quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Qual a melhor posição para ouvir histórias? Uma "fabulinha" para começarmos a conversa...

A hora do conto na floresta

─ Perninha de quê? ─ perguntou o filhote de serpente.
─ De índio ─ respondeu a coruja.
─ Eu não consigo sentar que nem índio.
─ Então, não poderá ouvir a minha história.
─ E se eu ficar bem enroladinha numa árvore? Prometo não atrapalhar ─ argumentou, mais uma vez, o pequeno réptil.
─ Já falei que não, ou faz “perninha de índio” ou saia daqui!
─ Está bem! Não vou ouvir a sua história, mas você também não irá contá-la.

("Fabulinha" nº1- Maria Cristina Schefer)


(Ilustração: Klaus - 6 anos)

Considerações: Cercear os movimentos dos outros é uma forma de controle que desqualifica a existência humana. É a micro-física do poder, “aquela coisinha tosca”, que passa despercebida, pela maioria, mas que tem um efeito enorme.
Rever permanentemente a literatura de Foucault é algo que as escolas precisam fazer! E depois, tem tanta coisa que índio faz em movimento, por que somente “a perninha de índio” foi importada para a prática escolar?
Falando em cultura indígena, sempre que eu encontro um “tibicuera” vendendo artesanato, compro. Recentemente comprei uma aliança de palha (R$ 2,00) e um “piu” (R$ 5,00). Lamento vê-los gastando o “dinheirinho árduo” em pacotes de salgadinhos e refrigerantes.
Outros:
Uma frase de Foucault:
“Todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo”.
Uma obra:
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis, Vozes, 1977.

4 comentários:

Andressa disse...

Adorei a fábula, é tua mesmo?
O desenho do Klaus ficou um amoor também!

Raul disse...

Levantou um ponto ótimo que raramente os professores param para refletir.

Luana disse...

Um amor de fábula!

Maria Elisa disse...

Gostei muito! Mais pessoas deveriam ter acesso a esse texto.