda imperava).
O rapto de Europa- 1471 ( seres mitológicos são utilizados para representar o amor proíbido).

(A morte de Procris- Piero di Cosimo- subverte à idéia de vida primitiva sem sentimentalismo).

Seguem os links em que encontrei as duas narrativas mitológicas retratadas acima:



Também foram sugeridas algumas referências bibliográficas, entre elas, o artigo:

Notas sobre a experiência e o saber da experiência:

http://www.anped.org.br/rbe/rbedigital/RBDE19/RBDE19_04_JORGE_LARROSA_BONDIA.pdf
E as obras:
E, essa última, da própria palestrante (editada pela Unijuí-RS-2010): que revela na Sinopse algumas das fontes referenciais utilizadas para o belo e deslocante discurso de Nadja Hermann:
 Na perspectiva de compreender como a educação pode enfrentar a tensão gerada entre as exigências de universalidade das normas (provenientes da tradição pedagógica) e de singularidade da autocriação em sua diferença, fez-se presente a necessidade de discutir o ponto de entrelaçamento entre ética e estética. Ou seja, qual o modo de tratamento ético diante de novas experiências de subjetivação, que apontaria outras perspectivas para a educação. O esforço teórico que tem orientado a autora dialoga com estudiosos que abriram caminhos inovadores para a reflexão moral, tais como: Nietzsche, Schopenhauer, Schiller, Rorty, Nussbaum, Iser, Bohrer, Gadamer, Habermas, Adorno, Welsch. O que se pretende expor são as possibilidades de a educação configurar uma nova face, em que a contemplação estética atua na vida moral e a singularidade de nossos juízos articula um mundo comum com aquilo que a sensibilidade percebe em cada situação. Daí a atenção vigilante na busca de categorias ajustadas à finitude e à pluralidade do mundo que concedam plausibilidade à reivindicação ética em educação, quando não mais temos estruturas estáveis do ser, como é o caso de uma época pós-metafísica.

Lero-lero: A morte de Procris pode ser utilizada para introduzir uma fala sobre métodos contraceptivos.

Novidade:
Não fui na palestra da tarde, até tentei, e, virtualmente, cheguei bem próximo ao local do evento. Voei, pulei, tentei espiar... Tudo via Second life, foi mágico! Adorei a minha primeira experiência com o meu avatar. Sentei no telhado do bloco... Na próxima vez eu conseguirei, apareceu um amigo com cara de cavalo que até tentou ajudar mas: "ops" não conseguimos!
Lição de casa feita, grifos inclusive, um abraço!
Eu aqui : Maria "Robin Hoodiana"


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