sábado, 25 de setembro de 2010

Em nome da leitura: revolucionária, secreta...

Quando eu era adolescente havia um livro proibido.
Nós, boas meninas, da escola de freiras, fazíamos de tudo para lê-lo e tínhamos orgulho de revelar nos "caderninhos de questionário", que circulavam de casa em casa, que o livro preferido era Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída , lançado em 1981.
Lembro-me bem dessa leitura reveladora e também incompreensível em alguns aspectos... Mas o fato é que eu queria ler... E, como muitas colegas, dei um jeitinho e li.
O grande mérito de algumas obras está nisso, no entorno do texto, no convite à leitura, às vezes, desobediente e revolucionária.
Para um adolescente ler o contestado pelos adultos é algo formidável. Afinal, como disse Che Guevara:
"Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética."
Assim, conhecer as etapas do desenvolvimento humano, os anseios de uma possível comunidade de leitores, favorece a escolha das obras literárias.
Ouço muitas pessoas dizerem que seus filhos liam até chegar à pré-adolescência e que depois deixaram de ler...
Se entendermos a leitura como um hábito, a conclusão desses pais está equivocada. Talvez, os filhos deles liam pouco, num determinado momento, e hoje não leem mais nada.
Acredito que tenha faltado o livro "atrevido": a narrativa de aventura para os teimosos... Da caça ao tesouro...Do humor sarcástico, que são muito apreciados pelos adolescentes.Títulos que substituíssem a fase do "felizes para sempre..." e
contribuíssem para manutenção da cumplicidade: escritor-leitor.
Para a garantia da continuidade da leitura, uma boa "pedida" são os gibis. Considero-os grandes aliados para manter um processo permanente de leitura. A partir dos 7 anos as crianças conseguem ler, entender e dar boas gargalhadas com os personagens dos quadrinhos. Assuntos como: política, solidariedade e cultura são abordados de maneira lúdica e atrativa nos gibis.
Atualmente, uma série de pockets baratinhos (R$11,00) da Mafalda, da Turma da Mônica, do Garfield, entre outros, estão disponíveis nas livrarias para a garotada das espinhas. Sem falar nos Diários: Otário, de um Banana, etc. Seguidos de uma série de "coisas" que toda a menina ou menino deve saber...
São os "proibidinhos" do momento e alguns pais (como no passado) "torcem o nariz" e deixam de comprá-los.
Como mãe e pedagoga aconselho, pois, não se trata de apologia ao deboche e, sim, de terapia do riso. Num momento oportuno, em que os pré-adolescentes vivem o luto da infância e o medo das transformações. Mudanças que o espelho não para de exibir.
Além disso, para manter acesa a "chama da narrativa", sugiro a instituição da mesada literária: o vale livro mensal ou o vale gibi semanal. O efeito da criança escolher e comprar o seu objeto de leitura é ímpar. Ela exerce a autonomia da escolha. O "aperto de mão com o escritor", não por obrigação, mas por empatia!


(Gibis e pockets da Marina- 11 anos)
Pensando nos espaços públicos para empréstimos de livros, muitas bibliotecas precisam rever o ambiente e as ofertas para os pré-adolescentes. Praticamente não se fala em literatura para os "monstrinhos"...
Espaços para pré-adolescentes precisam ser diferenciados, atrativos e com cheiro de novidade... Acolhedores de "tribos". Obras virtuais reedidatas, repaginadas, precisam compor o acervo. Caso contrário, será a vez da garotada "torcer o nariz"...
Sugestão:
Que tal organizar uma "GIBITECA" na sala de aula? Ou uma tendinha de gibis no pátio da escola para que as crianças leiam no recreio?
E a hora diária dos gibis?
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