Hoje tivemos (na Unisinos) as duas últimas aulas do semestre. E como a colega Carol nos lembrou: "agora só faltam mais três semestres e depois será tudo com a gente..." Isso dá um medo...
Os textos de finalização parecem ter sido escolhidos "a dedo" pelo Prof.ª Gelsa: "A epistemologia ampliada", de Esther Díaz e "Para qué nos sierven loz extranjeros?", de Jorge Larossa.
Díaz reflete sobre as contingências de uma pesquisa e para a ética (não estéril) como princípio aos estudos científicos. Faz isso, demonstrando a necessidade da ampliação do foco de trabalho, na alternância de locais e de olhares, para a análise de um dado problema.
Já o texto de Larossa é de uma "dureza"... (?!) 'quase imperdoável'! (afinal, ele tem uns pensamentos bem bacaninhas!) O fato é que nessas linhas ele critica a insistência dos Pedagogos em só contarem maravilhas de suas práticas. Como se nada nunca desse errado. Fala sobre um discurso multicultural vazio dentro das escolas, numa inclusão que é excludente e diz que o que os professores sabem fazer muito bem é ensinar o aluno a ser aluno... Ou seja: as escolas são cestos de gatos e todos os gatinhos miam... e todos os gatinhos tomam leite... e todos os gatinhos são higiênicos... Qualquer problema não é do cesto e sim do 'mal agradecido do bicho' que teve tudo e não aprendeu...(É direto esse Larossa!"Tóin". Contudo, eu continuarei lendo o que ele escreve... só para ver até onde ele vai com esses "insultos" classistas...).
Tivemos que escolher um dos textos para escrever, para refletir: eu escolhi o da Esther é que as questões de ÉTICA mexem com minhas entranhas.. Assim, ficou mais fácil "conversar com ela". Segue o texto com as devidas contribuições do grupo. E umas pitadinhas de "literatura popular"...
A aula terminou mais cedo e eu e minha amiga e colega Wanderlea fomos até o Santuário Padre Réus. Pedidos e mais pedidos! Ganhei uma medalhinha!
Adorei o santuário! Beijos,
Adorei o santuário! Beijos,
Partes de A epistemologia ampliada, de Esther Díaz: “traduzida” em miúdos e miudezas.. .[1]
Assim como o crítico de Arte enquadra produções artísticas em estilos
culturalmente construídos e a partir desses as avalia, o epistemólogo
parte de teorias e práticas das Ciências para elaborar conceitos (reflexões),
que também necessitam de pontos de referência.
culturalmente construídos e a partir desses as avalia, o epistemólogo
parte de teorias e práticas das Ciências para elaborar conceitos (reflexões),
que também necessitam de pontos de referência.
Quaisquer ocorrências de construções que subvertam a ordem, sejam numa ou noutra
área, precisarão de aceitabilidades de natureza específica, antes de caírem nas graças
dos críticos ou epistemólogos. Portanto, inovações ou descobertas singulares
sempre estiveram sujeitas às mais diversas barreiras internas e externas.
área, precisarão de aceitabilidades de natureza específica, antes de caírem nas graças
dos críticos ou epistemólogos. Portanto, inovações ou descobertas singulares
sempre estiveram sujeitas às mais diversas barreiras internas e externas.
Artistas ou cientistas que conquistaram a imortalidade o fizeram em vista do
duo: singularidade/universalidade. No entanto, mesmo que divinos, antes de
“correrem para o abraço”, precisaram examinar de vários modos seus inventos
e a forma de expressar o conteúdo para a sociedade.
Nesse aspecto, e pensando em alguns dos mecanismos de poder sugeridos no texto,
como condicionantes para a existência das ciências, é possível recorrer a ditos
populares e caricaturizar posturas de pesquisadores triunfantes:
“macaco não briga com o pau onde sobe”; “em terreiro de galinha, barata não tem
razão”; “mais vale um burro vivo do que um doutor morto”.
duo: singularidade/universalidade. No entanto, mesmo que divinos, antes de
“correrem para o abraço”, precisaram examinar de vários modos seus inventos
e a forma de expressar o conteúdo para a sociedade.
Nesse aspecto, e pensando em alguns dos mecanismos de poder sugeridos no texto,
como condicionantes para a existência das ciências, é possível recorrer a ditos
populares e caricaturizar posturas de pesquisadores triunfantes:
“macaco não briga com o pau onde sobe”; “em terreiro de galinha, barata não tem
razão”; “mais vale um burro vivo do que um doutor morto”.
Como exemplo personificado “desses miúdos”, Díaz citou Louis Pasteur
(pesquisador francês- séc. XIX) que estreou nas Ciências contestando a Química
pura como base teórica no processo de formação do ácido láctico. Ele ao
comprovar a ação de micro-organismos nas fermentações que produzem esse
ácido inaugurou a Bioquímica. Adicionou à disciplina (já autorizada) uma
especificidade. Fez o refinamento.
Mesmo assim, pelo fato de ter causado ruptura no Campo da Química,
(pesquisador francês- séc. XIX) que estreou nas Ciências contestando a Química
pura como base teórica no processo de formação do ácido láctico. Ele ao
comprovar a ação de micro-organismos nas fermentações que produzem esse
ácido inaugurou a Bioquímica. Adicionou à disciplina (já autorizada) uma
especificidade. Fez o refinamento.
Mesmo assim, pelo fato de ter causado ruptura no Campo da Química,
inicialmente seu estudo foi contestado. Mas diante da materialidade com que
demonstrou a ação dos micro-organismos, tanto na fermentação como na
decomposição de substâncias, conseguiu reconhecimento.
demonstrou a ação dos micro-organismos, tanto na fermentação como na
decomposição de substâncias, conseguiu reconhecimento.
Com a evolução das Ciências, descobriu-se que as enzimas, posteriormente apontadas
pelo cientista para reterem as ações dos micro-organismos, podem ser
sinteticamente desenvolvidas (ou seja, química + química).
O fato é que na época de Pasteur a possibilidade de criarem-se artificialmente enzimas não pairava em mentes sãs. E assim, situada e datada sua pesquisa foi revolucionária e
altamente benéfica para a sociedade, principalmente no Campo da Nutrição e
da Medicina.
Detalhes sórdidos: filho de ex-militar, Pasteur utilizou argumentos de guerra
pelo cientista para reterem as ações dos micro-organismos, podem ser
sinteticamente desenvolvidas (ou seja, química + química).
O fato é que na época de Pasteur a possibilidade de criarem-se artificialmente enzimas não pairava em mentes sãs. E assim, situada e datada sua pesquisa foi revolucionária e
altamente benéfica para a sociedade, principalmente no Campo da Nutrição e
da Medicina.
Detalhes sórdidos: filho de ex-militar, Pasteur utilizou argumentos de guerra
para angariar fundos em prol da pesquisa. Coincidência romântica: casou-se com a
filha do reitor de Lille, num evento em que, segundo más línguas, os convidados
puderam degustar um bom vinho (não “vinagrado”). Esse casamento rendeu-lhe
quatro filhos que “foram criados com leite pasteurizado”.
filha do reitor de Lille, num evento em que, segundo más línguas, os convidados
puderam degustar um bom vinho (não “vinagrado”). Esse casamento rendeu-lhe
quatro filhos que “foram criados com leite pasteurizado”.
“Miudezas” à parte, cabe agora recorrer a alguns ditos contemporâneos em
defesa das ciências. No caso das verbas para a realização de pesquisas que
melhorariam o desempenho da França nas guerras, “que os fins justifiquem os
meios”; no caso do casamento, digamos que Pasteur “uniu o útil ao agradável”.
defesa das ciências. No caso das verbas para a realização de pesquisas que
melhorariam o desempenho da França nas guerras, “que os fins justifiquem os
meios”; no caso do casamento, digamos que Pasteur “uniu o útil ao agradável”.
Obviamente, uma junção de coisas facilitou as conquistas desse químico, mas o que
tornou ele um Avatar no meio científico é que suas pesquisas foram delineadas de tal
modo que podem ser testadas e confirmadas mediante a aplicação fiel do seu
método. Assim, o tempo passa sem que se possam “fermentar” dúvidas
quanto à legitimidade da condição de fundador, de Pasteur.
tornou ele um Avatar no meio científico é que suas pesquisas foram delineadas de tal
modo que podem ser testadas e confirmadas mediante a aplicação fiel do seu
método. Assim, o tempo passa sem que se possam “fermentar” dúvidas
quanto à legitimidade da condição de fundador, de Pasteur.
A bem disso, cabe supor que a “Navalha de Occam”[3] foi um instrumento de pesquisa no laboratório de Lille, pois Pasteur (cautelosamente) não disse nada a mais nada a menos do que aquilo que poderia ser dito sobre suas descobertas.
Portanto, justiça seja feita, Pasteur está livre de acusações quanto ao relativismo no Campo das Ciências. Via de regra, vale buscarmos, como medida “Latouriana”,[4]
outro dito social para nortear pesquisadores comuns ou meros mortais:
“Tens o direito de permanecer calado, qualquer coisa que disser poderá ser usada
contra ti.”
outro dito social para nortear pesquisadores comuns ou meros mortais:
“Tens o direito de permanecer calado, qualquer coisa que disser poderá ser usada
contra ti.”
REFERÊNCIA
DÍAZ, Esther. Epistemologia ampliada. Disponível em: http://estherdiaz.com.ar/textos/epistemologia_ampliada.htm. Acessado em: 18 de mai. 2011.
[1] Mestre em Letras e Cultura Regional (UCS) e aluna no Doutorado em Educação da Unisinos.
[2] Texto escrito para a disciplina Seminário de Tese I, ministrada pela Prof.ª Gelsa Knijink.
[3] Metáfora que pretende elucidar o problema da pluralidade.
[4] Alusão a Bruno Latour, especialista no campo das Ciências, que aponta a negligência de pesquisadores como criadora do relativismo no meio científico.
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