─ Perninha de quê? ─ perguntou o filhote de serpente.
─ De índio ─ respondeu a coruja.
─ Eu não consigo sentar que nem índio.
─ Então, não poderá ouvir a minha história.
─ E se eu ficar bem enroladinha numa árvore? Prometo não atrapalhar ─ argumentou, mais uma vez, o pequeno réptil.
─ Já falei que não, ou faz “perninha de índio” ou saia daqui!
─ Está bem! Não vou ouvir a sua história, mas você também não irá contá-la.
("Fabulinha" nº1- Maria Cristina Schefer)
Considerações: Cercear os movimentos dos outros é uma forma de controle que desqualifica a existência humana. É a micro-física do poder, “aquela coisinha tosca”, que passa despercebida, pela maioria, mas que tem um efeito enorme.
Rever permanentemente a literatura de Foucault é algo que as escolas precisam fazer! E depois, tem tanta coisa que índio faz em movimento, por que somente “a perninha de índio” foi importada para a prática escolar?
Falando em cultura indígena, sempre que eu encontro um “tibicuera” vendendo artesanato, compro. Recentemente comprei uma aliança de palha (R$ 2,00) e um “piu” (R$ 5,00). Lamento vê-los gastando o “dinheirinho árduo” em pacotes de salgadinhos e refrigerantes.
Outros:
Uma frase de Foucault:
“Todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo”.
Uma obra:
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis, Vozes, 1977.
4 comentários:
Adorei a fábula, é tua mesmo?
O desenho do Klaus ficou um amoor também!
Levantou um ponto ótimo que raramente os professores param para refletir.
Um amor de fábula!
Gostei muito! Mais pessoas deveriam ter acesso a esse texto.
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