sábado, 4 de junho de 2011

Organizando a casa? Está num aperto? Um projeto de melhorias...


A casa pequena
                         (Pedro Bandeira)

Lá na casa onde morava,
Anastácio dava pena.
Pois bem grande era a família,
mas a casa era pequena.

Todos juntos, que inferno!
As crianças a chorar,
mais a sogra provocando
e a mulher a reclamar.

Cada dia que passava,
seu aperto era pior.
Pois dinheiro mais não havia
pra comprar casa maior.

Anastácio, em desespero
com tão grande confusão,
procurou um velho sábio,
lá na praça da estação.

"Velho sábio, me socorra,
não aguento mais sofrer.
Minha casa é tão pequena,
já nem sei o que fazer."

"Ajudá-lo vai ser fácil",
disse o sábio com prazer.
"Pois eu tenho a solução,
mas é bom me obedecer."

"Seu problema só melhora
Se você sem discutir,
aumentar a companhia
e um cachorro conseguir."

"Só que tem que ser dos grandes,
um bonito, bem peludo.
Me procure amanhã cedo
pra contar como está tudo."

No outro dia, de manhã,
Anastácio, em aflição,
veio e disse que o cachorro
piorou a situação.

"Ficou tudo muito ruim
pois, como era de esperar,
o cachorro suja tudo
e não pára no lugar."

"Pois arranje um par de gatos,
coisa fácil pra você,
ponha lá dentro de casa,
não pergunte para que."

Anastácio fez aquilo
e voltou desesperado:
"Nesta noite eu não dormi,
e o senhor foi o culpado."

"Os dois gatos miam muito,
o cachorro corre atrás,
e é aí que a sogra grita
e termina a minha paz!”

"Pois arranje uma galinha,
pra juntar com todo o resto.
Faça tudo direitinho,
que eu não gosto de protesto!"

Anastácio voltou cedo,
Enxugando seu suor:
"Minha vida, dessa vez,
conseguiu ficar pior."

"Minha casa está um horror,
desde a sala até a cozinha.
É o cachorro atrás dos gatos
e os dois gatos da galinha!"

"O que falta é uma macaco",
disse o sábio, devagar.
"Junte o bicho com os outros
e depois venha me contar."

Quando veio o Anastácio
arrancava até o cabelo.
Parecia quase louco,
pois vivia um pesadelo.

"Esse inferno, não sei bem
como foi que aconteceu.
Essa vida eu não aguento,
são os bicos ou sou eu!"

"Pois então volte pra lá,
bote os bichos para fora.
Mês que vem me contar
Se houve ou não melhora."

O Anastácio no outro mês,
voltou muito sorridente.
A alegria era tão grande,
que dançava de contente.

"Obrigada, senhor sábio!
Eu nem sei como falar.
Que sossego, quanto espaço,
que harmonia no meu lar!”

"Lá na casa eu vivo bem
e de casa eu não me mudo.
Tenho o espaço que eu preciso,
tenho filhos, tenho tudo!"

Lero- lero: Acabo de voltar de Bento, hoje lecionei o dia todo: foi ótimo! Lá, foi a última etapa com as alunas do Pós-Graduação da Educinter. Aula de conclusão sobre contos populares e estratégias para contar histórias. 
Semana que vem lecionarei em Veranópolis... Pretendo voltar com a pele linda de lá... "Terra da longevidade"...
Esse texto (acima) de Pedro Bandeira, garantiu boas risadas! Lembrei-me desses versos graças à minha professora atual (Gelsa) que utilizou-o como exemplo na última aula. "Problemas aumentados X soluções grandiosas..." (Quem faz isso?)
Acho "A casa pequena" ideal para propormos, na escola, um projeto sobre as diferentes moradias que existem: no município, no país, no mundo. Cada pessoa tem uma "casinha dos sonhos" guardada na mente... Por isso, estudar as moradias pode ter "reforços imaginários" poderosos...
Quem conhece a história das formiguinhas 'Zica e Nica'? Pois é, também pode servir ao projeto:
"Eu sou Zica a formiguinha, quero encontrar... um lugar MARAVILHOSO e feliz eu vou ficar." (lá lá lá)
Beijos! Voltei "verde de fome!"

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