Ela estava sentada numa cadeira alta, na frente de um prato de sopa que chegava à altura de seus olhos. Tinha um nariz enrugado e os dentes apertados e os braços cruzados. A mãe pediu ajuda:
- Conta uma história para ela, Onélio – pediu. – Conta, você que é escritor...
E Onélio Jorge Cardoso, esgrimindo a colher de sopa, fez seu conto:
- Era uma vez um passarinho que não queria comer a comidinha. O passarinho tinha o biquinho fechadinho, e a mamãezinha dizia: “Você vai ficar anãozinho, passarinho, se não comer a comidinha”. Mas o passarinho não ouvia a mamãezinha e não abria o biquinho...
E então a menina interrompeu:
- Que passarinho de merdinha – opinou.
Fonte: Livro dos abraços
Considerações (zinhas):
O uso de termos no diminutivo é um “mal simbólico” que continua sendo legitimado em muitas escolas infantis. Escolinhas, criancinhas, cadeirinhas, trabalhinhos, teatrinhos, espacinhos, projetinhos, planejamentinhos e salariozinhos consolidando aprendizadozinhos...
No “inho” até a "m" parece cheirosinha, bonitinha...
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