O Brasil, signatário (assinante) do manifesto da 'educação para todos,' está na corrida para honrar o compromisso...o novo Plano de Educação (2011-2020) e as alterações na Lei. 9394/96 (LDB), de 04 de abril de 2013, são provas dessa pressa. Quase nos últimos minutos do 2º tempo, via Legislação, o Estado intensifica ações para a legitimação da oferta educacional justa, humanitária e libertadora, projetada em 2000.
Não que ações importantíssimas não tenham sido tomadas até aqui, o fato é que foram otimizadas em forma de programas, de políticas públicas, impregnadas (aos olhos de alguns) do ranço partidário. Colocar tudo num mesmo papel, que tem efeito normatizador, não é preciosismo, sim, noção da força da Lei para o exercício da vontade do Estado".
Obs: A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) é apoiadora desse movimento.
Lero-lero:
Ontem comemorei, por antecipação, com os alunos de Osório o Dia da Língua Portuguesa e Cultura Lusófona, (05 de maio). A data foi criada pela Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP). O "fuzuê", uma semana antes do previsto, ocorreu em virtude que estarei em viagem de estudos no próximo sábado (OB@!). Adiar comemorações com alunos é muito ruim... melhor antecipar... Já havíamos combinado o evento: um sarau literário, há mais de um mês e foi "AVALIATIVO"! Maravilhoso! Vicente Celestino http://www.youtube.com/watch?v=6AWiitgGqTc, Raul Seixas, Fernando Pessoa, Cassia Heller, Chico Buarque e Almir Sater fizeram parte do momento...
Uma aluna comentou: "estou realizada, nunca me deixaram cantar em lugar nenhum..." (cantou: Cássia Heller: "Quem sabe ainda sou uma garotinha?"), outro grupo justificou a escolha da música: "Tocando em frente", de Almir Sater, pelo fato dessa possuir parônimos... ( manhas, manhãs, massas, maçãs). Uma aluna leu um poema de Fernando Pessoa e fez todos silenciarem... denso, extenso e na voz segura da Larissa: LINDO! "clap, clap"
Aniversário
Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
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As imagens que seguem são do grupo que homenageou Vicente Celestino, poeta, cantor, conhecido como "tenor do povo brasileiro" no século passado. A escolha do grupo, por: O Ébrio (1946), evidencia o quanto a arte é capaz de transpor barreiras de espaço, tempo, e língua. Ovacionamos o nosso tenor!
Que bela manhã!



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