quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O desenho pronto, o mimeógrafo e "O Pequeno Príncipe":

"Mimeógrafo é um instrumento utilizado para fazer cópias de papel escrito em grande escala e utiliza na reprodução um tipo de papel chamado estêncil e álcool." (Fonte: Wikipédia).
Criado no séc. XIX, o mimeógrafo foi um importante "recurso físico" nas escolas até a década de 80. As professoras faziam as matrizes das atividades que iriam "aplicar" e reproduziam as atividades através do mimeógrafo para os alunos.
Assim, o equipamento permitia um trabalho padronizado, a priorização da quantidade de tarefas em detrimento da qualidade e, principalmente, a passividade dos receptores das "folhinhas". Mais que um reprodutor de imagens, o mimeógrafo reproduziu ideias.
Dessa forma, quando esse instrumento foi "aposentado" surgiu uma "luz" para os educadores progressistas, diante da possibilidade de abrirem mão de modelos prontos: do siga a seta, do cubra os pontilhados, do pinte sem sair do contorno... Imaginaram que estava sendo inaugurado o fenômeno da "liberdade de expressão" para as crianças:
lEvantAmeNto de HipÓteSES... Experimennnntações... mOviMENTO... CORES, barulhooooo!
30 anos depois...
Atualmente, é o computador a ferramenta considerada indispensável nas escolas, mas curioso é que, em meio a tantas possibilidades ricas de aproveitamento, esse recurso '@'  muitas vezes é utilizado apenas como substituto natural do "velho mimeógrafo".
Conforme disse Miguel Arroyo, mas em outros termos, na obra Ofício de mestre: tendemos a repetir com nossos alunos o modelo de educação que recebemos.
Contudo, sabendo disso, precisamos aprender a policiar esse "instinto saudosista" em nossa prática docente. Visto que, a criança de hoje não é a criança do passado e ela precisa encontrar um educador do presente em sala de aula.
Obs:
O vídeo que segue, baseado na obra O pequeno príncipe, mostra justo a dificuldade dos adultos na apreciação das representações infantis.

Considerações:
A bandeira da "beleza da produção infantil" precisa ser levantada dentro das escolas. Uma escola que expõe desenhos de anônimos em suas paredes, que insiste em padronizar traços alheios para que as crianças pintem, é uma escola que guarda bugigangas do tempo do mimeógrafo.
Gritemos, Marias, em nome do "BOTA FORA!"
Sugestão de leitura:

Obra: Por uma cultura da infância. Ana Lúcia Goulart de Faria; Zelia de Brito Fabri Demartini; Patrícia Dias Prado (org.). Editora: Autores Associados.

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