Podemos iniciar pelo "Ode casa?" ou melhor, pelo chimarrão: 'nada de cuinhas em folha mimeografada' para as crianças colarem erva-mate, certo? Abaixo aos modelinhos prontos! A maioria (se não todas) as crianças gaúchas possuem cuias em casa de tamanhos e formatos variados (isso já renderia um bom estudo).Possíveis problematizações:
-Pesquisa e registro de horários ou momentos em que os pais tomam chimarrão.
-Experiências e desafios sobre a quantia de erva que cabe numa determinada cuia (trabalho com balança de cozinha).
-Organização de um cantinho do chimarrão na sala.
-Visualização e produção de arte em porongos ou cabaças.
-Coleta de letras musicais sobre o chimarrão.
-Sarau de poesias, trovas e canções tradicionalistas em que se mencione o amargo.
-Organização de um mural fotográfico onde familiares estejam tomando chimarrão.
-Visita à uma indústria de erva-mate.
Seguem, a Lenda da erva-mate e algumas informações que capturei no site de uma das mais populares indústrias de erva-mate aqui do estado. Vale à pena entrar nesse site:
http://www.petry.com.br/industria.htm
(disponibilizam imagens da produção- informações para leigos sobre como fazer o chimarrão, sem falar nos famosos 10 Mandamentos do Chimarrão).
Lenda da erva-mate
Um velho guerreiro guarani vivia triste em sua cabana pois já não podia mais sair para as guerras, nem mesmo para caçar e pescar, vivendo só com sua linda filha yari, que o tratava com muito carinho, conservando-se solteira para melhor dedicar-se ao pai.
Um dia, Yari e seu pai receberam a visita de um viajante que pernoitou na cabana recebendo seus melhores tratos. A jovem cantou para que o visitante adormecesse e tivesse um sono tranquilo, entoando um canto suave e triste.
Ao amanhecer, o viajante confessando ser enviado de Tupã, quis retribuir-lhes a hospitalidade dizendo que atenderia a qualquer desejo, mesmo o mais remoto. O velho guerreiro, sabendo que sua jovem filha não se casara para não abandona-lo, pediu que lhe fosse devolvidas as forças, para que yari se tornasse livre.
O mensageiro de Tupã entregou ao velho um galho de árvore de Caá, ensinando-lhe a preparar uma infusão que lhe devolveria todo o vigor. Transformou ainda Yari, em deusa dos ervais e protetora da raça Guarani, sendo chamada de Caá-Yari, a deusa da erva-mate. E assim, a erva foi usada por todos os guerreiros da tribo, tornando-os mais fortes e valentes.
Outros:
Quando os espanhóis por aqui chegaram, encontraram os índios guaranis dóceis e receptivos, já então utilizando uma bebida que sorviam em cabaças por meio de um canudo, preparada, com folhas de uma arvore nativa da região – chamada cáa – dizendo que esta lhes havia sido dada pelo deus Tupã. De imediato os espanhóis adquiriram este hábito e passaram a tomar o chimarrão, desde os soldados até oficiais, sem distinção de classes sociais.
O chimarrão, tradicional e salutar hábito do Rio Grande do Sul, é um símbolo da hospitalidade do gaúcho, que oferece sempre a qualquer visitante. Atualmente, é bebido em uma cuia onde depositamos um pouco de erva-mate já moída e de onde sorvemos o líquido (água quente sem ferver), através de uma bomba de metal.
O costume de tomar chimarrão está bastante difundido, tanto no meio rural como no urbano e faz parte da vida do gaúcho desde o amanhecer até a noite, quando encerra suas tarefas do dia.
Observação:
Levando em conta que as tripos Guaranis marcaram a difusão do chimarrão, lembrei-me de um CD maravilhoso (vendido pela Internet): Ñande Reko Arandu- Projeto Memória Viva Guarani ( gravado em São Paulo e no Rio de Janeiro- lindo!).
Voltando ao chimarrão, concluo essa diga de projeto com uma canção (que eu já utilizei na escola) de autoria de Lupicínio Rodrigues.Cevando o amargo
Amigo boleia perna
Puxe banco vai sentando
Encoste a palha na orelha
E o criolo vai picando
Enquanto a chaleira chia
O amargo eu vou cevando
Enquanto a chaleira chia
O amargo vou cevando
Foi bom você ter chegado
Eu tinha que lhe falar
Um gaúcho apaixonado
Precisa desabafar
Xinoca fugiu de casa
Com meu amigo João
Bem diz que mulher tem asa
Na ponta do coração
Outras informações sobre as tradições gaúchas:
http://www.mtg.org.br/ (clique no título do post)
(Se gostou deixe um comentário, qualquer erro -inclusive de escrita- por gentileza, me comuniquem. Fiquei com uma vontade de tomar chimarrão com minha amiga Zilá.)
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